| O preço
do teatro da Polícia Federal é a impunidade
Blog
Josias de Sousa
A algaravia que
ecoa dos corredores da Polícia Federal não
é o barulho da guerra do Estado contra o
crime organizado.
O que se ouve é
o tiroteio produzido pelo excesso de marquetagem.
Sob Lula, o trabalho da PF ganhou ares de thriller
televisivo.
Primeiro, monta-se
o teatro de operações. Depois, grita-se
para a platéia que há incêndio
no teatro. No fim, percebe-se que, na verdade, havia
teatro no incêndio.
Na campanha re-eleitoral
de 2006, o PT converteu a PF em peça de sua
engrenagem de propaganda. Uma forma de remediar
a má fama que se enganchara à legenda
no ano anterior.
“Com Lula,
a Polícia Federal vem desmantelando quadrilhas”,
dizia o locutor num dos programas eleitorais de
um presidente que trazia atrás de si um rastro
pegajoso: Waldomiro, mensalão, dossiê...
Propalavam-se na
campanha números grandiloqüentes: 74
operações da PF de janeiro a agosto
de 2006; 1050 prisões...
A polícia
trabalhava em ritmo frenético naquele ano.
Média de dez operações por
mês. O frenesi se intensificava à medida
que a folhinha roçava as urnas.
Na semana que antecedeu
a eleição, houve quase uma operação
por dia. O ano terminaria com 167 ações
da PF; 2.673 prisões.
Em 2007, manteve-se
o diapasão. Eis o balanço divulgado
por Tarso Genro em dezembro do ano passado: 188
operações (incremento de 7,5%); 2.876
presos.
Falta algo à
coletânea oficial: o número de condenados,
a quantidade de enjaulados por sentença judicial
e as cifras restituídas às arcas da
Viúva.
As prisões,
por temporárias (cinco dias) ou provisórias
(no máximo 81 dias), desvaneceram-se.
Os condenados –se
existem— não chegaram a ocupar uma
sinapse do cérebro do observador. Desnecessário
mencionar a devolução da grana surrupiada.
O balanço
de 2008 aguarda pela chegada de dezembro. Mas não
há mês, não há semana
em que um novo escândalo não seja pendurado
nas manchetes.
Eles chegam na forma
de novas exibições da PF, no melhor
estilo Tropa-de-Elite. Segue-se a divulgação
–em conta-gotas— dos grampos com conversas
vadias.
Os diálogos
chegam aos borbotões. Só no ano passado,
os grampos legais alçaram a casa dos 409
mil. Desse total, 49 mil estavam sob a alçada
da PF de Tarso Genro.
Vencida a fase dos
vazamentos, vêm as denúncias do Ministério
Público. É quando começa a
dar as caras o fenômeno escondido atrás
do espalhafato: a fragilidade das provas. Descobre-se,
então, que sobrou barulho e faltou política.
O Executivo atribui
a escassez de resultados ao Judiciário. A
PF prende, os tribunais soltam. O Ministério
Público acusa e as togas, depois de sentar
em cima, absolvem.
Num ambiente em
que a tentativa de compra de um delegado –captada
em áudio e vídeo— resulta em
habeas corpus, é forçoso reconhecer:
a legislação penal e o sistema jurídico
brasileiros favorecem o criminoso endinheirado.
Ao freqüentar
o noticiário do caso Daniel Dantas com entrevistas
de calçada, Gilmar Mendes ainda injetou na
cena jurídica um quê de “espetacularização”
política.
Mas também
é certo que a PF não vem conseguindo
transformar em provas todas as suspeitas que joga
no ventilador.
Reconheça-se,
porque é de justiça, que houve notável
melhoria no aparato de investigação
do Estado. Daí o incômodo causado pelos
desencontros da Satiagraha.
Com a exposição
das fraturas internas da PF, o governo virou mais
uma página da crônica policial brasileira.
Pra trás.
O preço do
teatro sai caro à platéia, que financia
a peça. Tudo somado, o custo da pantomima
é a impunidade.
Defesa@Net,
em atendimento à determinação
da Juíza Federal Substituta da 5ª
Vara Federal Criminal, Margarete Morales Simão
Martinez Sacristan, comunicada através
do ofício nº 5125/05-jsp, de 14
de dezembro de 2005, retirou várias
matérias referentes a Daniel Dantas
e Brasil Telecom, até que recebamos
outra determinação.
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