O deputado federal
Raimundo Gomes de Matos (PSDB), da Comissão
de Orçamento da Câmara Federal, afirma
que a atual condição da frota da
Marinha do Brasil é pior do que a da "Argentina
na época da Guerra das Malvinas".
Uma das preocupações do parlamentar
está no prejuízo ao trabalho social
prestado pela instituição militar
na Amazônia. (CR, DT e TC)
O POVO - Quem foi convocado para a reunião
realizada com o comandante-geral da Marinha?
Raimundo Gomes de Matos - Foram 20 deputados
líderes de partidos na Câmara. Alguns
parlamentares da Comissão de Orçamento
têm um certo conhecimento da estrutura da
defesa do País. Nós ficamos preocupados
com a situação. Em termos de forças
armadas, a Aeronáutica e o Exército,
além da Marinha, também passam por
um momento difícil. É claro que
nós estamos em um momento de paz, de tranqüilidade,
mas jamais poderemos deixar de manter nossas estruturas.
E isso gera uma vulnerabilidade muito grande quando
não vemos essas reposições
sendo feitas, além da questão do
treinamento, que é de fundamental importância.
A Comissão de Orçamento tem a prerrogativa
de alocar recursos. Então, a nossa preocupação
é com relação ao não
descontigenciamento. E o mais grave também
é que nem os recursos (royalties) da Lei
do Petróleo estão sendo repassados.
OP - Qual
o impacto das informações sobre
o sucateamento da Marinha no parlamento?
Raimundo Gomes - Estamos piores do que
a Argentina naquela época das Malvinas.
A maior parte da frota naval está funcionando
com "restrições". A preocupação
do comandante-geral da Marinha (almirante-de-esquadra
Júlio Soares) é com relação
à frota. Eles que estão no mar,
por exemplo, correm riscos. A insubordinação
da tropa, quando ele coloca, é a tropa
não querer operar em um aparelho que não
está em sua plenitude. Há a preocupação
de chegar esse momento.
OP - Como
os parlamentares intermediar?
Raimundo Gomes - Ficou acertado que em
novembro, quando a proposta orçamentária
chegar, nós vamos buscar as emendas de
comissões e individuais que possam fazer
essa suplementação. Mas a gente
observa que, no orçamento passado, mesmo
com as emendas suplementadas, nem essas foram
pagas. Quando ocorrer a aprovação
do orçamento vamos convocar os ministros
da Defesa, Fazenda e Planejamento para uma audiência
em conjunto.
OP - Mas
antes de novembro, haverá reunião
com o Ministro da Defesa?
Raimundo Gomes - Está previsto
para outubro uma audiência com Planejamento
e Fazenda (ministérios) O Governo, sem
reais motivos, não executa o orçamento
como previsto. Aí quando chega em outubro,
novembro e dezembro, descontigencia o dinheiro.
OP - Então
hoje não se sabe ao certo quanto vai entrar
para a Marinha?
Raimundo Gomes - Não. Não
se sabe mesmo. A gente observa que determinados
ministérios sobem a execução
orçamentária em outubro, novembro
e dezembro. As ações ficam sendo
executadas sem a real necessidade daquele momento.
Até porque, se você não investir,
no próximo orçamento ele é
diminuído.
OP - Deputado,
quando o almirante propôs reunião
não houve uma quebra de hierarquia?
Raimundo Gomes - Quando ele fez o convite,
ele disse que já tinha mantido contado
com o próprio ministro da Defesa. O próprio
presidente (Lula) é conhecedor da situação.
OP - O
almirante falou sobre as necessidades de combate
ao narcotráfico?
Raimundo Gomes - É claro que quando
se fala em defesa se pensa num âmbito geral.
Mas eu vejo mais pelo ângulo social. Quem
já foi à Amazônia sabe o quanto
as forças armadas representam naquela região
para a sobrevivência humana. O trabalho
da saúde, na área educacional, é
feito por elas. E em outras áreas também.
No caso do Exército, logo após a
queda do avião da Gol (em 2006), eles ficaram
de passar um relatório. Aqui mesmo, na
10ª Região Militar, a gente observa
a necessidade de melhorar a estrutura física.
Ter um contingente maior, com parcerias com o
Ministério do Trabalho, da Educação,
e fazer várias outras articulações.