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Recomendamos a leitura do discurso ao novos oficiais-generais
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Resolvi ter uma conversa um pouco mais cordial, mais amiga e mais de coração do que da razão

 

 

 


 

 

 

 

 

 

“Presidente, o senhor pode ter orgulho porque o BNDES está fazendo a integração que a espada de Simon Bolívar não conseguiu fazer”.

 

Ouço sistematicamente, de presidentes da República, ouço sistematicamente, de ministros da Defesa desses países, a necessidade que eles têm de ter uma integração com as nossas Forças Armadas.

 

 

 

 

 

 

 

 

O Brasil, agora, está pronto para dar o próximo salto de qualidade. Volto a repetir, se o governo não for pequeno e não permitir que as eleições de 2006 façam com que nós cometamos os erros que já foram cometidos em tantos momentos históricos do nosso país em que nós deixamos as oportunidades caírem e ficamos com o prejuízo depois.

 

 

 

 

 

 

 

Eu quero que as Forças Armadas estejam preparadas, que nunca precisemos delas para uma guerra com o inimigo externo, mas que também saibam o que nós temos que fazer, se precisarmos fazer.

 

..porque eu não acredito que um brasileiro sinta orgulho, ao aparecer um comandante nosso na televisão para dizer que 60% dos navios estão deteriorados, ou aparecer alguém dizendo que metade dos aviões estão “avariados”, ou dizer que os nossos tanques não têm mais manutenção, que o nosso Jeep não funciona ou, mais grave ainda, dizer que não pode contratar 100 mil recrutas porque não tem dinheiro para alimentar essa meninada

Ministério da Defesa

Defesanet 15 Dezembro 2005
Planalto 15 Dezembro 2005

Discurso do presidente da República,
Luiz Inácio Lula da Silva, no almoço com oficiais generais

Brasília-DF, 15 de dezembro de 2005



Meu caro José Alencar, vice-presidente da República e ministro da Defesa,
Meu caro General-de-Exército Jorge Armando Félix, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional,
Almirante-de-Esquadra Roberto de Guimarães Carvalho, comandante da Marinha,
General-de-Exército Francisco Roberto de Albuquerque, comandante do Exército,
Tenente-Brigadeiro-do-Ar Luiz Carlos da Silva Bueno, comandante da Aeronáutica,
Senhores oficiais generais,
Meus amigos e minhas amigas,
Integrantes das Forças Armadas,
Companheiros e companheiras,


Eu não vou ler o discurso.

Hoje, neste almoço, já estamos comemorando o terceiro ano consecutivo em que aqui almoçamos e fazemos discursos: o Presidente da República e, anualmente, um general, representando as Forças Armadas. A novidade foi o José Alencar falar aqui.

Resolvi ter uma conversa um pouco mais cordial, mais amiga e mais de coração do que da razão porque nos discursos por escrito, normalmente, a gente repete as coisas que vocês, nos estados em que estão trabalhando, nas cidades em que estão trabalhando, já leram em algum momento. Eu acabei de fazer um discurso para os novos oficiais generais, faz, acho, uma semana. E ali eu já retratava a importância das Forças Armadas e o papel social das Forças Armadas no nosso país.

Eu queria dizer para vocês que o Brasil está vivendo um momento, eu diria, extremamente importante e um momento decisivo para o futuro do país que nós queremos construir. O Brasil está vivendo um momento de democracia elevada às suas últimas conseqüências.

Nesses três anos de governo, em nenhum momento, nem o Presidente da República, nem o Vice-Presidente da República, não fizemos qualquer intervenção em qualquer debate que pudesse cercear o debate político nacional.

Nesses seis meses, estamos enfrentando uma saraivada de críticas, de acusações e de infâmias, e nós discutimos sempre que o papel nosso não é dizer se quem está acusando está errado ou está certo, mas nós achamos que tudo que for levantado, de acusação, que seja apurado. E a apuração é o maior atestado de idoneidade que uma pessoa séria e honesta deseja que aconteça na sua vida. Não tem nada pior do que você tentar evitar a apuração, não tem nada pior do que você tentar criar problemas para que as instituições funcionem corretamente bem. Se alguns imaginaram que o Presidente da República iria tomar atitudes que pudessem cercear qualquer investigação, para se fazerem de vítimas, não haverá vítima por falta de investigação. Que se investigue tudo, porque eu acho que o Brasil está precisando disso. Aquilo que for verdade vai aparecer como verdade, aquilo que for mentira, vai aparecer como mentira, e um belo dia o povo brasileiro saberá fazer juízo de valor.

