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Uma armada desarmada
Contingenciamento de verbas impede implementação
de plano de
reequipamento de US$ 7 bilhões da Marinha brasileira
Eduardo Hollanda
O plano de reequipamento já está pronto desde
o final do governo Fernando Henrique Cardoso. O valor, US$
7 bilhões, a serem gastos em 18 anos, a contar de 2002.
Mas a realidade da Marinha brasileira é bem diferente.
Com os recursos cronicamente contingenciados - até
o final do ano, já deveriam ter sido investidos cerca
de US$ 3 milhões -, nenhum dos principais pontos do
programa, que colocaria a Força Naval em condições
de realmente defender o litoral brasileiro e os 4,5 milhões
de quilômetros quadrados da Zona Econômica Exclusiva
(ZEE) e do prolongamento da Plataforma Continental (a chamada
Amazônia Azul), foi iniciado. O País está
precisando de novas fragatas, de mais corvetas e navios-patrulha,
de novos helicópteros e de modernização
ou substituição dos A-4 Skyhawk que equipam
o porta-aviões São Paulo. No geral, toda a esquadra
vai precisar de modernização nos próximos
anos, o que está previsto no plano.
A situação é mais crítica com
relação aos submarinos. O Tikuna, versão
maior
e mais rápida do que os quatro da classe Tupi (projeto
alemão, o IKL-209,
adaptado depois no Brasil), depois de mais de sete anos em
construção, quando mais parecia uma interminável
obra de igreja, só deverá entrar em serviço
em dezembro. Pelo programa original, ele teria um irmão,
mas a Marinha desistiu de construí-lo para partir logo
para o chamado Submarino Médio Brasileiro (SMB), com
oito metros de diâmetro, dois a mais que a classe Tupi,
e 67 metros de comprimento. Mais importante: será construído
com casco duplo, exigência fundamental para a construção
de um futuro submarino nuclear. O SMB (a idéia é
fazer dois) já deveria estar em construção
no Arsenal de Marinha, onde foram construídos três
da classe Tupi e o Tikuna. Cada ano de atraso complica a situação.
A Venezuela, por exemplo, que tem submarinos IKL-209 semelhantes
aos do Brasil, quer trocá-los pelos franco-espanhóis
Scorpène, do mesmo tamanho e tecnologia esperados no
SMB, que já foram oferecidos ao Brasil, incluindo transferência
total de tecnologia. O Chile já comprou dois, enquanto
a Índia vai construir nada menos que seis. Pelo programa
original da Marinha, US$ 400 milhões seriam gastos
no submarino nuclear, que já consumiu quase US$ 1 bilhão
no desenvolvimento dos reatores, em componentes e no projeto.No
que se refere aos demais navios de superfície, a situação
das seis fragatas da classe Niterói, construídas
nos anos 70, é até boa. O programa de modernização
está quase no final e, embora de desenho antigo para
os padrões de hoje, passaram a ser equipadas com o
que há de mais moderno em termos de equipamentos eletrônicos
e armamento. Já a classe Greenhalgh está começando
a sentir os efeitos do dinheiro curto. Uma, a Dodsworth, foi
desativada no ano passado, transformando-se em uma espécie
de depósito de peças de reposição
para as três restantes.
As quatro corvetas da classe Inhaúma, também
projeto brasileiro, deveriam ter sido acompanhadas por um
número igual da classe Barroso, que é um modelo
um pouco mais comprido. A Barroso segue em construção,
no mesmo ritmo de obra de igreja do Tikuna, e, se não
houver dinheiro, a nova classe pode ficar em uma só.
Dos contratorpedeiros classe Pará (tipo Garcia, comprados
dos EUA) hoje sobrou apenas um. Faltam também pelo
menos dez navios-patrulha da classe Grajaú para fazer
o patrulhamento diário das costas e dos campos de petróleo.
Mesmo quando se analisa a situação do São
Paulo, navio-aeródromo francês dos anos 60 e
altamente operacional, é preciso uma modernização
dos jatos A-4 Skyhawk ou sua troca pelos Rafale franceses
ou os russos Sukhoi-30. E os veteranos helicópteros
de ataque Sea King devem ser trocados ou passar por ampla
modernização. E é imprescindível
que a Marinha disponha de aviões-radar (ou helicópteros)
para ter a arma decisiva em uma guerra, a detecção
à distância do inimigo, especialmente aviões
equipados com mísseis. Radar para isso já existe,
o mesmo que equipa os aviões da Embraer usados no projeto
Sivam/Sipam. Mas, sem dinheiro, nada vai acontecer.
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