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Marinha
do Brasil
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Defesanet
29 Maio 2005
O Dia 29 Maio 2005
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Marinha
à míngua
Alto
comando adverte para condições precárias e
admite
que 21 navios foram aposentados desde 1999
Maria
Luisa Barros
O acidente
em uma das tubulações da padaria do navio-aeródromo
São Paulo, que matou um militar e deixou 10 feridos há
duas semanas, trouxe à tona a grave crise financeira da Marinha
do Brasil. Em seis anos, 21 navios foram desativados por falta de
recursos. Nove embarcações e nove aeronaves viraram
sucata em 2003 e 2004. O número de dias da tripulação
no mar caiu pela metade. Peças de embarcações
desativadas são reaproveitadas, e faltam verbas para tocar
a obra do mais novo submarino brasileiro, o Tikuna.
A rotina de privações enfrentada pelos 50 mil praças
e oficiais da corporação foi admitida pela própria
Marinha, em comunicado oficial transmitido por fax ao DIA, após
reportagens sobre o acidente no São Paulo. O documento de
cinco páginas faz um alerta: Os contingenciamentos
de natureza orçamentária, ao longo dos últimos
anos, estão comprometendo o Poder Naval Brasileiro.
As matérias apontaram o corte nos orçamentos militares
como uma das possíveis causas da explosão no porta-aviões,
segundo especialistas consultados.
O Serviço
de Relações Públicas da Marinha confirma o
teor das reportagens, de que peças de navios aposentados
são reutilizadas. Essa prática constitui-se
em uma exceção, que vem se tornando mais freqüente
em função das restrições orçamentárias
impostas à Marinha, revela. Segundo o documento, está
prevista a retirada de 90% dos navios até 2025.
O treinamento
também foi reduzido. Homens que deveriam ir ao mar passam
maior parte do ano em terra, em simulações, por falta
de combustível. Os dias de operações em mar
aberto foram cortados à metade: de 2.161, em 2000, para 1.250,
em 2004. A Marinha, consciente das demandas socioeconômicas
do País, a partir de 2003, cortou despesas além das
suas possibilidades e, no corrente ano (2005), chegou ao limite
de retração de gastos, adverte o texto.
Praças
e oficiais pedem reajuste e o reaparelhamento da Marinha
Na batalha por
melhores condições de trabalho, praças e oficiais
estão manobrando o mesmo barco num mar de escassez. No último
ano, dois terços das verbas para reparo foram a pique. Há
três anos, o São Paulo era capaz de lançar dois
aviões ao ar num intervalo de 2,5 minutos. Em 2004, já
levava 5 minutos.
A contenção
dos gastos militares, impostas desde 1995, interfere nas operações
navais e ameaça a segurança dos militares. Há
redução na capacidade de emprego dos recursos humanos
e materiais com sérios reflexos no adestramento, diz
a nota oficial da Marinha. A corporação informou que
encaminhou, em 2003, Programa de Reaparelhamento (PRM) para análise
da Casa Civil da Presidência da República.
Corte traz
atrasos em projetos
A União
acenou com reajuste de 23% para os militares ano passado. Não
cumpriu e ainda impôs corte de R$ 850 milhões para
Exército, Marinha e Aeronáutica. O resultado são
programas praticamente parados. Na Marinha, os únicos projetos
ainda em andamento a corveta Barroso e o submarino Tikuna
sofrem com constantes adiamentos. Estes atrasos têm
como conseqüência a perda de garantia técnica
de materiais e equipamentos já comprados, instalados e armazenados,
afirma a Marinha.
A modernização de fragatas da classe Niterói,
que deveria ser concluída em 2001, só será
encerrada em dezembro. Segundo a Marinha, já foram desativados
os contratorpedeiros Paraíba, Paraná e Pernambuco;
os navios-transporte Soares Dutra e Custódio de Mello; o
navio de desembarque de carros de combate Duque de Caxias; a fragata
Dodsworth e seis helicópteros. A aposentadoria foi em
função do elevado nível de degradação
e obsolescência, por falta de recursos para manutenção
adequada, descreve o documento.
