Crise
Militar
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Defesanet
23 Junho 2005
Clube da Aeronáutica 23 junho 2005
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Clube
da Aeronáutica
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O
PONTO LIMITE
(itálicos do autor)
Ten.-Brig.-do-Ar
Ivan Frota
Presidente do Clube de Aeronáutica
A
Nação assiste, estupefata, a um calamitoso processo
de desmoralização do Executivo e do Legislativo
que, por certo, se agravará com a instalação
de diversas CPI para investigar casos de corrupção
explícita intestina em tais componentes dos poderes da
República. Essas investigações irão
ressuscitar alguns e levantarão outros escabrosos acontecimentos
que foram jogados para baixo do tapete, a duras penas.
Nesse
triste contexto, a insatisfação das Forças
Armadas atinge um elevado patamar de intolerância, com a
expectativa frustrada de providências governamentais objetivas
no sentido do atendimento de seus direitos, uma vez que todos
os caminhos regulares já foram percorridos na tentativa
de sensibilizar as autoridades.
A
dimensão dessa indignação pode ser aferida,
não só, pelos vários posicionamentos da cúpula
militar Ministro da Defesa e Comandantes Militares,
em defesa dos pleitos de suas corporações, como
pelos fatos inusitados que surgiram no decorrer do tempo: humilhantes
movimentos, historicamente inéditos, que continuam
até hoje, de esposas de militares que têm de se expor
em vigília pública permanente; a mídia
livre e independente da Internet, que abarrota as caixas postais
dos assinantes militares e simpatizantes com freqüentes,
variadas e violentas manifestações, inclusive de
oficiais generais inativos; e movimentos de militares menos graduados,
alguns em plena atividade, que já começam a surgir,
remetendo-nos a lamentáveis episódios de outras
épocas todos inconformados com o desrespeito traduzido
pela explícita desatenção do Governo com
a Instituição Castrense.
As
características do contencioso, em que a autoridade
federal faltou com a palavra empenhada, denotaram um ato de
leviandade irresponsável ou uma flagrante desconsideração
ao destinatário do compromisso firmado. Ambas as hipóteses,
gravemente comprometedoras para os dirigentes nacionais.
Revoltados
com esse estado de coisas, surgiram também pronunciamentos
contundentes de personalidades isentas e não ligadas aos
militares intelectuais, formadores de opinião e,
mesmo, antigos militantes extremados, que hoje repudiam o radicalismo
que esposaram no passado e demonstram inconformidade com o injusto
tratamento que tem sido dado à Família Militar.
O
pretexto dos Ministérios da Fazenda e do Planejamento de
inexistência de recursos orçamentários para
garantir a complementação do modesto socorro salarial
aos militares, nunca foi novidade, nem surpresa para ninguém,
porque a LDO/2005 foi aprovada com essa omissão, sem que
tivesse havido qualquer esforço público conhecido,
do Executivo, para instituir tal provisão. É óbvio
que este foi um "jogo de cartas marcadas" que só
poderia ter motivação política revanchista.
O
que está em foco, portanto, não são somente
seus direitos salariais não atendidos, embora seja
esta uma questão crucial para a Família Militar,
mas, sim, a dignidade das próprias Forças
Armadas de TAMANDARÉ, CAXIAS e EDUARDO GOMES que, devido
à publicidade já dada ao tema, suscita sérias
dúvidas na Sociedade, quanto ao respeito que se dão
a si mesmas, ao aceitarem ser tratadas como grupo social de segunda
classe.
Nesse
ambiente governamental confuso e sem controle, onde prolifera
o odor nauseante dos desmandos e dos conchavos de corrupção,
a Nação já está dando mostras de que
não confia mais nos quadros que detêm o Poder, sendo
que a surpresa inicial já se transformou em triste desengano,
onde nem o excepcional carisma pessoal de Luiz Ignácio
Lula da Silva poderá resistir a esse fantástico
desastre político.
Assim,
o País haverá de estar alerta para adotar um comportamento
preventivo, a fim de evitar que setores desesperados com a perda
do Poder possam lançar mão de alianças espúrias
com entidades nacionais radicais, numa tentativa de conquistar
apoio das massas populares menos informadas e, assim, conseguir
recuperar força política para aplicação
em eventuais ações sociais extremadas, sob o "guarda
chuva" político da liderança e do carisma do
Presidente.
Tudo
isso soa de forma muito estranha. Quais seriam os verdadeiros
objetivos de todos esses acontecimentos? O que pretenderiam determinados
grupos de pessoas encasteladas no Governo? Levar o País
ao caos, novamente? Poderia estar em marcha um maquiavélico
plano de desestabilização institucional com vistas
à implantação de uma ditadura neocomunista,
com o apoio de movimentos sociais radicais?
E
a recente nomeação de uma ex-guerrilheira para a
chefia da Casa Civil, chamada pelo ministro que sai de
"minha camarada de armas" que significado
teria? Esperemos que seja somente figura de retórica, apesar
do histórico extremado e revolucionário da personalidade
que ocupa agora esse vital cargo.
Saibam,
entretanto, os eventuais aventureiros, de hoje e de outras épocas,
que as Forças Armadas, estarão vigilantes, do lado
da lei e da ordem, como historicamente sempre o fizeram, para,
se necessário, mais uma vez, impedir que se instale o definitivo
descontrole das instituições nacionais estratégia,
possivelmente, perseguida por irresponsáveis inocentes
úteis domésticos, bem como por alguns interesses
internacionais.
Esteja
tranqüilo o Povo brasileiro. Não serão míseros
23% de salário que desviarão os militares de sua
nobre destinação, apesar de se sentirem, neste momento,
abandonados e desconsiderados pelo Governo Federal e por seu Comandante
Supremo.
A
verdade, porém, é que estamos chegando muito próximo
do PONTO LIMITE e, este alcançado, tudo poderá acontecer.
As insanidades de alguns atingiram um perigoso nível de
ebulição, comprometendo gravemente a estabilidade
nacional.
Não
dá mais para protelar a adoção, pelo Presidente,
de um posicionamento enérgico e decidido para demonstrar
à Sociedade que, finalmente, reassumiu as rédeas
do Estado Brasileiro. Ele precisa reconhecer que aconteceram sérios
deslizes em setores públicos federais, abandonando a dúbia
posição de tentar justificá-los. Se houver
fraqueza nessa atitude, aí, sim, a pessoa do Presidente
poderá se ver, perigosamente, envolvida nesses lamentáveis
acontecimentos.
Rio
de Janeiro, 23 de junho de 2005