Eu poderia dizer que é uma infâmia o que fizeram com o nosso Vice-Presidente da República esta semana. É mais do que uma infâmia, é tentar passar para a sociedade a idéia de que ele não é o que ele é. Eu fiz questão de dizer para a televisão: a Coteminas, como qualquer empresa brasileira, tem direitos de ter acesso aos créditos que todas as empresas têm, nas mesmas bases que todas as empresas têm, sem que isso signifique um único favor, mas signifique direitos, direitos em legislação aprovada pelo Congresso Nacional, direito em normatização feita pelo BNDES, direito em normatização feita pelo Ministério da Fazenda.

Portanto, a idéia de tentar passar que o José Alencar, a empresa dele é favorecida é, no mínimo, uma infâmia. O homem que construiu a história que o José Alencar construiu merecia, mesmo daqueles que se consideram inimigos dele, respeito, porque o Brasil não produz pessoas dessa magnitude todo ano, todo século ou toda década.

É importante que a gente tenha clareza das coisas que acontecem no país para que a gente não misture tudo num único balaio e depois colha, como resultado, coisas negativas para o nosso país. Quero aproveitar, José, para dizer que eu fiquei indignado. Quando a ofensa é pessoal, elas ofendem menos, muito menos do que quando ofendem um companheiro.

Bem, estou dizendo isso para situar vocês em função do momento político que estamos vivendo. Eu dizia, no começo, que o Brasil vive um momento de muita, mas de muita possibilidade futura, como há muito tempo nós não vivíamos. A integração da América do Sul hoje, é um fato consolidado. Eu penso que nenhum oficial-general neste país tem dúvida de que a integração na América do Sul está se dando de uma forma tão extraordinária que a palavra hegemonia saiu do nosso dicionário. Nós queremos construir uma integração na América do Sul além da retórica secularmente feita desde José Matín a Bolívar e a tantos, outros para coisas práticas e coisas reais.

Dizia uma senhora do BNDES, do Ministério da Indústria e Comércio, outro dia, para mim: “Presidente, o senhor pode ter orgulho porque o BNDES está fazendo a integração que a espada de Simon Bolívar não conseguiu fazer”. E por quê? Porque terminaremos este ano com pelo menos um projeto de infra-estrutura financiado pelo BNDES ou pelo Proex, exportando engenharia brasileira, exportando conhecimento brasileiro, exportando produção de máquinas, equipamentos e peças brasileiras, criando a integração, como por exemplo, a segunda ponte sob o rio Paraná, a Interoceânica, e a primeira pontezinha, em que só passa um carro de cada vez, entre Brasiléia e Bolívia.

Estamos fazendo isso porque acreditamos que o Brasil tem dimensão geográfica, tem qualidade pessoal, tem capacidade econômica de ter uma relação muito mais forjada na parceria do que na hegemonia, seja tecnológica, militar ou econômica. E posso dizer aos senhores que sou testemunha do carinho e do respeito que os países da América do Sul têm para com as nossas Forças Armadas.

Ouço sistematicamente, de presidentes da República, ouço sistematicamente, de ministros da Defesa desses países, a necessidade que eles têm de ter uma integração com as nossas Forças Armadas. Ainda ontem eu dizia ao Albuquerque, dizia ao Bueno, que estive na Colômbia e todo mundo sabe a situação da Colômbia. Finalmente, ontem, a ALN foi negociar com os colombianos e pedir a mediação de Cuba e Suíça, França e Holanda mandaram uma proposta de diálogo com as Farc. Uribe aceitou a proposta. As FARC até ontem à noite não tinham dado a resposta, mas o presidente Uribe disse, no discurso dele, que era imprescindível que os nossos comandantes se reunissem com os comandantes deles para que a gente estabelecesse um aprimoramento da nossa estratégia de controle das nossas fronteiras.