Os submarinos
da classe Tupi, apesar de iniciados em 2003, vêm sendo executados
de forma bastante lenta, sem previsão de término.
A Marinha afirma ainda que, nos últimos anos, banca praticamente
sozinha o programa nuclear e faz esforço muito
grande na tentativa de manter sua capacidade operacional.
Tripulação do São Paulo enfrentou outros acidentes
O acidente ocorrido
este mês na padaria do navio-aeródromo São Paulo
não foi o primeiro. Na nota oficial, a Marinha informou que,
antes do dia 17 de maio, foram registrados outros episódios
menos graves do que o que resultou na morte do terceiro-sargento
Anderson do Nascimento. Na ocasião, o calor de 450 derreteu
peças da padaria e descascou o compartimento.
As avarias operacionais do navio e das aeronaves embarcadas
foram de natureza leve, sem conseqüências relevantes
para o material e o pessoal e corrigidas pela tripulação
e por órgãos de apoio, em terra, esclarece.
Na nota, a Marinha
descreve como as embarcações desativadas abastecem
de peças os navios em manutenção: O São
Paulo já utilizou peças destinadas à modernização
do Minas Gerais (porta-aviões). Da mesma forma, sobressalentes
do ex-porta-aviões Clemenceau. E acrescenta: Não
há degradação no nível de segurança,
mas redução do número de aeronaves prontas.
Militares consultados
pelo DIA apontaram o desgaste de material como uma das possíveis
causas do acidente na padaria do São Paulo. Segundo a Marinha,
o local foi preservado e submetido à perícia. A seção
da tubulação por onde ocorreu o vazamento de vapor
foi retirada para exame metalográfico (estudo dos metais
do material).
AERONAVE
SH-3 SEA KING - Usada na caça de submarinos e no auxílio
aos porta-aviões. Seis delas foram desativadas.
Pernambuco
- Contratorpedeiro da classe Garcia, foi transferido para o
Brasil em 1989, proveniente dos Estados Unidos, onde começou
a operar em 1965. A embarcação, comprada da marinha
americana, foi incorporada à reserva em março de 2004,
aos 39 anos.
Soares Dutra
- O navio-transporte foi comprado pelo Governo brasileiro em 1957
dos Estados Unidos. Com idade avançada, aos 44 anos, e bastante
obsoleto, foi aposentado pela Marinha do Brasil em junho de 2001.
Na reserva, passou a servir como alvo para treinamentos.
Paraíba
- Terceiro contratorpedeiro a ser desativado pela Marinha em 2003,
aos 38 anos, ao lado do Paraná e do Pernambuco. O navio de
guerra foi trazido para o Brasil em 1989, proveniente da Esquadra
americana. Permaneceu 14 anos em águas brasileiras.
Duque de
Caxias - Navio de Guerra utilizado para desembarque de carros
de combate. Foi incorporado à Marinha americana em 1957.
Operou em águas brasileiras até ser aposentado em
2000, aos 43 anos de idade. A embarcação foi substituída
pelo navio Mattoso Maia.
Paraná
- Da mesma classe do contratorpedeiro Pernambuco, o navio foi desativado
pela Marinha do Brasil em 2003, aos 35 anos. Foi adquirido pelo
Governo brasileiro dos Estados Unidos, onde estava aposentado. Os
contratorpedeiros são navios de escolta da Marinha.
Dodsworth - A colocação da fragata na reserva
acendeu a luz amarela em ambientes ligados à defesa nacional.
A Dodsworth foi adquirida do Reino Unido nos anos 90 e tinha apenas
24 anos, dos quais sete no Brasil. Sua baixa se deu por falta de
recursos financeiros.
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