PAC
DEFESA
Discurso do presidente da República, Luiz
Inácio Lula da Silva, na cerimônia
de assinatura do decreto de criação
do Grupo de Formulação da Estratégia
Nacional de Defesa
Palácio do Planalto, 06 de setembro
de 2007
Meu caro companheiro Nelson
Jobim, ministro da Defesa,
Meu caro companheiro Mangabeira Unger,
ministro da Secretaria de Planejamento de Longo
Prazo,
Meu caro general-de-Exército José
Armando Félix, ministro-chefe do
Gabinete de Segurança Institucional,
Almirante-de-Esquadra Júlio Soares
de Moura Neto, comandante da Marinha,
General-de-Exército Enzo Martins
Peri, comandante do Exército,
Tenente-Brigadeiro-do-Ar Juniti Saito,
comandante da Aeronáutica,
Senhores oficiais generais,
Meus amigos e minhas amigas,
Hoje, às
vésperas de comemorarmos os 185 anos da Independência
do Brasil, tenho o orgulho de estar com os senhores
para impulsionar uma missão fundamental para
o futuro do País, a Formulação
da Estratégia Nacional de Defesa.
Contar com um plano estratégico de defesa,
que considera os mais variados cenários futuros,
é uma obrigação de todo país
que tem responsabilidade com o seu próprio
desenvolvimento e com sua inserção
soberana no cenário internacional.
Um dos principais desafios para a elaboração
dessa estratégia será, justamente,
o de aliar o desenvolvimento de nossas Forças
Armadas ao desenvolvimento econômico e tecnológico
do nosso País.
A defesa é uma área que, ao mesmo
tempo, demanda e produz inovações
tecnológicas nas mais diversas áreas
do conhecimento técnico. O próprio
parque industrial brasileiro é uma prova
disso.
Ainda na década de 40, o Brasil foi capaz
de criar a Fábrica Nacional de Motores, que
produziu propulsores para aviões da FAB.
Após o fim da Segunda Guerra Mundial, ela
se transformou em nossa primeira fábrica
de caminhões. E se hoje contamos com uma
Embraer e com tecnologia aeroespacial como um todo,
isso se deve também ao conhecimento e às
encomendas de nossas Forças Armadas.
Estou certo de que a reativação do
nosso parque industrial militar e o incentivo aos
nossos centros de pesquisa do setor, assim como
a formação de profissionais cada vez
mais e melhor qualificados, será parte central
dessa estratégia de defesa.
Quero sobretudo desejar a você, Nelson Jobim,
ao Mangabeira, aos comandantes das Forças
Armadas e aos outros militares que vão trabalhar
na construção desse plano, que vocês
terão até o próximo 7 de Setembro
do ano que vem para definir um projeto que leve
em conta, não apenas recuperar o poder das
nossas Forças Armadas, mas também
recuperar parte do conhecimento tecnológico
que nós já tivemos.
Eu, por acaso, fui ver a Marinha lançar no
mar o nosso navio, o submarino Ticuna. E por vontade
de conhecer, eu fui a Aramar visitar o nosso projeto
de enriquecimento de urânio, onde nós
esperamos um dia construir o nosso submarino nuclear.
De vez em quando, quando discutimos no governo a
questão da recuperação das
Forças Armadas brasileiras, a questão
da defesa, sempre aparecem pessoas dizendo que o
gasto será muito grande.
Esse é um vício do Brasil. Você
não pode cuidar dos pobres porque gasta muito,
você não pode cuidar de tal coisa porque
gasta muito, você não pode cuidar das
Forças Armadas.
Todos nós estamos assistindo, ao longo de
várias décadas, as Forças Armadas
perdendo o seu potencial. Empresas que foram extraordinariamente
produtivas, de vasto conhecimento tecnológico
quebrando, falindo. É preciso recuperar isso.
Toda vez que alguém perguntar para algum
general, para algum oficial: “mas não
vai gastar muito?” Nós temos que perguntar
quanto custou a gente deixar chegar ao ponto que
chegou. Quanto o Brasil perdeu por nós termos
interrompido várias coisas que nós
já fazíamos e já produzíamos
no Brasil?
Nós já fizemos, desde o dia 22 de
janeiro, ministro Nelson Jobim, o PAC do Desenvolvimento
e da Aceleração do Crescimento, já
apresentamos o PAC para Política Social,
já apresentamos o PAC para a Educação,
já apresentamos o PAC para a Segurança
Pública, e ontem apresentamos um programa
para atender 4,2 milhões jovens deste País
que abandonaram a escola. Tudo isso custa dinheiro
mas, se nós não fizéssemos,
no ano que vem custaria muito mais caro começar
porque seria maior o número de jovens abandonados
neste País.
Eu acho que agora está na hora de construir
o PAC das nossas Forças Armadas e o PAC da
nossa Defesa. Eu acho que está na hora de
a gente colocar a nossa inteligência, militar
e civil, para pensar o que nós queremos ser
enquanto Forças Armadas, enquanto nação
soberana nos próximos 10 ou 15 anos.
Quando eu convidei o Mangabeira para trabalhar,
eu disse ao Mangabeira: Mangabeira, se no final
do seu trabalho a gente tiver um desenho extraordinário
do que nós queremos para o Brasil, em 2022,
quando completarmos 200 anos de independência,
eu acho que o Brasil pode finalmente acreditar que
o século XXI será o século
em que o Brasil se transformará numa potência
mundial.
Agora, essa potência só será
alcançada se nós não formos
subordinados, se nós formos ousados, se nós
acreditarmos em nós mesmos. Depois de ver
a centrífuga que eu vi em Aramar, depois
de ver que é a melhor do mundo, depois de
ver a Petrobras lançar ontem uma plataforma
no mar, também, a primeira centrífuga
lançada no mundo, que eu não acreditava
que pudesse existir, eu fico imaginando o que pode
atrapalhar o nosso País. Apenas a nossa omissão
e apenas a nossa submissão. De cabeça
erguida, acreditando neste País, nós
poderemos construir um país que, certamente,
todo mundo já sonhou, mas que pouca gente
teve coragem de fazer. Vamos começar enquanto
é tempo.
Boa sorte, Mangabeira. Boa sorte, Jobim, e boa sorte
às nossas Forças Armada
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