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90
Anos da Força de Submarinos
da
Marinha do Brasil
Saudação
do Comandante da Marinha
Desde
o início do século 20, vivemos tempos em que
assistimos ao progressivo agravamento das assimetrias, que
geram dependências tecnológicas e alargam distâncias
entre as nações, notadamente no campo da capacidade
militar de defesa.
É
nesse contexto, com toda certeza, que se enquadra o complexo
processo de projetar, preparar, operar e manter uma arma de
guerra naval cada vez mais sofisticada como é o submarino.
Uma tarefa que se torna ainda mais árdua, levando-se
em conta a disponibilidade declinante de recursos para custeio
e investimentos que vem afetando a Marinha, nos últimos
anos.
Mas,
a despeito da atual escassez de recursos e de outras dificuldades
que existiram nesse período de 90 anos, decorridos
entre a chegada dos três submersíveis Classe
F-1, italianos, até os atuais quatro submarinos Classe
Tupi, seguramente podemos afirmar que a história da
nossa Força de Submarinos está marcada pela
aceitação e superação de grandes
desafios.
Atingimos
um nível de capacitação de operação
desse tipo de navio que poucas Marinhas, hoje, têm.
Desenvolvemos procedimentos doutrinários; proporcionamos
a formação e atualização profissional
do nosso pessoal submarinista e mergulhadores; e estamos qualificados
para executar as operações de salvamento de
submarinos sinistrados.
Consolidamos
os conhecimentos necessários à manutenção
e construção de submarinos, o que também
poucas Marinhas dispõem. O Arsenal de Marinha do Rio
de Janeiro está construindo o seu quarto submarino,
o Tikuna, que, embora esteja em ritmo excessivamente lento,
em razão da falta de recursos, incorpora novidades
tecnológicas em relação aos três
anteriores, da Classe Tupi, especialmente na geração
de energia, no sistema de direção de tiro e
nos sensores.
Obtivemos
resultados no Programa Nuclear que transcendem a própria
instituição, tal o seu arrasto tecnológico,
que, entre outros benefícios, desenvolveu uma tecnologia
nacional e exclusiva para a produção de combustível
nuclear.
E
pretendemos avançar ainda mais. Aguardamos o Programa
de Reaparelhamento da Marinha ser aprovado pelo governo, para
realizarmos, nos próximos quatro anos, a modernização
dos submarinos Classe Tupi; a construção de
outro submarino classe Tikuna; o projeto e início de
construção do submarino convencional nacional,
o S-MB-10; e o término dos Projetos do Ciclo do Combustível
e do Laboratório de Geração Nucleo-Elétrica,
passos necessários para a construção
do submarino de propulsão nuclear, se houver decisão
do governo para tal.
São
avanços que, certamente, constituem um motivo de grande
orgulho para a Marinha e conferem credibilidade ao País
em termos de defesa, contribuindo para o poder dissuasório
nacional e para dar respaldo à postura estratégica
formulada na nossa Política de Defesa, especialmente
em relação à Amazônia Azul, esse
nosso imenso patrimônio que também temos a zelar
no mar.
Finalmente,
ao celebrarmos o aniversário de 90 anos de criação
da Força de Submarinos, desejo parabenizar todos aqueles,
civis e militares, que participaram, e participam, de tão
bem sucedida trajetória. Congratulo-me, também,
com a direção da revista Tecnologia & Defesa,
pela iniciativa de publicar esta edição especial,
e com todos os seus leitores, na certeza de que estão
partilhando do mesmo júbilo que a Marinha do Brasil
sente, nesta ocasião.
GLÓRIA, GLÓRIA À FLOTILHA DE SUBMARINOS!
Roberto de Guimarães Carvalho
Almirante-de-Esquadra
Comandante
da Marinha
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