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08 de Dezembro, 2018 - 08:00 ( Brasília )

CARRO DE COMBATE LEVE M-41 WALKER BULLDOG NO EXÉRCITO BRASILEIRO 1960 - 2001



CARRO DE COMBATE LEVE M-41 WALKER BULLDOG
NO EXÉRCITO BRASILEIRO 1960 - 2001


 

Com o fim da segunda guerra mundial e com o desenrolar da guerra fria, o Exército dos Estados Unidos sentiu a necessidade de um novo carro de combate ligeiro que pudesse suceder aos já antiquados M-24 Chaffee.

Em 1949 surge o protótipo do T-37 que com algumas modificações se transforma no T-41, e depois no T-41E1 e T-41E2 (foto 1), que será adotado como carro ligeiro standard nos Estados Unidos a partir de 1950 com a denominação de M-41 Little Bulldog, mais tarde mudado para Walker Bulldog, em homenagem ao General W.W.Walker, morto em acidente com Jeep na Coréia em 1951.

O M-41 do ponto de vista técnico, era muito parecido com o M-24, com trem de rolamento de cinco pares de rodas, suspensão com barras de torção, motor traseiro de 500 hp, o que dava uma velocidade elevada em estradas, fácil de ser reparado e substituído no campo de batalha, armado com canhão de 76,2mm com freio de boca e extrator de fumaça, adaptado para o tiro anti-tanque, possuía uma torre bem delgada e inteiramente soldada, de excelente característica. (foto 2 e foto 3)

Em 1951 ele entra em serviço nas unidades blindadas norte-americanas como tanque ligeiro standard e todo uma série de veículos de suporte tático são desenvolvidos a partir desse tanque, como canhões autopropulsados, transporte de tropas, veículo antiaéreo, etc. Sua produção esteve a cargo da Cleveland Tank Arsenal, pertencente à General Motors Corporation. (foto 4, foto 5 e foto 6)

Seu batismo de fogo se deu na guerra do Vietnã (1965 - 1975) operado tanto por norte-americanos como pelo exército do Vietnã do Sul, participando inclusive na luta anti-guerrilha, sendo que a primeira batalha envolvendo tanques do Vietnã do Norte x Vietnã do Sul , ocorreu em fevereiro de 1971 na operação Lam Som 719. Os M-41 conseguiram destruir seis T-54 e dezesseis PT-76.

Foram fabricados no período de 1950 até início dos anos 70 cerca de 5.500 M-41, e a partir do início dos anos 60 ele é vendido para diversos países do Sudeste Asiático, Europa e América Latina (Brasil, Argentina e Uruguai). (foto 7)

Os primeiros 50 M-41 chegaram ao Brasil em agosto de 1960 e foram distribuídos aos Regimentos de Reconhecimento Mecanizado, provavelmente ao 1º em Santo Ângelo, ao 2º em Porto Alegre, ambos no RS e ao Regimento de Reconhecimento Mecanizado do Rio de Janeiro, (então Estado da Guanabara), substituindo os velhos M-3 Stuart dessas unidades. Estes blindados vieram através do Programa de Ajuda Militar (MAP) entre os Estados Unidos e Brasil.

Nos anos seguintes até início dos anos 70 chegaram ao Brasil em torno de 300 M-41 nas versões M-41 e M-41 A3, sendo que a diferença de um modelo para o outro era o modelo do motor, pois no M-41 A3 existia um sistema de injeção de combustível e a designação do motor passou de AOS 895-3 para AOS 895-5, além do sistema de elevação do canhão ser maior e poder receber equipamento de infra-vermelho. Externamente eram idênticos. Representavam um grande poder dentro continente sul-americano muito favorável ao Brasil. (foto 8, foto 9 e foto 10) Eles vieram substituir gradativamente os M-3 Lee e M-4 Sherman do Exército Brasileiro.

Diversas unidades do Exército Brasileiro ainda operam o M-41 na versão modernizada pela Bernardini S/A, todas Regimento de Cavalaria Blindado - RCB, como 20º em Campo Grande, MS, 9º em São Gabriel, 6º em Alegrete, 4º em São Luiz Gonzaga, todos no RS, Regimento Escola de Cavalaria Andrade Neves, no Rio de Janeiro, RJ, (foto 11) sendo que os excedentes recolhidos ao Parque Regional de Manutenção 2, em São Paulo.