Mais do que isso, nós estamos vivendo um momento em que o Brasil pode, se tiver juízo, se não permitir que a eleição de 2006 permeie as decisões de governo, nós podemos estar consolidando um novo ciclo de crescimento neste país, que seja um ciclo duradouro, que seja um ciclo de 10 anos, de 15 anos ou mais.

Vocês viram pela imprensa ontem que o governo brasileiro tomou a decisão de devolver ao FMI, 14 bilhões de dólares que tinham sido disponibilizados para o Brasil, no governo anterior, para que a gente pudesse resolver o nosso problema de déficit comercial e o nosso problema do pagamento da nossa balança.

No ano passado, possivelmente sem fazer o barulho que era necessário fazer para que houvesse destaque neste país, nós tomamos uma decisão de não renovarmos o acordo com o FMI. Parecia improvável, parecia impossível que o Brasil, em tão pouco tempo, pudesse tomar uma decisão de não querer repetir o acordo com o FMI. E o que foi sui generis nisso? É que o FMI queria que o Brasil continuasse com o acordo, porque era simbolicamente importante dizer ao mundo que o Brasil mantinha um acordo com o FMI. Não fizemos nenhum barulho, rompemos o acordo com o FMI porque não precisávamos mais do FMI. E esta semana tomamos a decisão de devolver um dinheiro em que estávamos pagando juros, que custava mais caro para nós do que o juro que a gente recebia dos nossos depósitos, das nossas reservas no exterior. E devolvemos para dizer ao mundo, para dizer ao mercado: este país tem governo, este país é dono do seu nariz e nós queremos errar e acertar, mas pela nossa própria cabeça, pela nossa consciência, pelas nossas tomadas de posição.

O Brasil, hoje, está consolidado com as suas reservas internacionais, o Brasil está numa situação privilegiada de reservas, portanto, temos como financiar as nossas importações sem precisar de nenhum aporte do Fundo Monetário ou de qualquer outro organismo internacional. E por que isso é importante? Isso é importante porque nós precisamos transformar o ano que vem no ano do crescimento econômico neste país. E a combinação mais perfeita de crescimento econômico com crescimento de distribuição de renda e melhoria da qualidade de vida das pessoas é aquilo que está faltando ao Brasil há muito tempo. Porque, muitas vezes, quando nos queixamos, nós esquecemos ou não queremos nos lembrar que o nosso país vem de 20 anos de estagnação completa ou de crescimento abaixo da mediocridade.

O Brasil, agora, está pronto para dar o próximo salto de qualidade. Volto a repetir, se o governo não for pequeno e não permitir que as eleições de 2006 façam com que nós cometamos os erros que já foram cometidos em tantos momentos históricos do nosso país em que nós deixamos as oportunidades caírem e ficamos com o prejuízo depois.

Estou dizendo isso porque esta semana eu fiz uma reunião com o Guimarães, com o Bueno e com o Albuquerque, estou dizendo isso para chegar e dizer para vocês que citar e ficar falando dos problemas das Forças Armadas, para quem chegou ao posto que vocês chegaram, depois de 30 anos, 35 anos, 40 anos, 45 anos de serviço prestado, eu não preciso repetir o que vocês já sabem. Mas disse aos três, e com o José Alencar presente, vou dizer para vocês: nós temos que tomar uma decisão, num curto prazo, eu digo “curto prazo” porque o meu mandato termina no dia 31 de dezembro, de que é preciso priorizar a recuperação das Forças Armadas brasileiras.

Possivelmente, não tenhamos mais no Brasil situações em que as pessoas achavam que cada centavo colocado nas Forças Armadas não era necessário, que era melhor gastar em outra coisa. E eu digo sempre, tem três hipóteses de um país ser respeitado no mundo: ou ele tem Forças Armadas altamente capacitadas, formadas, do ponto de vista tecnológico, cultural e científico. Tem que ter Forças Armadas preparadas e, de preferência, tem que ter Forças Armadas que possam produzir grande parte dos seus equipamentos e não é orgulho nem dos generais e nem do mais humilde brasileiro deste país, que uma empresa como a Imbel esteja na situação que está nesses últimos 20 anos, não permitindo que a gente possa sequer fazer a manutenção das coisas que nós um dia já construímos.

