Ministro da Defesa fala à Defesa@Net
Entrevista
com o Sr Ministro da Defesa Nelson Jobim no dia 09 Maio,
durante a Festa da Cavalaria, Parque Histórico
Marechal Osório(RS) .
Defesa@Net
- O Senhor está completando dois anos à
frente do Ministério da Defesa (assumiu 25 de
julho de 2007). Que avaliação desse período
o Senhor pode nos fazer?
Min Jobim - Primeiro, a questão
aérea, que já foi controlada. Tem uma
série de mudanças a serem estabelecidas
na aviação. Principalmente a criação
e regulamentação de uma aviação
regional no Brasil. Eu demonstrei ao Presidente que
aviação aérea no Brasil é
toda ela, digamos, de “caranguejo”, pois
ela toda no litoral não passou do Tratado de
Tordesilhas.
Não temos vôos horizontais . Você
sai de uma capital do Nordeste para ir a outra no Nordeste
e tem de passar por Brasília. E estes casos todos
nos levaram a criar a opção de uma política
de aviação diferenciada para aquilo que
chamamos de aviação regional.
Na verdade não seria aviação regional,
mas linhas de baixa e média densidade. E teremos
que ter a participação do Estado através
de incentivos e também de regras regulatórias
diferenciadas. Isto já está definido e
em um mês apresentamos o projeto.
Quanto às Forças Armadas, apresentamos
a Estratégia Nacional de Defesa na quinta-feira
passada no Clube Militar onde reuniram-se os sócios
dos Clubes Militares da Marinha, da Aeronáutica
e do Exército. Mostramos assim a consolidação
da transição democrática. E isso
significa uma nova postura do Ministério da Defesa.
Assim, criamos dentro do MD uma estrutura que chamamos
de Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas para
termos a ação conjunta dessas Forças
junto ao Presidente da República, bem como todo
o critério de vetores de desenvolvimento: o espacial,
o nuclear e o cibernético.
Defesa@Net
- Ministro voltando aos seus dois anos uma série
de projetos estão em curso: o helicóptero
EC725, o submarino, Projeto F-X2, o KC-390 e agora,
o veículo blindado do Exército. Em meio
às incertezas da área econômica
como o Senhor vê a perenidade destes projetos?
Min Jobim - A existência de crise
pode “elastecer,” mas não paralisar
o projeto. O que foi fixado pela Estratégia Nacional
de Defesa é que teremos uma legislação
que assegura a manutenção dos projetos.
Este é o ponto fundamental, a questão
da defesa politicamente não era vista como uma
questão nacional e sim setorial, que interessava
exclusivamente aos militares não tinha comprometimento
da sociedade.
Logo, não tendo comprometimento da sociedade
não havia comprometimento orçamentário
algum. E esta é exatamente a inversão
que estamos fazendo para ter uma política fixada
pelo poder civil. Serão programas militares,
mas com apoio da sociedade civil. Daí a ligação
que estamos fazendo dentro da Estratégia Nacional
de Defesa entre as forças armadas com o desenvolvimento
da indústria nacional de defesa.
Completando que no KC-390 estamos investindo 53 milhões
e nos aeroportos 50 milhões este ano.
Defesa@Net
- O senhor vê apoio dentro do governo e na área
política?
Min Jobim - Ah, sim não tem
dúvida. Nós conseguimos formar um frente
parlamentar muito forte e conseguimos despartidarizar
a questão. O assunto não é partidário,
não é um debate entre A e B. Não
é uma questão de governo mas uma questão
de Estado.
Defesa@Net
- Quais os próximos passos da área de
defesa nestes ainda 18 meses na sua gestão?
Min Jobim - Vamos prosseguir nos desenvolvimentos
dos projetos dos submarinos. Para atingirmos o submarino
com propulsão nuclear levará uns 20 anos
pelo menos. Vamos iniciar a produção dos
helicópteros, ainda neste ano, espero. Os contratos
já foram firmados mas a efetividade será
quando o presidente Sarkozy visitar o Brasil para a
comemoração do 7 de setembro.
Temos de desenvolver este novo veículo blindado
que está sendo projetado pela IVECO e sendo construído
em Sete Lagoas (MG). E há um projeto novo que
estamos implementando que é a Amazônia
Protegida ou seja o aumento da presença militar
na Amazônia. Além disso, estamos desenvolvendo
paralelamente o programa VANT (Veículo Aéreo
não-Tripulado).
Defesa@Net
- E quanto à VBTP-MR já estão solucionadas
as questões referentes à este projeto
como um Programa de Aquisição?
Min Jobim - Ainda não. Isto
estaremos discutindo nesses próximos 15 dias,
quando do retorno do Presidente da República,
que viajará a Arábia Saudita, a Turquia
e a China. Nesse período converso com o Ministro
do Planejamento mas já há numa linha de
desenvolvimento para o projeto do blindado.
Defesa@Net
- Há uma série de aproximações
militares com a China. Como o Senhor vê essa aproximações
com a China no âmbito do Ministério da
Defesa?
Min Jobim - A aproximação
com a China está mais voltada para a Marinha.
Eles (os chineses) querem que a Marinha do Brasil seja
o elemento de ligação para a criação
da Marinha Chinesa. A China não tem uma marinha.
Inclusive nós vamos trazer oficiais chineses
para cá. Eles farão estágio. Lógico
que terão de aprender português.
Eles farão estágio no porta-aviões
São Paulo. Os chineses já estão
adquirindo porta-aviões para projeção
de poder na região, que é uma situação
completamente diferente da nossa. Estou indo à
China entre setembro ou outubro.
Nota
DEFESA@NET - No dia 23, o Alte Esq Moura Neto
foi convidado a representar todas as Marinhas
participantes e fazer, em nome de todos, um discurso
em agradecimento ao Presidente da China, Hu Jintao
pelas comemorações dos 60 anos da
Marinha do PLA. Link |
Defesa@Net - Quando da visita do vice-presidente
da Comissão Central Militar da China, General
Xu Caihou foi informado que o Senhor iria à China...
Min Jobim - O Presidente irá
agora a China, mas não vou acompanhá-lo.
Irei em setembro ou outubro a China, a Índia
e a Coréia do Sul, onde temos grande interesses
de partidas estratégicas. Isto é fundamental
para mostrar nossa autonomia. Não dá para
ficarmos dependentes de uma linha que tínhamos
somente.
| Nota
DEFESA@NET - O Presidente Luiz Inácio visitará
a Arábia Saudita (16-17 Maio), China (18-20
Maio) e Turquia (20-23 Maio) |
Defesa@Net - Há expectativa de alguma cooperação
industrial entre os dois países(Brasil e China)?
Min Jobim - Isto poderá ocorrer
a partir destes entendimentos entre os dois países.
Hoje a China está muito forte na África,
por exemplo. Irei a África dentro de poucos dias
para encontro dos Ministros de Defesa de Língua
Portuguesa. Vou a República do Congo e a Angola
e a Namíbia. E não vou só a Angola,
irei também a Argélia onde há um
entendimento industrial importante. A Namíbia
foi a área onde mais houve troca de relações
com a Marinha do Brasil. Nós montamos a marinha
da Namíbia. Inclusive, vamos incorporar à
marinha da Namíbia um navio de patrulha costeira
produzido pelo estaleiro INACE do Ceará.
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