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Entrevista
o Exmo Sr Ministro de Eestado Chefe do Gabinete de Segurança
Institucional da Presidência da República -
GSIPR, GEN EX Jorge Armando Félix
Informativo SecGov - Qual o papel exercido pelo GSIPR com
relação à Segurança da Informação?
Ministro Jorge Armando Felix - Desde a sua criação
em 1999, o GSI é a entidade governamental que tem
como uma de suas incumbências as atividades de coordenação
da Segurança da Informação. No entanto,
diferentemente das outras missões, a Segurança
da Informação não recebeu uma estrutura
específica dentro do organograma do GSI para a execução
dessas ações. Para tal, o Decreto 3.505 de
13 de junho de 2000 - que instituiu a Política de
Segurança da Informação nos órgãos
e nas entidades da Administração Pública
Federal - criou o Comitê Gestor de Segurança
da Informação (CGSI) com a missão de
assessorar o Secretário Executivo do Conselho de
Defesa Nacional que, pela legislação, é
o próprio Ministro do GSI.
Informativo SecGov - Qual é a composição
e quais as principais atividades do CGSI?
Ministro Jorge Armando Felix - O CGSI hoje possui
representantes de 16 órgãos e ministérios,
o que mostra com clareza a sua legitimidade para a apresentação
de análises e propostas relacionadas com o tema em
foco. Nos dois primeiros anos de nossa gestão foram
criados 9 grupos de trabalho no âmbito do CGSI, cujos
relatórios apresentaram um rol de sugestões
e propostas para a estruturação da política
prevista no decreto. O problema, como me referi antes, é
que o GSI não possuía um braço executivo
para implementar as ações preconizadas pelo
CGSI. Assim, em princípios deste ano deslocamos algumas
pessoas do GSI para o cumprimento dessa finalidade em tempo
integral, uma vez que os componentes dos grupos de trabalho
anteriores, que têm outras missões nos seus
respectivos ministérios, já haviam concluído
suas missões. Além de adequar juridicamente
a estrutura recém criada, neste ano e no próximo
estamos executando uma série de medidas voltadas
à criação de um arcabouço que
possibilite que o processo de incrementar a Segurança
da Informação no governo e no país
como um todo assuma uma trajetória auto-sustentável
e irreversível.
Informativo SecGov - V. Exa. poderia mencionar algumas
dessas medidas? Ministro Jorge Armando Felix -
Bem, uma delas relaciona-se com o evento da OEA, o II Encontro
de Especialistas Governamentais em Segurança Cibernética.
A partir das recomendações de um dos grupos
de trabalho do CGSI, mencionados anteriormente, demos partida
à criação, no âmbito do GSI,
de um centro de tratamento de incidentes de redes voltado
para o domínio <gov.br> do poder executivo
federal, ao qual denominamos de CTIR Gov. Como sabemos,
o Brasil tem sido representado de forma brilhante nos foros
internacionais pela equipe do CERT.BR, responsável
pela coordenação do domínio <.BR>,
de abrangência nacional. O problema é que o
escopo dessa equipe é muito amplo, sendo necessário,
portanto, um centro de coordenação voltado
apenas para os problemas governamentais, que é o
caso do nosso CTIR Gov. E é essa nossa equipe que
está coordenando o evento no Brasil.
Informativo SecGov - Que tipos de serviços serão
prestados pelo CTIR Gov?
Ministro Jorge Armando Felix - Resumidamente temos
dois tipos, os serviços reativos e os pró-ativos.
Os primeiros são solicitados quando ocorre um determinado
evento e visam à solução imediata de
um problema. Neste tipo de serviço o auxílio
deve servir para reduzir o tempo de interrupção
do sítio atingido, bem como para se obter informações
sobre natureza e a origem do problema. Já os serviços
pró-ativos têm como meta a prevenção
da ocorrência dos incidentes. Para que isto seja possível,
deve-se buscar o máximo de interação
com as redes do Governo Federal, além de outras entidades
da sociedade civil, em especial com outros Centros de Tratamento
de Incidentes nacionais e internacionais. É um processo
contínuo que requer permanentes articulações.
Informativo SecGov - Existe algum setor prioritário
quando o assunto é segurança da Internet?
Ministro Jorge Armando Felix - De fato, na Internet
o que temos são inúmeros segmentos com suas
redes interagindo de forma muito ampla e dinâmica,
sem que se possa destacar isoladamente qualquer um deles.
Na verdade, este tem sido o foco de nosso trabalho além
de ser o fio condutor do próprio SECGOV, pois ali
estamos buscando dialogar com os diversos atores responsáveis
pela administração das infra-estruturas críticas
para o Pais.
Informativo SecGov - Além do CTIR Gov, que outras
ações encontram-se no foco da atenção
do GSI?
Ministro Jorge Armando Felix - Para um empreendimento
complexo como esse, seria ilusão ou utopia contarmos
apenas com o GSI e o CGSI, de forma mais ou menos centralizada.
Pensamos então num conjunto de funções
que, se exercidas de forma articulada, constante e persistente,
acabariam por acarretar um sensível avanço
na Segurança da Informação, tanto no
governo quanto no país como um todo e, ainda por
cima, em tempos razoáveis. Chegamos a mapear quase
duas dezenas dessas funções, que correspondem
basicamente a ações voltadas para o ser humano,
as infra-estruturas e os processos. Uma vez mapeadas, pensamos
então em repassar a outros órgãos da
administração a responsabilidade e a efetivação
de algumas daquelas funções, especialmente
as mais afins com os órgãos selecionados.
Apenas para ilustrar - pois seria inviável nos referirmos
a todas as funções neste breve espaço
de tempo - lembramos que auditagens sistemáticas
são imprescindíveis ao acompanhamento dos
processos de implantação da Segurança
da Informação nas entidades da Administração
Pública Federal. Mas quem no governo federal tem
essa incumbência? Evidentemente que são os
órgãos de controle interno, especialmente
a Controladoria Geral da União. Estamos no momento
estudando em conjunto como a CGU poderia nos auxiliar nessa
tarefa. De imediato surgiu a necessidade de se padronizar
uma metodologia de implantação que sirva como
referencial, como parametrização para as auditorias.
É nesse sentido que um dos painéis do SECGOV
aborda esta temática. Existem outras funções
relacionadas com a capacitação do governo
e do país, tanto no que se refere aos aspectos operacionais
do problema quanto ao desenvolvimento de tecnologias e ferramentas
relacionadas ao assunto.
Informativo SecGov - Algumas palavras para encerrar?
Ministro Jorge Armando Felix - Apenas agradecer a
oportunidade de poder transmitir algumas de nossas idéias
e anseios, permanecendo na expectativa de que o SECGOV torne-se
um instrumento eficaz para abrigo das discussões
cibernéticas e presenciais dos temas da Segurança
da Informação, possibilitando dessa forma
uma maior interação entre o governo e a sociedade.
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