Os próximos
navios de guerra que reforçarão
a fragilizada esquadra brasileira estão
sendo construídos no Ceará. São
dois navios-patrulha do modelo NPa 500T, cada
um com um canhão de 40 milímetros
na proa e duas metralhadoras de 20 milímetros
na retaguarda do convés. Poderão
navegar a 21 nós de velocidade (quase 40
km/h), considerados extremamente ágeis
para uma embarcação militar de porte
médio. Transportarão até
500 toneladas, com 50 tripulantes a bordo.
É o tipo
ideal de navio para compor a frota de um país
sem conflito bélico, com uma grande costa
freqüentada por até 500 navios comerciais/dia,
violada por traficantes e criminosos e que ganhou
notoriedade mundial pela recém-descoberta
de grandes jazidas de petróleo e gás
natural. Mas a Amazônia Azul, como é
chamada a área das águas jurisdicionais
brasileiras, está vulnerável, conforme
a própria Marinha. São 4,4 milhões
de km², igual à metade do território
nacional.
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Duzentos homens
da Inace trabalham na montagem dos dois navios-patrulha,
que têm projeto francês e devem
ir ao mar a partir de 2009 (Foto: Evilázio
Bezerra) |
Ontem, O POVO
revelou que 11 dos 25 navios militares do Brasil
estão parados e que a armada precisaria
de pelo menos R$ 2,8 bilhões em 2009 para
se manter e operar bélica e administrativamente.
Além da maioria dos helicópteros,
aviões e submarinos estarem funcionando
com "restrições". As informações
são do relatório Situação
da Marinha - Necessidades Orçamentárias,
apresentado em junho deste ano pelo comandante-geral
Júlio Soares de Moura Neto a líderes
do Congresso Nacional.
A previsão
de entrega do primeiro dos dois navios-patrulha
é só para outubro do ano que vem.
O seguinte deverá chegar à Marinha
em março de 2010. Ambos estão na
fase de montagem no estaleiro da Indústria
Naval do Ceará S/A (Inace). Foram iniciados
há um ano. "O mais adiantado já
está com 35% dessa montagem, na fase de
acabamento", confirma o gerente de produção
da empresa, o engenheiro mecânico Aurélio
Girão. Vai para testes no mar em julho
de 2009. O prazo é considerado excelente.
O projeto é
da empresa francesa Constructions Mécaniques
de Normadie (CMN), mas a Inace usa o braço
e o know-how cearenses. Em 1999, concluiu a encomenda
de outros dois navios-patrulha de 200 toneladas,
o Guanabara e o Guarujá, para a Marinha
do Brasil, que atuam no Pará. O estaleiro
cearense também termina um terceiro patrulhador
militar, também do modelo NPa 200T, porém
exportado para a Marinha da Namíbia. Será
entregue em dezembro e já está no
mar desde 30 de julho último, ancorado
para testes.
Em dois dos galpões
do estaleiro cearense, há cerca de 200
funcionários destacados somente para o
serviço dos dois navios-patrulha brasileiros.
A fase considerada mais difícil, de soldagem
de chapas de aço e delineamento do casco,
foi concluída. Um dos NPa já recebeu
a cabine. A Inace preferiu não informar
os valores da licitação, do tipo
menor preço. À época da confirmação,
chegou a ser divulgado extra-oficialmente que
alcançou R$ 80 milhões.
No dia 15 deste
mês, o Diário Oficial da União
anunciou concorrência pública para
construção de mais quatro NPa 500T,
que a Marinha deverá receber entre 2011
e 2013. Em nota oficial, o Comando da Marinha
confirma que a principal demanda dos novos navios
será a proteção das novas
áreas onde foram anunciados os campos de
petróleo Júpiter e Tupi - com reserva
de 8 bilhões de barris. A nova riqueza
nacional está na cobiçada área
de pré-sal, no fundo do mar, muito abaixo
do subsolo (a 6 km de profundidade) e distante
até 350 milhas náuticas (equivalente
a 648 km) do continente.