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Manobras arriscadas

Operação para colocar no ar aviões da Fab foi iniciada antes das 6h e
envolveu cem militares. Caças foram abastecidos no céu


Renato Alves
Da equipe do Correio



Assistir ao desfile de Sete de Setembro do céu é tão ou mais emocionante do que do chão. Uma equipe do Correio Braziliense embarcou ontem em um dos aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) para registrar os bastidores da maior operação da Aeronáutica no país, fora as ações de treinamento militar. Viu os preparativos de pilotos, pára-quedistas e engenheiros de vôo. Às 6h, eles lotavam a pista da Base Aérea de Brasília para cumprir a missão de colocar nos céus da capital, com toda segurança e pontualidade, nove helicópteros e 15 aviões dos mais modernos e velozes do país.

De dentro de um dos quatro KC-137 da FAB, a versão militar do Boeing 707, os repórteres do Correio acompanharam a mais delicada manobra realizada durante a festa da Independência do Brasil: o reabastecimento de dois caças em pleno vôo. Os espectadores em terra viram apenas uma simulação, quando o KC-137 passou sobre a Esplanada dos Ministérios, a 200 metros de altitude e 500km/h, acompanhado de dois aviões de caça – um F-5E Tiger II e um A-1, mais conhecido como AM-X. Em seguida, a aeronave maior subiu a 6 mil metros e, a 700km/h, os caças se acoplaram a mangueiras instaladas nas asas do KC-137, de onde saiu o combustível que garantiu o vôo dos dois aviões até o Rio de Janeiro, onde fica a base deles. Apesar da velocidade e da altura, tudo correu bem.

Despedida

Além dos oito tripulantes do KC-137, mais de uma centena de militares trabalhou na manhã de ontem para colocar no ar os aviões da FAB. Entre eles, os 12 “anjos da guarda” – assim são chamados na FAB – que cuidam dos 11 Tucanos da Esquadrilha da Fumaça. “São eles quem garantem nossa segurança”, ressaltou o major César Andari, um dos pilotos da Fumaça. Antes do primeiro dos dois sobrevôos do esquadrão na Esplanada, 20 pára-quedistas do Exército embarcaram em dois aviões C-95 Bandeirante da FAB, para saltar no gramado em frente à Catedral de Brasília.

Quatro caças abriram o desfile aéreo da FAB, por volta das 10h20. Foi a última apresentação dos Mirage F-103 em um Sete de Setembro. No próximo ano, eles começam a ser substituídos por Mirage 2000-C. Primeiro chegarão quatro caças supersônicos desse modelo, que é mais novo, econômico e moderno. Os F-103, por exemplo, não têm dispositivo para fazer o reabastecimento em vôo, o que limita sua autonomia. Até o fim de 2008, o Brasil terá 12 modelos 200-C, que poderão ser admirados pelos brasilienses na festa da Independência.

Candango fumaceiro

A FAB encerrou o show de ontem com a demonstração de 15 minutos da Esquadrilha da Fumaça. Os olhos de uma família brasiliense estiveram focados no avião número 6 do seleto grupo de aviadores. O motivo da atenção especial é o piloto daquele Tucano, o capitão-aviador Emerson Mariani Braga, 33 anos, o único candango entre os 11 “fumaceiros”. “Tenho muito orgulho de voar sobre a cidade que nasci”, comentou o militar após a apresentação.

Emerson Braga morou na capital do país até os 14 anos. Deixou a cidade por causa de transferência do pai, Edgardo Rodrigues Braga, um oficial da Marinha. “Não havia melhor lugar para ter vivido a minha infância do que aqui, por causa da liberdade que tínhamos sob os blocos do Plano Piloto”, ressaltou o capitão. Ele guarda boas lembranças dos amigos da Asa Sul, onde morou em apartamentos funcionais, e do Colégio Santa Rosa, em que estudou, na L2 Sul.

O pai do capitão, que esteve ontem em Brasília só para ver o filho voar, mora na Bahia. A mãe de Emerson, a engenheira mineira Josélia Mariani Braga, que trabalhou na construção da capital, morreu há três anos. Mas tios, primos e os padrinhos do piloto da Esquadrilha da Fumaça ainda moram em Brasília. “Quase não os vejo. Mas ontem (terça-feira), fiz questão de jantar com todos”, contou o capitão, casado e pai de uma menina de um ano. A família mora em, Pirassununga (SP), base da Esquadrilha da Fumaça.

Emerson, que ingressou na FAB em 1990, foi escolhido para integrar o grupo de 11 pilotos da Fumaça há dois anos. Ele tem 3,1 mil horas de vôo e participou de 110 demonstrações do esquadrão mais famoso do Brasil. (RA)

Brilhou no céu da Pátria nesse instante...

Brasília é a única cidade brasileira que assiste às estripulias da Esquadrilha da Fumaça no sete de setembro. Este ano teve surpresa. Os 11 aviões T-27 Tucano encerraram o desfile com 25 manobras diferentes e deixaram rastros das quatro cores da Bandeira Nacional. Foi a primeira vez que usaram fumaça azul.


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