COBERTURA ESPECIAL - Aço - Leopard 1A5Br - Terrestre

20 de Junho, 2017 - 09:45 ( Brasília )

Projeto Fonte de Alimentação Externa para Leopard 1A5

Projeto que traz economia milionária ao Exercito é desenvolvida no 5º RCC

2º Sgt Phillipe Gomes Falcão Vilela


Projeto Leopard

Com a aquisição do carro de combate Leopard 1A5 o Exército Brasileiro trouxe consigo a doutrina de manutenção alemã com foco na manutenção preventiva, seguindo uma “diagonal de manutenção” que baseia-se em ciclos denominados F1: mensal, F2: semestral, F3: anual, F4: bianual e F5: quadrianual.

Juntamente com esta doutrina de manutenção o Exército Brasileiro adquiriu simuladores, torres didáticas, ferramental especial, desenvolveu cursos de especialização, construiu novas instalações de manutenção e criou o Sistema Logístico de Manutenção – Sis Log Mnt, uma moderna ferramenta de gestão logística on-line, materializando-se no Projeto Leopard.

O Projeto Leopard foi além da simples aquisição da VBCCC Leopard 1A5, pois proporcionou toda a logística necessária a sua plena disponibilidade e prontidão.



Problemática dos Custos

Durante a realização das manutenções F3, F4 e F5 da torre do Leopard 1A5, é realizada um checklist denominado “FLOK Test”, onde se faz uma verificação geral dos sistemas elétricos, eletrônicos, hidráulicos e mecânicos da torre.

A duração do FLOK Test é de, aproximadamente, 4 horas. Esse procedimento utiliza o motor à combustão do próprio blindado para alimentar com eletricidade a torre, implicando em grande consumo de óleo diesel: aproximadamente 160 litros em 4 horas ou, ao invés do motor à combustão pode-se usar apenas a carga elétrica armazenada nas baterias, o que causa desgaste prematuro das mesmas, pois são muito exigidas nessa atividade, sendo comum interromper o FLOK Test para recarregá-las.

Como o custo da eletricidade é bem menor que o do óleo diesel, utilizando a Fonte de Alientação Externa o custo do FLOK Test cairá vertiginosamente, como demonstra o gráfico 1.

Para obter os valores, considerei um preço médio de R$ 3,14 para o óleo diesel e de R$ 0,46 para o Kw/h. Realizei ensaios técnicos visando obter, com precisão, os consumos de óleo diesel e eletricidade tendo como base um FLOK Test com duração de 4 horas.

O equipamento usado nos ensaios técnicos para aferição do consumo elétrico foi cedido pela empresa Centrais Elétricas de Santa Catarina - Celesc, conforme imagem abaixo:




Insalubridades Ambientais

Além do elevado custo com o consumo do óleo diesel e o desgaste das baterias, ocorre também a poluição do ar com gases tóxicos produzidos pelo motor (monóxido de carbono, gás carbônico e enxofre) e um elevado nível de ruído (85 decibéis) que, apesar do uso adequado do Equipamento de Proteção Individual – EPI, tornam o ambiente de manutenção bastante insalubre.



Foi pensando nessas insalubridades a que estão expostos os militares durante a manutenção e nos elevados custos com óleo diesel e desgaste das baterias, que iniciei a busca por um equipamento que suprisse de eletricidade a torre do Leopard 1A5 e permitisse a execução do FLOK Test sem necessidade de usar o motor à combustão e independente das baterias.

O Projeto

Com esta finalidade e tomando por base equipamentos empregados noutros setores, como o naval e a aviação, desenvolvi um projeto onde busquei subsídios técnicos nos diversos manuais do Leopard 1A5 que detalham seu sistema elétrico; analisei a fonte elétrica da torre didática; consultei técnicos civis e militares; pesquisei no mercado nacional equipamentos que atendam às especificações técnicas, bem como usei os meios já disponíveis no próprio Leopard 1A5.

Para confecionar um protótipo usei alguns materiais disponíveis na própria oficina de mauntenção de blindados: tomada auxiliar de partida, cabo auxiliar de partida e a fonte elétrica de uma torre didática.




O projeto envolveu 5 fases, sendo elas:

1. Pesquisa das especificações técnicas da alimentação elétrica da torre do Leopard 1A5;
2. Pesquisa no mercado nacional de equipamento que atendam as especificações técnicas;
3. Estudo para utilizar meios já disponíveis no próprio Leopard 1A5;
4. Pesquisa sobre as insalubridades existentes no ambiente na manutenção;
5. Teste prático.


Resultado obtido: o produto final, ou seja, a Fonte de Alimentação Externa para o Leopard 1A5.



Se for implantado nas Unidades Blindadas, trará maior eficiência e economia de meios para toda a cadeia logística de manutenção.

Phillipe Gomes Falcão Vilela é 2º Sgt do Quadro de Material Bélico / Manutenção de Armamento, turma de 2005.

Natural de Garanhuns-PE, atualmente serve no 5º RCC em Rio Negro-PR. Além do Curso de
Aperfeiçoamento de Sargentos – CAS, possui os cursos de especialização em Mecânica de Instrumentos e Manutenção da Torre da VBCCC Leopard 1A5, Estágio Avançado do Combatente de Caatinga e Estágio de Explosivos e Destruições.


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