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Crisis
en el Conosur
MUDANÇA
DE ESTRATÉGIA - Parte II
Parte I
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De olho em Chávez
Claudio
Dantas Sequeira
Da equipe do Correio
As
mais recentes análises militares brasileiras identificam
o presidente venezuelano, Hugo Chávez , como "elemento
desestabilizador do continente". De acordo com elas,
a decisão da Bolívia de nacionalizar suas
reservas de gás à força - sem o Brasil
esboçar qualquer reação - anima os
paraguaios a pedirem a revisão dos preços
de energia fixados no Tratado de Itaipu, com a conseguinte
expulsão dos brasiguaios que plantam soja na fronteira
(como na Bolívia). O Chile também estaria
assustado com a influência de Chávez sobre
a Bolívia e o Peru, e tem realizado consultas junto
à Organização do Tratado do Atlântico
Norte (Otan), da qual é associado.
Para Salvador Ghelfi Raza, especialista em segurança
nacional do Centro de Estudos Hemisféricos de Defesa
em Washington, o retorno das tropas presentes na Amazônia
reflete "um pragmatismo tempestivo". "É
um erro de estratégia que pode enviar uma mensagem
perigosa aos países vizinhos. Essa atitude choca
com a postura do Itamaraty e do próprio governo Lula
e viola a política nacional de defesa", critica.
Chefe do Departamento de Relações Internacionais
das Faculdades de Campinas, Raza considera que as atuais
tensões "são normais num período
de transição como o que a América Latina
vive".
O coronel da reserva Geraldo Cavagnari, especialista em
estratégia e pesquisador da Unicamp, acha que as
Forças Armadas brasileiras devem priorizar a Bolívia,
"único foco significativo de tensão fronteiriça".
"Nossos interesses soberanos foram ameaçados
com a nacionalização do gás. Agora,
são os agricultores brasileiros. É obrigação
do governo impedir que o Estado boliviano use da força
contra eles", afirma. Cavagnari descarta que o Paraguai
siga o exemplo boliviano, especialmente por estar fora da
influência venezuelana. Mas alerta para o risco que
Chávez representaria. "É preciso evitar
que ele transforme a Bolívia em satélite da
Venezuela. Quais são seus planos? Por que ele quer
um exército de 1,5 milhão de homens? Se for
para usá-lo na região, o Brasil será
obrigado a reagir e os EUA não ficarão de
braços cruzados", diz.
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