O
super computador do BC
Apelidado de Hal, o cérebro eletrônico mais
poderoso de Brasília
fiscalizará as contas bancárias de todos os
brasileiros
Por
Marco Damiani e
Gustavo Gantois
Desde
a manhã da segunda-feira 25, trabalha sem cessar
no quinto subsolo do Banco Central um supercomputador instalado
especialmente para reunir, atualizar e fiscalizar todas
as contas bancárias das 182 instituições
financeiras instaladas no País. Seu nome oficial
é Cadastro de Clientes do Sistema Financeiro Nacional
CCS na sigla abreviada. Mas a supermáquina
já nasceu com o apelido de Hal, homenagem ao mais
famoso cérebro eletrônico da ficção,
imortalizado no filme 2001: Uma Odisséia no Espaço.
A primeira carga de informações que o computador
recebeu durou quatro dias. Ao final do processo, ele havia
criado nada menos que 150 milhões de diferentes pastas
(uma para cada correntista do País), interligadas
por CPFs e CNPJs aos nomes dos titulares e de seus procuradores.
A cada dia, Hal acrescentará a seus arquivos cerca
de um milhão de novos registros, em informações
providas pelo sistema bancário. A partir desta semana,
quando o sistema se estabilizar, o CCS deverá responder
a cerca de 3 mil consultas diárias.
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Apelidado
de Hal, o cérebro eletrônico mais poderoso
de Brasília fiscalizará as contas bancárias
de todos os brasileiros
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Toda conta que for aberta, fechada, movimentada ou abandonada,
em qualquer banco do País, estará armazenada
ali, com origem, destino e nome do proprietário.
Diferentemente dos imensos mainframes dos tempos em que
o escritor de ficção científica Arthur
C. Clarke concebeu sua supermáquina para 2001, o
Hal do BC tem a arquitetura pós-moderna dos tempos
da microeletrônica. São três servidores
e cinco CPUs de diversas marcas trabalhando simultaneamente,
no que se costuma chamar de cluster. Este conjunto é
o novo coração de um grande sistema de processamento
que ocupa um andar inteiro do edifício-sede do Banco
Central.
Seu poderio não vem da capacidade bruta de processamento,
mas do software que o equipa. Desenvolvida pelo próprio
BC, a inteligência artificial do Hal consumiu a maior
parte dos quase R$ 20 milhões destinados ao projeto
gastos principalmente com a compra de equipamentos
e o pagamento da mão-de-obra especializada. Só
há dois sistemas parecidos no planeta. Um na Alemanha,
outro no França. Mas ambos são inferiores
ao brasileiro. No alemão, por exemplo, a defasagem
entre a abertura de uma conta bancária e seu registro
no computador é de dois meses. Aqui, o prazo é
de dois dias. Não por acaso,para chegar perto do
Hal, é preciso passar por três portas blindadas,
com código de acesso especial.
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Supermáquina
Sistema do BC tem capacidade para atender a até
3 mil consultas diárias em casos de quebra
de sigilo bancário por ordem da Justiça
Fotos: Roberto Castro
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Visto em perspectiva, o sistema é o complemento tecnológico
do Sistema Brasileiro de Pagamentos (SBP), que, nos anos
de Armínio Fraga à frente do BC, uniformizou
as relações entre os bancos, as pessoas, empresas
e o governo. Com o Hal, o Banco Central ganha uma
ferramenta tecnológica a altura de um sistema financeiro
altamente informatizado e moderno. Recuperamos o tempo perdido,
diz o diretor de Administração do BC, João
Antônio Fleury.
O supercomputador promete, também, ser uma ferramenta
decisiva no combate a fraudes, caixa dois e lavagem de dinheiro
no Brasil. Vamos abrir senhas para que os juízes
possam acessar diretamente o computador, informa Fleury.
O banco de dados do Hal remete aos movimentos dos últimos
cinco anos.
Antes de sua chegada, quando a Justiça solicitava
uma quebra de sigilo bancário, o Banco Central era
obrigado a encaminhar ofício a 182 bancos, solicitando
informações sobre um CPF ou CNPJ. Multiplique-se
isso por três mil pedidos diários. São
546 mil pedidos de informações à espera
de meio milhão de respostas. Em determinados casos,
o pedido de quebra de sigilo chegava ao BC com um mimo:
Cumpra-se em 24 horas, sob pena de prisão.
A partir da estréia do Hall, com um simples clique,
Coaf, Ministério Público, Polícia Federal
e qualquer juiz têm acesso a todas contas que um cidadão
ou uma empresa mantêm o Brasil.
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R$
20 milhões foi o orçamento da criação
do cadastro de clientes
do sistema financeiro
Sob
controle
182 bancos
150 milhões de contas
1 milhão de dados bancários por dia
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