Estes Carros de Combate nunca participaram de combates efetivos, mas na maior operação já feita pelo Exército Brasileiro envolvendo um grande número de Carros de Combate de diversos modelos (M-4 Sherman, M-3 Stuart, M-41 Walker Bulldog) num longo período, mais de uma semana, envolvendo diversos deslocamentos e vivendo situações em que a tripulação é obrigada a "viver" em seus veículos e próximos a eles em condições para combate que foi durante a Revolução de 1964, os M-41 estiveram envolvidos em manter locais de importância, principalmente no Rio de Janeiro, GB e na capital federal Brasília, DF. (foto 12)

O fato de possuir grande quantidade destes Carros de Combate Leve, levou o Exército a junto com a iniciativa privada realizar um programa de modernização dos seus M-41 e M-41 A3. Em 1978 um M-41 é enviado para a Bernardini S/A Indústria e Comércio, tradicional fabricante de cofres desde 1912, e em um trabalho conjunto entre aquela empresa e a Diretoria de Material Bélico, através de Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento do Exército surgiu a versão modernizada no Brasil denominada de M-41B. (foto 13)

Esta modernização foi fruto da necessidade de atualizar o principal blindado em uso no Exército, tendo em vista que a aquisição de novos veículos eram impossíveis naquele momento, pelas dificuldades financeiras e políticas.

A idéia vigente naquele momento era de ordem econômica, baseada na eterna "falta de recursos" e inspirados no bem sucedido repotenciamento levada a cabo por Israel desenvolveu-se no país um grande programa para aproveitar veículos já obsoletos e tentar transformá-los em veículos mais eficientes e modernos, deste modo o programa de repotenciamento atingiu veículos dos mais variados, como o Blindado sobre rodas 6x6 M-8 Greyhound, diversos modelos dos famosos Half-Tracks (Meia-lagarta), muito comum durante a segunda guerra mundial, trator M-4 rebocadores de artilharia pesada, carros de combate leve M-3 Stuart, do qual derivou um família de veículos conhecidos como série X-1, Carros de Combate Leve M-41, Carro Blindado de Transporte de Pessoal M-113 e Obuseiros Autopropulsados M-108, sem falar nos projetos nacionais como blindados sobre rodas e lagartas (Cascavel, Urutu, Tamoyo, Osório, etc.).

Diversos problemas surgiram e eles foram aos poucos sendo resolvidos, pois nossas quantidades de veículos militares, sempre pequenas, não motivavam os fabricantes, especialmente as multinacionais, sem autonomia para desenvolver ou adotar modificações em seus produtos, o que levou a optarmos pelo possível, face à impossibilidade de executarmos o desejável.

No caso dos M-41 a idéia inicial era de prolongar sua vida útil até os anos 90, pois os projetos de blindados brasileiros já estariam amadurecidos e diversas empresas genuinamente brasileiras estariam em condições de suprir a demanda não só do Exército, como também se mantendo através de exportações, e o parque industrial voltado para os produtos de defesa, também já estaria consolidado, fato que foi real até final dos anos 80, mas impossível de ser atingido nos 90 e quase uma ficção no limiar do século XXI, nos obrigando novamente a importar veículos de segunda mão, alguns aquém de nossas necessidades, mais por problemas políticos do que técnicos. (foto 14,foto 15 e foto 16)

O Carro de Combate Leve M-41 era o que tínhamos de melhor e em quantidade maior, foi a base de toda a formação blindada no Exército, seja de grande unidade (5ª Brigada de Cavalaria Blindada) a unidades menores (1º, 2º, 3º, 4º e 5º Regimento de Carros de Combate, 4º, 6º, 9º e 20º Regimento de Cavalaria Blindado) mais Escola de Material Bélico -EsMB, berço dos blindados e Templo da manutenção do Exército. Inicialmente a modernização foi feita a partir da mudança do motor, no lugar do original a gasolina foi inserido um diesel modelo Scania DS14, mantendo a caixa de transmissão original, o que trouxe grande dor de cabeça aos operadores deste veículo, pois era comum a quebra do eixo entre a caixa e o motor, causando grande quantidade de veículos indisponíveis em suas unidades. Outro complicador foi o fato de se ter de alongar a parte traseira para a colocação do novo motor diesel, o que na realidade alterou o centro gravitacional do veículo, (foto 17, foto 18, foto 19 e foto 20) causando grandes desgastes em suas lagartas, problemas até hoje não solucionados. Mas o principal foi no armamento, o original possuía um canhão de 76mm, e a Bernardini ao lançar o modelo M-41B o equipou com um canhão Cockerill de 90mm, similar aos usados nos blindados EE-9 Cascavel da Engesa e fabricado por ela sob licença da Bélgica, e dos da família XIA2 Carcará da Bernardini. Apenas dois blindados receberam estes canhões para testes. Vários operaram com o canhão de 76mm na versão denominada também de M-41B, depois foram transformados em C com canhão de 90mm. (foto 21)

