COBERTURA ESPECIAL - Helibras - Terrestre

26 de Dezembro, 2014 - 12:57 ( Brasília )

Modernização dos helicópteros Esquilo/Fennec – A visão de um aviador

Excelente texto produzido pelo Exército Brasileiro


Publicado no E-Blog
do Exército Brasileiro, Outubro 2014



Desde a recriação da sua aviação, em 1988, o Exército Brasileiro (EB) vem evoluindo nos campos técnico, tático e estratégico, com marcantes transformações que se destacam por afetarem mais diretamente o emprego dos helicópteros em proveito da Força Terrestre (FT), tais como a alteração da missão prioritária da Aviação do Exército (Av Ex), passando do assalto aeromóvel para o provimento de aeromobilidade para todas as funções de combate.

Modernização dos helicópteros Esquilo/Fennec
A visão de um aviador
(Leia a matéria Helibras entrega ao Exército quatro primeiros Fennec modernizados Link)

Além das transformações pelas quais o Exército vem passando, durante os conflitos recentes, os helicópteros, especialmente os de ataque, mostraram-se fundamentais para o emprego em missões de reconhecimento, vigilância, ataques e apoio de fogo em ambientes urbanos ou não, utilizando-se de armamentos de grande precisão.

Ocorreu, também, uma mudança no perfil das ameaças às aeronaves. Forças irregulares e insurgentes passaram a ter acesso a armas antiaéreas, para uso junto às metralhadoras e lançadores de granadas já utilizados com eficiência contra helicópteros. Outro aspecto a ser ressaltado é que, nas principais áreas conflagradas do mundo, a população civil passou a estar próxima a potenciais alvos, impactando significativamente o aumento da incidência de vítimas não combatentes, os chamados danos colaterais.

Diante desse novo cenário, verificou-se que a aeronave de reconhecimento e ataque atualmente empregada na AvEx carecia de alguns recursos tecnológicos, julgados essenciais para o perfeito cumprimento da sua missão, divergindo da evolução técnica, tática e estratégica da FT brasileira.

Os Esquilo/Fennec (HA-1), do Exército Brasileiro, são helicópteros do tipo monomotor, multimissão e empregados em reconhecimento e ataque leve, e no emprego geral na Força Aérea e na Força Aeronaval. As aeronaves, de fabricação francesa, possuem boa reserva de potência com o peso máximo de decolagem, excelente manobrabilidade e capacidade de ser armada com metralhadoras axiais .50, lançadores de foguetes de 70mm e, na configuração para transporte de passageiros, com uma metralhadora lateral de 7,62mm. Algumas unidades possuem um sistema de imageamento diurno e noturno e os Fennec encontram-se adaptados para o uso de óculos de visão noturna (OVN/NVG).

Em 2011, para solucionar as carências que se apresentavam, após o estudo das linhas de ação disponíveis, foi adotada a opção de modernizar os helicópteros HA-1 através de um upgrade, com previsão de conclusão em 2018. O projeto contempla a instalação de sistemas aviônicos modernos e adaptados ao OVN, piloto automático, novos rádios Nav-Com seguros e equipamentos de missão, tais como bancos, proteção balística e novos braços de armamento.

Contudo, em uma visão global, para melhor atuarem no cenário dos conflitos atuais, esse modelo de helicóptero pode receber avanços em outras áreas. Análises realizadas por especialistas apontam, principalmente, para a adoção de novos sistemas de identificação e aquisição de alvos, configuração com armamentos de maior precisão e flexibilidade, e, ainda, autodefesas ativas e/ou passivas.

EQUIPAMENTOS

Para realizar o reconhecimento, a vigilância e os ataques, é essencial poder ver sem ser visto. Uma melhoria crucial no sentido de se manter as capacidades operacionais de reconhecimento de eixos, zonas ou áreas em combate e a identificação, aquisição e designação de alvos é a instalação de um sistema de imageamento diurno e noturno, preferencialmente integrado ao sistema de armas.

Os mais utilizados atualmente são as câmeras de vídeo e infravermelhas que proporcionam imagens coloridas de alta resolução e termais. Esses equipamentos possuem alcance que permite à aeronave observar alvos a distâncias superiores a 5 Km com muito boa definição, mas é um parâmetro apenas referencial, pois o nível de detalhamento que se busca definirá a distância de observação.

