COBERTURA ESPECIAL - LAAD 2015 - Aviação

17 de Abril, 2015 - 12:00 ( Brasília )

Boeing traz o Scaneagle para a LAAD 2015


Nicholle Murmel

Especial DefesaNet


No filme Capitão Phillips (2013), o personagem título, interpretado por Tom Hanks, é feito refém por piratas somalis. Em uma das cenas o capitão pede pelo rádio: “mandem o Scaneagle”. Era esse o drone que sobrevoava o estande da Insitu, anexo ao da Boeing, logo na entrada do Pavilhão 4 da LAAD 2015. O VANT pequeno é um dos concorrentes para ser adquirido pela Marinha do Brasil,e ele e seu irmão maior, o Integrator, ambos expostos com as cores da Aviação Naval brasileira, observaram o tempo todo enquanto a equipe do DefesaNet conversou com exclusividade com o responsável da Insitu pelos negócios nas Américas, Dexon Guzmán, sobre a tecnologia e os vários usos dessas aeronaves.

Guzmán conta que já em fevereiro do ano passado o Scaneagle participou de uma demonstração com outros quatro modelos de outras empresas a bordo do navio de patrulha oceânica Apa. “Fizemos um flyoff. O Scaneagle foi lançado a partir do navio fez um voo e foi recuperado em seguida. Depois desse teste nós e mais um concorrente fomos escolhidos para um possível contrato”, explica.

Desde então as negociações continuam junto ao governo e à MB, e a empresa aguarda apenas o sinal das autoridades brasileiras para fazer a proposta final para concorrência. Isso deve acontecer ainda este ano.

Outra questão essencial é a possibilidade de transferência de tecnologia caso o Scaneagle seja mesmo o escolhido da Marinha. Quanto a isso, Guzmán deixou claro que a Insitu estava totalmente preparada para viabilizar essa troca. “Nós estamos muito dispostos [a transferir tecnologia] , isso com o máximo de componentes possíveis, excluíndo aqueles que não temos autorização do governo para compartilhar”, garante.

No que se refere à construção do VANT em solo brasileiro, já existe uma parceira – a Santos LA, baseada no Rio de Janeiro, que pode vir a ser um dos agentes na nacionalização da linha de montagem do Scaneagle caso ele seja adquirido.

Sobre o Scaneagle

O primeiro modelo no drone que a Insitu está oferecendo ao Brasil surgiu em 2001. De lá para cá, o design é o mesmo, mas os componentes aviônicos e eletrônicos evoluíram.

Entre os grandes apelos do Scaneagle estão a portabilidade e a praticidade. Trata-se de um VANT que pode ser montado e colocado no ar em questão de minutos, que ocupa muito pouco espaço, é leve e tem autonomia de até 18 horas com muito pouco combustível, além de ter um sistema criativo de lançamento e, principalmente, recuperação. O drone é lançado a partir de uma catapulta pequena e também bastante portátil, mas o especial é como ele volta ao navio, base ou unidade de onde veio. O sistema de recuperação Sky Hook lembra um pouco os ganchos usados em porta-aviões, só que vertical, e captura o drone pela asa sem que a aeronave se aproxime diretamente do navio. “Os capitães costumam gostar muito desse sistema, pois o Scaneagle passa pela lateral do navio e não há risco de acidente ou colisão”, explica Guszmán.

O drone pode ser equipado com seis tipos de sensores para captura de imagens e dados dos cenários táticos: eletro óptico e infravermelho,  captação de imagens panorâmicas, sensores de comunicação, captação de sinais, mapeamento e dados meteorológicos, além de radar de abertura sintética (SAR). Os dados e imagens coletados são transmitidos em tempo real, o que permite aos comandantes das operações tomarem decisões imediatamente com base na informação passada pelo Scaneagle. E a variedade de sensores torna o drone apto para missões desde combate ao terrorismo e pirataria até monitoramento de incêndios florestais ou investigações policiais.

Em se tratando especificamente dos usos em ambiente naval, a MB pode se valer de um equipamento como o Scaneagle para o monitoramento e controle de áreas marítimas e instalações como plataformas de petróleo, auxílio em operações de busca e resgate (SAR), vigilância par acombate ao tráfico de drogas e pesa ilegal, sistemas de identificação, e monitoramento e proteção de vida marinha.

Atualmente, os principais usuários do Scaneagle incluem a Marinha, Força Aérea, Exército e o Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, além de 16 nações como Canadá, Reino Unido, Itália, Holanda, Japão e Colômbia, o primeiro cliente latino-americano. “Cada cliente encontra usos diferentes, tanto civis quanto militares, para o Scaneagle”, diz Guzmán.

Especificações técnicas

Comprimento: 1,55 metros

Envergadura:  3,11 metros

Peso: de 14 a 18 quilos quando descarregado

Peso máximo: 22 quilos

Performance

Autonomia: de 15 a 18 horas

Altitude máxima de voo: 5,950 metros

Velocidade horizontal: 41 m/s

Velocidade de cruzeiro: 25,7 até 30,9 m/s



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