Após estes testes a conclusão que o pessoal do exército chegou foi a de que ao invés de comprar canhões novos para equipar todos os M-41,optou-se pela forma mais barata, ou seja aproveitar o canhão de 76mm original, encamisando-o e posteriormente broqueá-lo no calibre de 90mm, com o mesmo número de raias do Cockerill Engesa, podendo desta forma utilizar a mesma munição do Cascavel, pois o Exército havia adotado o calibre 90mm como padrão.

Este processo foi uma solução para resolver o problema do M-41, sendo que ao redor da torre original foi acrescentada diversos compartimentos, dando uma nova configuração á mesma e desta forma o carro recebeu a designação de M-41 C (Caxias), tendo um sido apresentado com saias laterais, não adotada nos demais da série. Curioso o fato de nenhum carro de combate brasileiro possuir saias laterais que os protegem contra munição de carga oca. Coube à firma Novatração Artefatos de Borracha S/A a modernização das lagartas. (foto 22)

Inicialmente os canhões de 76mm como eram maiores em comprimento que os de 90 usados no Cascavel, foram cortados para ficaram no mesmo tamanho, e posteriormente descobriu-se que o tamanho não afetava em nada o funcionamento quando transformado para 90mm. A partir daí não mais se cortou o canhão de 76mm, podendo encontrar M-41 C com dois tamanhos de canhão no calibre 90mm. Esta operação de fazer uma nova perfuração no canhão trouxe alguns problemas para diversos carros, pois as paredes internas, em alguns casos, possuíam um lado mais grosso que o outro, o que ainda é comum encontrar nos M-41 C remanescentes.

Outro fator que não foi resolvido foi o fato de que após alguns disparos a torre se enchia de fumaça, dificultando o trabalho da tripulação, não funcionando muito bem os sistemas de extração de gases.

Na realidade o fato de ter transformado o canhão de 76mm em 90mm não o fez melhor, mas sim pior que o 76mm original, pois levaram em conta apenas o tipo de munição que iriam empregar, a de 90mm era fabricada no Brasil e a de 76mm não. (Exemplo: Munição HE no canhão de 76mm, velocidade de 732m/s com ll,7kg de explosivo e no canhão de 90mm, velocidade de 700m/s com 8,5kg de explosivo). A idéia era exportar para outros países a tecnologia desenvolvida no repotenciamento do M-41, sob a forma de um kit, mas esta não vingou, pois a crise que o setor de defesa brasileiro viveu no final dos anos 80 e 90 foi fatal, os grandes projetos morreram, os blindados repotenciados ou produzidos estão chegando numa fase crítica, sua substituição está sendo através de compras de material de segunda mão de diversos países, o Brasil pela primeira vez adquiriu seus primeiros MBT (Tanque Principal de Combate), M-60 A3 TTS e LEOPARD 1A 1, respectivamente dos Estados Unidos e Bélgica, relegando quase que de vez os já obsoletos M-41C, muito embora eles ainda continuem prestando serviços em diversas unidades do Exército, principalmente na formação dos futuros combatentes da força blindada. Vale ressaltar que na América do Sul, além do Brasil, apenas o Uruguai opera um versão do M-41 denominada de M-41 A1U com canhão de 90mm Cockerill mark IV, num total de 22 unidades, modernizados na Alemanha. (foto 23). Os Estados Unidos também testaram uma versão do M-41 com canhão de 90mm, denominada T-49 mas não levada adiante. (foto 24)

O desenvolvimento do projeto de modernização do M-41 e dos outros veículos não foi em vão, eles nos ensinaram muitas coisas, resta saber se o aprendizado valeu e seus erros e acertos serão aproveitados para o futuro, pois, principalmente os Leopard necessitarão de modernização num futuro próximo e aí vamos dar emprego no exterior ou refletir sobre o nosso passado recente e evitar os erros mas sem dúvida pensar mais nos acertos e incentivar técnicos brasileiros na solução deste velho problema. Os M-41 C continuam a ser maioria no Exército Brasileiro e sobreviverão ainda por muitos anos.