Então, eu penso que nós vamos tomar uma decisão de que é preciso dar às Forças Armadas, não o que ela precisa, mas o que o Brasil precisa que ela tenha para ter soberania e fazer a segurança deste país. Nós todos esperamos que nunca tenhamos um inimigo externo e, se Deus quiser, as Forças Armadas nunca mais vão se preocupar com os inimigos internos, mas a gente tem que estar preparado porque eu digo sempre: policial só tem valor quando aparece o bandido. Policial e Deus são os dois nomes mais agraciados quando a pessoa está no perigo. Pode dizer que é ateu o ano inteiro, mas naquele dia fala: “graças a Deus, oh meu Deus”, apareceu um policial.

Eu quero que as Forças Armadas estejam preparadas, que nunca precisemos delas para uma guerra com o inimigo externo, mas que também saibam o que nós temos que fazer, se precisarmos fazer.

É por isso que nessa reunião eu disse aos três comandantes e ao ministro José Alencar que está na hora de a gente se debruçar em cima das dificuldades históricas, que não são novas, e tentar ver em que prazo, em que medida a gente pode apresentar um programa e dizer: daqui a dez anos, daqui a cinco anos, daqui a 15 anos, a gente vai ter as Forças Armadas no seu melhor padrão ou no padrão em que os 180 milhões de brasileiros precisam que tenham as Forças Armadas, porque eu não acredito que um brasileiro sinta orgulho, ao aparecer um comandante nosso na televisão para dizer que 60% dos navios estão deteriorados, ou aparecer alguém dizendo que metade dos aviões estão “avariados”, ou dizer que os nossos tanques não têm mais manutenção, que o nosso Jeep não funciona ou, mais grave ainda, dizer que não pode contratar 100 mil recrutas porque não tem dinheiro para alimentar essa meninada. Aí, já não é mais dificuldade econômica, aí é falta de definição de prioridades e, isso, nós temos que corrigir urgentemente.

Eu preferi falar de improviso porque no meu script não estavam essas coisas que eu queria falar. E quero dizer aos senhores que qualquer pessoa que passar pelo governo, sairá do governo não apenas reconhecendo, mas sairá do governo agradecida pelos serviços que as Forças Armadas prestam a este país, inclusive na área social, que era importante que muita gente soubesse, porque a crítica é muito fácil fazer, a crítica não exige conhecimento, a crítica não exige responsabilidade. O reconhecimento exige, sobretudo, humildade e eu sou testemunha que por este país afora a Marinha, a Aeronáutica e o Exército têm prestado serviços de tamanha grandeza que muitos outros órgãos do governo não conseguiram chegar lá, não conseguiram fazer.

Por isso, eu quero dizer que a minha convivência com vocês, nestes três anos, é uma convivência que me permite hoje, neste almoço, não apenas desejar Feliz Natal para vocês, para as esposas de vocês, para os filhos de vocês, mas dizer parabéns pelo grau de consciência, de responsabilidade e nacionalismo que vocês carregam dentro da consciência e dentro da alma de vocês.

Muito obrigado.


Luiz Inácio Lula da Silva

Presidente da República

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Nesses três anos de governo, em nenhum momento, nem o Presidente da República, nem o Vice-Presidente da República, não fizemos qualquer intervenção em qualquer debate que pudesse cercear o debate político nacional.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O presidente Uribe disse, no discurso dele, que era imprescindível que os nossos comandantes se reunissem com os comandantes deles para que a gente estabelecesse um aprimoramento da nossa estratégia de controle das nossas fronteiras.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E eu digo sempre, tem três hipóteses de um país ser respeitado no mundo: ou ele tem Forças Armadas altamente capacitadas, formadas, do ponto de vista tecnológico, cultural e científico. Tem que ter Forças Armadas preparadas e, de preferência, tem que ter Forças Armadas que possam produzir grande parte dos seus equipamentos e não é orgulho nem dos generais e nem do mais humilde brasileiro deste país, que uma empresa como a Imbel esteja na situação que está nesses últimos 20 anos, não permitindo que a gente possa sequer fazer a manutenção das coisas que nós um dia já construímos.

 

 

 

 

 

mas dizer parabéns pelo grau de consciência, de responsabilidade e nacionalismo que vocês carregam dentro da consciência e dentro da alma de vocês.

 
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