Navio Será Entregue
à Namíbia
Oportunidades para a Inace no exterior
Sérgio de Sousa
Repórter
O navio de guerra
produzido pela Inace é o primeiro construído
por uma indústria privada no País
a ser exportado
A entrega do navio-patrulha
NS Brendan Simbwaye pela Indústria Naval
do Ceará (Inace) à Namíbia,
a acontecer no próximo dia 16, já
amplia as oportunidades do estaleiro cearense
no mercado internacional.
Vários
países, em especial africanos, demonstram
interesse em encomendar embarcações
ao Inace, segundo garante a superintendente da
empresa, Elisa Gradvohl.
O navio de guerra
é o primeiro construído por uma
indústria privada no País a ser
exportado. ´Os maiores países africanos
estão interessados. Na cerimônia
deste navio, virão autoridades também
de Angola. Além da África, também
terão pessoas da Guatemala [na América
Central]. Com a entrega, mais países deverão
nos procurar´, informa.
No ano passado,
o embaixador da Nigéria esteve em Fortaleza,
onde fez contato com a Inace para tratar da compra
de embarcações para seu país.
Na ocasião,
ele sinalizou que haviam grandes oportunidades
de fechar negócios.
A empresária,
entretanto, pondera: ´ainda não podemos
competir com o Primeiro Mundo´. A superintendente
espera, todavia, que, aos poucos, a Inace possa
elevar a sua competitividade.
Além do
Simbwaye, que possui 200 toneladas, o estaleiro
ainda irá entregar mais dois navios de
guerra à Marinha do Brasil. Eles terão
500 toneladas, e o primeiro tem prazo previsto
para entrega em outubro de 2009, ficando o segundo
para quatro meses após esta data. ´São
embarcações de maior potencial,
acreditamos que em algum tempo poderemos estar
competindo com os países desenvolvidos.
A Inace também
irá participar de uma nova concorrência
da Marinha para a compra de mais quatro navios
de 500 toneladas. O procedimento está marcado
para ser lançado no dia 8 do mês
que vem.
 |
Navio-patrulha Brendan Simbwaye,
construído pela Indústria Naval
do Ceará, é cópia do
“Guanabara” e “Guarujá”
da Marinha brasileira (Foto: J. Luís) |
O Brendan Simbwaye
O Simbwaye demorou
quatro anos para ser construído, ´por
opção da Namíbia´,
esclarece Gradvohl. Ela explica que, no início,
o governo iria oferecer um financiamento, que
o país africano considerou de juros altos,
e acabou demorando para tomar a sua decisão.
´O navio pode ser feito em 24 meses, só
por conta do motor, que demora, sozinho, 10 meses
para ser fabricado´, esclarece. Ainda em
2005, o Diário do Nordeste informava que
o contrato fazia parte de um acordo comercial
entre o Brasil e a Namíbia do ano anterior,
e estava orçado em US$ 24 milhões,
prevendo ainda quatro lanchas-patrulha, com construção
prevista para após a entrega do navio.
A Inace já
construiu outros dois navios irmãos ao
Simbwaye, o ´Guanabara´ e o ´Guarujá´,
entregues em 1998 e 2000, respectivamente.
Atualmente, as
embarcações se encontram em Belém.
Existem hoje 12 embarcações deste
tipo. Além dessas duas da Marinha, há
quatro fabricadas pelo Arsenal de Marinha do Rio
de Janeiro (AMRJ) e mais seis alemãs, que
criaram o modelo do navio.
Inace
A Inace está
no mercado há cerca de 40 anos, e é
a única a atuar no ramo no Estado. A indústria
emprega hoje, aproximadamente, 1.300 pessoas,
construindo navios militares, off shore e de lazer,
no caso dos iates.
Apesar de estar
focada na construção de pequenas
embarcações, o diretor-presidente
do estaleiro, Gil Bezerra, informou ao Diário,
em junho passado, que a carteira de negócios
cearense poderá alcançar a marca
de US$ 1 bilhão em um período de
quatro a cinco anos, o que representa um dos maiores
faturamentos do País no setor. Isso porque
os navios aqui produzidos tem alto custo.

Arte do Navio-atrulha NS "BRENDAN
SIMBWAYE".
Fonte EMGEPRON