Vale salientar que com esta experiência a Bernardini chegou a desenvolver um novo Carro de Combate chamado TAMOYO, que nada mais era do que um derivado direto do M-41, um pouco maior e com nova roupagem, previsto para ter canhão de 90 e 105mm, dependendo da versão. Os componentes dos protótipos, em sua maioria eram oriundos do M-41, rodas, lagartas e até o próprio canhão de 76mm no primeiro protótipo elaborado em conjunto com o CeTEx (Centro Tecnológico do Exército) no Rio de Janeiro, RJ. Não passou da fase de protótipos. (foto 25)

É inconcebível que na incerteza de um amanhã as Forças Armadas e a "Indústria Nacional" não devam estar em condições de manter o ritmo de conhecimento com a moderna tecnologia dos meios de combate, o desenvolvimento, a pesquisa e o emprego dos quais constituem um dos aspectos mais interessantes da Ciência Militar. Tecnologia não se compra, desenvolve-se...

 


 

 

  

  

 

  

  

 

  

  

 

  

  

 

  

  

 

  

  

 

  

  

 

  

  

 

  

  

 

  

  

 

  

  

 

  

  

 

  

  

 

  

  

 

  

  

 

  

  

 

  

  

 

  

  

 

  

  

                                       
Dados Técnicos
 
M41
M41C
Motor: Continental, 6 cilindros opostos , 500Hp a 2.800 rpm. Scania DS14, V8 turbinado,
refrigerado a ar refrigerado a água 400Hp a 2.800 rpm.
Combustível: gasolina diesel
Raio de ação: 110km 550km
Capacidade reservatório: 500litros 550litros
Peso pronto para combate: + ou - 25 t + ou - 26t
Pressão no solo: 0,68kg/cm2 0,78kg/cm2
Rampa máxima frontal: 60% 68%
Rampa lateral : 30% 30%
Velocidade máxima : 65km/h 70km/h
Transposição de fosso: l,82m 1,82m
Obstáculo vertical: 0,71m 0,71m
Armamento Canhão:

76mm

90mm
metralhadora coaxial
.30
7,62mm
metralhadora antiaérea .50 .50
Munição HE (alto explosivo)

732m/s ll,7kg 700m/s 8,5kg

 
Lançadores Fumígenos Oito Tubos
Oito Tubos
Blindagem: 38mm Reforçada
Munição HE (alto explosivo)

732m/s ll,7kg

700m/s 8,5kg
 
s

 
BIBLIOGRAFIA

Mesko, Jim. M 41 Walker Bulldog in action. Armor Number 29, Squadron/Signal publications, USA, 1991;
Icks, Robert J. Tank + M 41 Light Tank (Walker Bulldog). Profile AFV Weapons, 41. Profile Publications Ltd, England, 1972;
Fogliani, Ricardo Sigal. Blindados Argentinos de Uruguay y Paraguay. Ayer y Hoy Ediciones, Argentina, 1997;
Alves, J.V.Portella F. Os Blindados Através dos Séculos. Biblioteca do Exército Editora, Rio de Janeiro, 1964;
Darman, Peter. Tanks at War. Motorbooks International Publishers & Wholesalers, USA, 1996;

REVISTAS:
Brasil-Defesa, diversos números;
Tecnologia & Defesa, diversos números;
Verde Oliva - Exército Brasileiro, diversos números;
Wheels & Tracks, diversos números.

ANUÁRIOS:

Jane`s Armour and Artillery, 1985 - 86
Jane`s Armour and Artillery, 1995 - 96;

SIMPÓSIO E PALESTRAS:

80 Anos de Blindados. Anais do Simpósio promovido pelo Instituto Militar de Engenharia - IME, 16 e 17 de setembro de 1996;
Bastos, Expedito Carlos Stephani. Ascenção e Queda da Indústria de Material de Defesa no Brasil 1762 - 1992, palestra in Academia da Força Aérea - AFA, Pirassununga, SP, 1992;
Bastos, Expedito Carlos Stephani. A Evolução dos Blindados no Brasil 1921 - 1996, palestra in 5ª Brigada de Cavalaria Blindada, Rio de Janeiro, RJ, julho 1996;

CATÁLOGOS:

T9-2800 - Características Gerais das Viaturas Automóveis do Exército, 2ª Edição, Estado Maior do Exército, Brasília, DF, 1981;
Bernardini S/A Indústria e Comércio. Material Militar;
Braziliam Defense Equipment - Material Brasileño de Defensa 1986. Catálogos de Exportação de Material Militar, Fundação Visconde de Cabo Frio, Brasília, DF, 1986
 



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