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MARINHA
DO BRASIL
ESTADO-MAIOR DA ARMADA
ORDEM
DO DIA Nº 5/2005
Assunto: Mostra de Armamento do Submarino "TIKUNA"
A construção de um navio é um grande
empreendimento, associado a uma variedade de cerimônias.
O início da edificação do casco é
marcado pelo posicionamento do principal elemento estrutural
longitudinal, a quilha. Na antigüidade, os marinheiros,
que viam o navio como uma criatura viva, chamavam a quilha
de coração e como sempre foram supersticiosos,
cercavam sua construção de muitos cuidados especiais,
para evitar as "forças do mal". O primeiro
prego era fixado à quilha junto com uma ferradura,
para dar sorte. Daí surgiu a primeira cerimônia,
o batimento de quilha.
Reza ainda a tradição naval que, finalizada
a edificação, o navio é lançado
ao mar em uma cerimônia conhecida como "bota-fora".
Nesta ocasião, é batizado por uma madrinha e
recebe seu nome oficial, sendo esse costume marcado com a
quebra em seu costado de uma garrafa dágua ou
licor, que representa sorte à vida do navio.
O passo seguinte é o ato que realizamos hoje, a incorporação
à Marinha do Brasil, também chamado de "Mostra
de Armamento", quando, pela primeira vez, é hasteado
o Pavilhão Nacional a bordo. A partir deste momento,
sua trajetória passará a ser registrada em livro
próprio, onde serão lançados os dados
relevantes e de interesse da vida de bordo. Em tempos passados,
tais registros terminavam com a frase "Deus Nos Guie".
Assim, dentro das tradições navais e em cumprimento
à Portaria do Comandante da Marinha nº 313 de
5 de dezembro de 2005, realizamos nesta data a incorporação
do Submarino "TIKUNA" à Armada Brasileira.
O nome TIKUNA, aplicado pela primeira vez a um submarino,
homenageia a tribo de guerreiros destemidos, que formam o
povo autóctone brasileiro mais numeroso, constituída
por cerca de trinta mil integrantes, que habitam a região
do alto Solimões, oeste do Estado do Amazonas.
O Submarino "TIKUNA" é o quarto construído
no Brasil e o primeiro de sua classe, uma evolução
do projeto alemão IKL-209-1400, possuindo características
próprias e distintas dos demais da classe TUPI, uma
vez que incorporou inovações tecnológicas,
que o capacitam para operar de modo mais silencioso e para
permanecer submerso por maior período do que seus antecessores.
A incorporação que fazemos consolida a presença
do Brasil no seleto grupo de países construtores de
submarinos, uma vez que poucas nações detêm
essa tecnologia. Cumprimento com entusiasmo todo o setor do
material, seu Diretor-Geral, as Diretorias Especializadas
e, em especial, o Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, seu
Diretor, seus engenheiros e técnicos, civis e militares,
que após nove anos de intenso trabalho, concluem mais
uma grande obra e entregam à Marinha um valioso meio,
para fortalecer o Poder Naval Brasileiro.
"TIKUNA", daqui a poucos minutos, estarão
tremulando em tua popa o Pavilhão Nacional e em tua
proa a bandeira-distintivo da Marinha do Brasil, a quem caberás
defender. Rogo a proteção de Deus para que,
na paz e na guerra, consigas cumprir com êxito tuas
missões e retornes ao abrigo dos portos, íntegro,
com teus marinheiros.
Boa
Sorte, Boas Águas, Boa Patrulha e Boa Caça!
EUCLIDES
DUNCAN JANOT DE MATOS
Almirante-de-Esquadra
Chefe do Estado-Maior da Armada
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