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UOL 18 Julho 2008

BLOG Josias de Souza

O preço do teatro da Polícia Federal é a impunidade

Blog Josias de Sousa

A algaravia que ecoa dos corredores da Polícia Federal não é o barulho da guerra do Estado contra o crime organizado.

O que se ouve é o tiroteio produzido pelo excesso de marquetagem. Sob Lula, o trabalho da PF ganhou ares de thriller televisivo.

Primeiro, monta-se o teatro de operações. Depois, grita-se para a platéia que há incêndio no teatro. No fim, percebe-se que, na verdade, havia teatro no incêndio.

Na campanha re-eleitoral de 2006, o PT converteu a PF em peça de sua engrenagem de propaganda. Uma forma de remediar a má fama que se enganchara à legenda no ano anterior.

“Com Lula, a Polícia Federal vem desmantelando quadrilhas”, dizia o locutor num dos programas eleitorais de um presidente que trazia atrás de si um rastro pegajoso: Waldomiro, mensalão, dossiê...

Propalavam-se na campanha números grandiloqüentes: 74 operações da PF de janeiro a agosto de 2006; 1050 prisões...

A polícia trabalhava em ritmo frenético naquele ano. Média de dez operações por mês. O frenesi se intensificava à medida que a folhinha roçava as urnas.

Na semana que antecedeu a eleição, houve quase uma operação por dia. O ano terminaria com 167 ações da PF; 2.673 prisões.

Em 2007, manteve-se o diapasão. Eis o balanço divulgado por Tarso Genro em dezembro do ano passado: 188 operações (incremento de 7,5%); 2.876 presos.

Falta algo à coletânea oficial: o número de condenados, a quantidade de enjaulados por sentença judicial e as cifras restituídas às arcas da Viúva.

As prisões, por temporárias (cinco dias) ou provisórias (no máximo 81 dias), desvaneceram-se.

Os condenados –se existem— não chegaram a ocupar uma sinapse do cérebro do observador. Desnecessário mencionar a devolução da grana surrupiada.

O balanço de 2008 aguarda pela chegada de dezembro. Mas não há mês, não há semana em que um novo escândalo não seja pendurado nas manchetes.

Eles chegam na forma de novas exibições da PF, no melhor estilo Tropa-de-Elite. Segue-se a divulgação –em conta-gotas— dos grampos com conversas vadias.

Os diálogos chegam aos borbotões. Só no ano passado, os grampos legais alçaram a casa dos 409 mil. Desse total, 49 mil estavam sob a alçada da PF de Tarso Genro.

Vencida a fase dos vazamentos, vêm as denúncias do Ministério Público. É quando começa a dar as caras o fenômeno escondido atrás do espalhafato: a fragilidade das provas. Descobre-se, então, que sobrou barulho e faltou política.

O Executivo atribui a escassez de resultados ao Judiciário. A PF prende, os tribunais soltam. O Ministério Público acusa e as togas, depois de sentar em cima, absolvem.

Num ambiente em que a tentativa de compra de um delegado –captada em áudio e vídeo— resulta em habeas corpus, é forçoso reconhecer: a legislação penal e o sistema jurídico brasileiros favorecem o criminoso endinheirado.

Ao freqüentar o noticiário do caso Daniel Dantas com entrevistas de calçada, Gilmar Mendes ainda injetou na cena jurídica um quê de “espetacularização” política.

Mas também é certo que a PF não vem conseguindo transformar em provas todas as suspeitas que joga no ventilador.

Reconheça-se, porque é de justiça, que houve notável melhoria no aparato de investigação do Estado. Daí o incômodo causado pelos desencontros da Satiagraha.

Com a exposição das fraturas internas da PF, o governo virou mais uma página da crônica policial brasileira. Pra trás.

O preço do teatro sai caro à platéia, que financia a peça. Tudo somado, o custo da pantomima é a impunidade.

Defesa@Net, em atendimento à determinação da Juíza Federal Substituta da 5ª Vara Federal Criminal, Margarete Morales Simão Martinez Sacristan, comunicada através do ofício nº 5125/05-jsp, de 14 de dezembro de 2005, retirou várias matérias referentes a Daniel Dantas e Brasil Telecom, até que recebamos outra determinação.

Defesa @ Net

Folha Online retira do ar 165 textos sobre o caso Kroll - http://www.defesanet.com.br/intel/kroll_fsp.htm

Defesa@Net, em atendimento à determinação da Juíza Federal Substituta da 5ª Vara Federal Criminal, Margarete Morales Simão Martinez Sacristan, comunicada através do ofício nº 5125/05-jsp, de 14 de dezembro de 2005, retirou várias matérias referentes a Daniel Dantas e Brasil Telecom, até que recebamos outra determinação.

Complicações da Kroll e do Citigroup no Brasil - Janeiro 2005
http://www.defesanet.com.br/intel/krollbr.htm


Vexations of Kroll and Citigroup in Brazil - January 2005
http://www.defesanet.com.br/intel/krollbreng.htm

   
   
   
 

 

 

 

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