09 de Novembro, 2006 - 12:00 ( Brasília )

Inteligência

Markus Wolf - Morre ex-chefe da STASI da RDA


Berlim, 9 nov (EFE).- O ex-chefe dos serviços secretos externos da extinta República Democrática Alemã (RDA) Markus Wolf morreu na noite desta quarta-feira aos 83 anos de idade, anunciou hoje um porta-voz da editoria "Eulenspiegel", de Berlim.

Inspiração de muitos romances de espionagem, Wolf foi conhecido durante décadas como o "espião sem rosto" da Guerra Fria, já que o Ocidente não tinha nenhuma fotografia dele até o início dos anos 80.

Favorável à "perestroika" (política de reestruturação) do presidente soviético Mikhail Gorbachev, Markus Wolf foi um dos protagonistas da queda do Muro de Berlim ao ficar ao lado dos que defenderam o fim do regime comunista da RDA.

O ex-chefe dos serviços de espionagem germânicos orientais conseguiu infiltrar dezenas de agentes no Governo, na indústria e no mundo econômico da Alemanha Ocidental a partir dos anos 50.

Entre seus agentes mas conhecidos está Günther Guillaume, que chegou a se transformar em secretário pessoal do então chanceler federal germânico, Willy Brandt.

Markus Wolf foi o criador do chamado "espião Romeu", agentes germânicos orientais especialistas em seduzir secretárias solitárias do Governo em Bonn que, apaixonadas, acabavam espionando - consciente ou inconscientemente - seus superiores em gabinetes de ministros e até no escritório do próprio Presidente Federal.( Nota DefesaNet Markus desenvolveu a arte de seduzir membros do governo alemão, civis e militares, que tinham uma vida comum ou simples, fazendo aproximar-se pessoas sedutoras e em especial treinados na arte do sexo)

Em 1986, três anos antes da queda do Muro de Berlim, Markus Wolf se aposentou como chefe dos serviços secretos externos germânicos orientais, que começara a comandar 33 anos antes.

Após a reunificação nacional em 1990, Wolf fugiu da Alemanha para a União Soviética através da Áustria, após saber que a Justiça alemã havia ditado uma ordem de busca e captura contra ele.

Apenas um ano depois, entregou-se às autoridades alemãs, passou uma breve temporada em prisão preventiva e foi libertado.

Em sucessivos julgamentos ao longo da década de 90, foi condenado por alta traição e suborno, danos graves e seqüestro, mas foi absolvido posteriormente em alguns casos e, apesar da confirmação de outras penas, nunca chegou a ser preso e ficou em liberdade vigiada.