COBERTURA ESPECIAL - LAAD 2011 - Naval

09 de Maio, 2011 - 13:04 ( Brasília )

Míssil KONGSBERG AGM-119B MK2 MOD7 PENGUIN


Wayne dos Santos Lima
Especialista em Assuntos de Segurança e Defesa

Muito embora não seja uma novidade a repaginação de um vetor criado nos anos 1970s, mas a versão de um dos primeiros misseis dispare-e-esqueça (Fire and Forget), o Míssil Penguin AGM-119B MK2 MOD7 (já existe o MK3, inicialmente proposto para as Real Força Aárea da Noruega, homologado para os F-16 de lá), apresentado pela Kongsberg chamou a atenção, pelo seu tamanho e imponência, de todos que transitavam pela LAAD.

O grande mérito desta versão, foco da apresentação da Kongsberg, é seu sistema de teleguiagem, na qual o operador não tem que se preocupar em que direção apontar o vetor.

O Penguin é um míssil de cruzeiro anti-superfície no real estado-da-arte, que combina precisão de orientação por inércia com uma alta resolução de imagem do buscador “pseudo-infravermelho” (IR) com a geometria original da busca.

Segundo a Kongsberg, seu radar de baixa seção transversal não exige qualquer orientação em voo a partir da plataforma de lançamento, pois o buscador irá localizar de forma autônoma, verificar e travar no alvo.

Possuindo um arco de disparo de 360º completo, o vetor aéreo que o transportar poderá atacar alvos em qualquer direção sem ter que mudar o seu curso, não havendo restrições às mudanças inseridas na trajetória do míssil após disparado. Todos os dados necessários para alcançar um resultado exitoso, como a posição do alvo, o perfil ideal de voo e opção do buscador são introduzidos no míssil antes do lançamento e em vez de se preocupar com a posição do alvo, o disparador poderá lançá-lo de uma única plataforma apontada para qualquer direção.

A tática é aproveitar a dúvida gerada no inimigo se o Míssil em modo passivo está ou não operando na área, o que iria obrigá-lo a utilizar seu próprio Radar para evitar o ataque e ao fazê-lo, entregaria sua posição ao Penguin.

Quanto ao leque de opções de vetores aéreos, o sistema de mísseis AGM-119B Penguin é totalmente qualificado para o SH-60B LAMPS MKIII, o SH-2G Super Seasprite e os helicópteros série S-70 Seahawk, também, segundo o fabricante podendo ser facilmente integrado na MH-60R. A Marinha do Brasil adquiriu
quatro helicópteros S-70B Sea Hawk  equipados com o míssil Penguin. Estes helicópteros substituirão os atuais embarcados AgustaWestland Lynx. As entregas dessas aeronaves deverão ocorrer em 2012

Em relação às formas de disparo, a Kongsberg ressalta que as facilidades do modelo MKII estão em sua capacidade de disparo em ângulo aberto total de 360º todo-o-tempo; o fato de poder ser disparado de altitudes que não permitam sua detecção; apesar de seu tamanho, ainda estaria fora da faixa de tamanho que as contra-medidas das fragatas estariam aptas a combater; modo de disparo manual aponta-e-atira, ou conforme o fabricante “modo John Wayne”;  poder utilizar suas próprias informações ou as do alvo; opção por salva (visando saturar a capacidade defensiva inimiga) ou tiro simples; tempo de reação instantânea sem pequenos atrasos; e nenhuma restrição de mudança após disparo.
 
No que diz respeito ao voo de meio curso, o Penguin possui formação de trajetória e definições do perfil de voo flexíveis; capacidade objetiva de ataques inesperados por pontos direcionadores fixos e flexíveis; preparado para suportar as condições do ambiente, vibração, temperatura e impacto, sem nenhuma degradação de sua capacidade; modo de lançamento por plotagem inserção de informação adquirida da localização do alvo; e compensação dos efeitos do vento.

Quanto às características do buscador, temos um sistema de busca sofisticado com sensor IR totalmente passivo capaz de pesquisa autônoma, validação de alvo, aquisição e travamento; além disto o IR é capaz de diferenciar um alvo verdadeiro de um chamariz; é completamente imune a interferências eletrônicas;  avançado recurso Electro Óptico de contra contra-medidas que ignora todos os chamarizes ao IR; e são adaptáveis a diferentes condições climáticas.

O MKII possui alto G em capacidade de manobras evasivas com ponto de impacto no alvo próximo a linha d'água, atingindo o alvo em trajetória descendente com mecanismo de ação retardada para detonar no interior do casco do navio, abaixo da linha d'água, procurando infringir dano máximo ao inimigo. Classificado como munição resistente (IM), possui ogiva com proteção semi penetrante, atendendo aos requisitos para este tipo de munição para os navios de superfície.

Para treinamento é oferecida a versão DATM, um míssil falso, cuja função é familiarizar os pilotos a voarem com pesos externos exatamente com as mesmas dimensões e peso de um míssil real, além de treinarem disparos, porém sem os riscos de se transportar um.
 

 

Especificações do Míssil
Designação AGM-119B Penguin MK2 MOD7
Comprimento Toral 3m
Diâmetro 0,28m
Envergadura
·         Asas dobradas 0,76m
·         Asas Abertas 1,40m
Peso de Lançamento 392Kg
Peso da Ogiva 123Kg
Guiagem
·         Meio Curso INS
·         Terminal Guiagem IR Passivo
Velocidade de Cruzeiro Alto subsônico
Alcance Operacional 33,3km +
Método de Lançamento queda

 
 
Caso o MKIII se mostre tão superior quanto algumas fontes informam (10Km a mais de alcance, mas rápido e com melhor sistema de guiagem), e seja também oferecido à venda externa, fica a questão se a linha de montagem do sucessor não irá interromper a do anterior, prejudicando o envio de suprimentos para as forças que os adquirirem.

O Penguin já é operado pelas Forças Armadas da Noruega, Turquia, Grécia, Suécia, Estados Unidos, Espanha, África do Sul e Brasil (*).

(
*) Equiparão nos quatro helicópteros S-70B Sea Hawk  adquiridos pela MB e que serão recebidos a partir de 2012.



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