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Governo
apressa megaprojeto de satélites
Um
projeto estatal maior que o Sistema de Vigilância
da Amazônica (Sivam) - podendo custar ao País
mais de US$ 1,5 bilhão - está em marcha acelerada.
Os maiores fornecedores mundiais de tecnologia, equipamentos
e sistemas de satélites geoestacionários receberam
recentemente do governo brasileiro um documento 34 páginas,
formalizando o pedido formal de informações
(Request for Information, RFI) sobre o projeto do Satélite
Geoestacionário Brasileiro (SGB). Com base no documento,
a que o Estado teve acesso com exclusividade, conclui-se
que o governo quer tornar irreversível o processo
de implantação do projeto até 2006.
Embora o País já conte potencialmente com
mais de 50 satélites geoestacionários autorizados
a operar em seu território, o governo brasileiro,
por intermédio do Comando da Aeronáutica,
defende a necessidade de levar avante o megaprojeto que
prevê o lançamento de três satélites
- sendo o primeiro deles em 2009.
O
documento distribuído aos potenciais fornecedores
internacionais solicita informações e comentários
que permitam o aprimoramento do projeto do SGB - denominado
também Sistema de Satélites de Múltiplas
Missões. Esses satélites darão apoio
a vários setores governamentais em áreas e
aplicações como gerenciamento de tráfego
aéreo, meteorologia, aplicações estratégicas
nacionais, defesa, segurança nacional e vigilância
da Amazônia.
Além
desses objetivos, o projeto prevê a construção
de centros e redes com outros objetivos, como: centro de
controle de tráfego aéreo, rede de sistema
de navegação via satélite (GPS), rede
terrestre de circuitos de comunicações, redes
terrestres e terminais móveis para cada aplicação
e, finalmente, a construção de infra-estrutura,
incluindo telefonia, energia e ar condicionado.
Três
satélites
No
projeto inicial, era previsto o lançamento de dois
satélites geoestacionários, com custo orçado
em US$ 637 milhões apenas no segmento espacial. Esse
investimento deveria ser ressarcido em cerca de cinco anos,
com base na suposta economia no pagamento dos serviços
telefônicos e outros serviços de telecomunicações
pela União.
Na
fase atual, o projeto prevê o lançamento de
três satélites, elevando o investimento no
segmento espacial - incluindo satélites e foguetes
lançadores -, que poderá chegar próximo
de US$ 1 bilhão. A esse montante, deve ser adicionado
o investimento na infra-estrutura terrestre, que envolve
centros de controle e estações terrestres,
elevando o custo total do projeto a mais de US$ 1,5 bilhão.
Segundo
especialistas que trabalham no projeto, o satélite
geoestacionário atenderá às necessidades
dos serviços de trafego aéreo, "com base
em acordos internacionais e aplicações tecnológicas
existentes" - além de ser utilizado em comunicações
para fins de segurança nacional e defesa civil, entre
outras. O satélite poderá operar em conjunto
com dispositivos como sensores meteorológicos.
Os
dois primeiros satélites deverão dispor de
bandas de freqüência C (largamente utilizadas
para TV e telefonia), banda L (comunicação
móvel) e banda X (comunicações militares).
O terceiro satélite deverá contar com transponderes
em banda Ku (para altas freqüências, de 14 e
12 GHz), competindo diretamente com os satélites
comerciais privados, além de sistemas produtores
de imagens meteorológicas de redundância do
satélite americano GOES.
Nos
estudos de viabilidade econômica, foram considerados
praticamente todos os gastos com telefonia e outras formas
de telecomunicações das repartições
públicas federais, Forças Armadas, de empresas
estatais, governos estaduais e municipais. Esses serviços,
hoje providos por empresas privadas de telecomunicações,
deverão ser atendidos pelo SGB, em áreas como
as de comunicações aeronáuticas, coleta
e difusão de informações meteorológicas,
comunicações militares e de segurança
nacional.
O
programa SGB faz parte do Programa Nacional de Atividades
Espaciais, aprovado pela Agência Espacial Brasileira
(AEB). A Atech Tecnologias Críticas - integrada por
militares reformados - foi a empresa responsável
pelo projeto de viabilidade do SGB, conforme contrato com
a Aeronáutica. Seu presidente é Tarcísio
Takashi Muta. A Atech trabalha agora na especificação,
em parceria com a Fundação Casimiro Montenegro,
Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações
(CPqD) e o Centro Técnico Aeroespacial (CTA).
Intercâmbio
Além
da prestação de serviços para a área
estatal, os autores do projeto apresentam as vantagens e
objetivos que, em sua opinião, justificariam o investimento.
Essas vantagens se resumem ao desenvolvimento de competência
brasileira em pelo menos três áreas estratégicas:
tecnologia espacial, telecomunicações e meteorologia.
Um
dos pontos de apoio tecnológico é a experiência
da Atech, cuja competência não é posta
em dúvida por ninguém nas áreas especializadas.
A empresa, com 500 funcionários, é responsável
pelo desenvolvimento de sistemas que controlam 90% do espaço
aéreo brasileiro.
Por
seu trabalho em projetos estratégicos como o do Sivam,
a Atech deverá ter papel relevante na absorção
de tecnologia, tanto na área de satélites,
de infra-estrutura de comunicações terrestres
e foguetes lançadores. Nesse intercâmbio com
os fornecedores e organismos internacionais, argumentam
os defensores do projeto, "o Brasil deverá absorver
conhecimento e competência em projetos de telecomunicações
espaciais", beneficiando instituições
como o CTA, a Base de Lançamentos de Alcântara,
o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a própria
Atech.
É
claro que os maiores argumentos em favor do SGB dizem respeito
à soberania do Brasil e a questões estratégicas
e de segurança, já que, na visão dos
líderes do projeto, "o País precisa reduzir
seu grau de dependência de tecnologias importadas,
em especial numa era em que a tecnologia da informação
e do conhecimento desempenha papel crucial e decisivo".
As informações são de O Estado de S.Paulo.
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