Quanto mais detalhes se desejar, mais perto se observará. Em missões de reconhecimento e vigilância, o monitoramento naquela distância permite boa segurança por se encontrar além do alcance de utilização da maioria das armas, incluindo os lançadores de granadas e mísseis antiaéreos portáteis (MANPADS).

Apontadores laser integrados ao sistema de câmeras são essenciais para o emprego de armas guiadas. Também é importante a existência de telêmetros para determinação de coordenadas de alvos e dados de lançamento e, ainda, iluminadores infravermelho para designação de alvos para tropas ou outras aeronaves operando com equipamentos de visão noturna.

O Brasil adquiriu, em 2002, um conjunto de observação dotado de câmera de vídeo e termal. Entretanto, tais equipamentos visam, prioritariamente, ao uso em comando e controle, e essas aeronaves fazem parte do sistema denominado “Olhos da Águia”, exigindo a instalação de antenas de transmissão na parte inferior do helicóptero que limitam pousos em terrenos não preparados.

É interessante que o sistema de observação, identificação, aquisição e designação esteja plenamente integrado ao armamento para permitir melhores condições de tiro/lançamento. Como o sistema é giro estabilizado, possibilita que lançadores de foguetes, canhões, mísseis e metralhadoras sejam associados às suas funções, aumentando significativamente a precisão e a letalidade dessas armas.

No aspecto ergonômico, a possibilidade de acoplar o sistema de imageamento a um head up display (HUD) nos capacetes dos pilotos, e compatíveis com OVN, diminui a fadiga e aumenta a concentração no ambiente externo, evitando o monitoramento constante de telas no painel.

ARMAMENTOS

No Brasil, os armamentos disponíveis para os Fennec foram otimizados pensando-se nas missões relativas ao assalto aeromóvel, seguindo a concepção doutrinária vigente na década de 1980. Nos dias atuais, novos armamentos e mehorias nos existentes podem ser implementadas para atender toda a gama de missões assignadas aos helicópteros de reconhecimento e ataque.

A adoção de um míssil ar-solo e a substituição dos lançadores de foguetes SBAT 70 por outros, com maior alcance e possibilidade de guiamento, são medidas que podem ser classificadas como prioritárias, devido ao grau de desatualização. E, ainda pensando na adaptação aos teatros operacionais que se apresentam, a implantação de um sistema flexível de armas de cano que permita tanto calibres maiores, como os de 20mm, até os menores, como o 7,62mm, passando pelos .50, proporciona a adequação da configuração de ataque ao alvo e ao efeito desejado (destruir ou neutralizar).

A capacidade de lançar mísseis ar-solo tornou-se básica para qualquer helicóptero de ataque, visto que esse tipo de aeronave é a melhor arma contra blindados e para apoio de fogo em ambiente urbano. Para o HA-1 estão disponíveis no mercado internacional mísseis de fabricação francesa e norte-americana, adaptáveis ao sistema de aquisição de alvos que já se encontra instalado em algumas aeronaves.

Existem, também, outros mísseis sul-africanos, russos e israelenses que, mesmo não sendo utilizados até o momento nos Fennec, encontram-se à venda. Uma outra opção seria a utilização de tecnologia nacional dos mísseis em produção por empresas locais. Contudo, apesar da vantagem do desenvolvimento autócne há que se considerar custos e prazos que podem inviabilizar a adaptação.

Se equipado com mísseis, o Fennec conduziria quatro desses artefatos, ganhando um poder de fogo considerável e que, integrado com o sistema de observação, identificação, aquisição e designação de alvos, aumentaria significativamente a precisão em ambientes confinados e com presença de não combatentes, reduzindo efeitos indesejáveis dos ataques e dos apoios de fogo prestados pelo helicóptero.

Já os lançadores de foguetes de 70mm passaram por uma revolução a partir dos anos de 1990, com o desenvolvimento de foguetes com alcance máximo variando entre 4/5 mil metros, se comparado aos 2.500 metros dos obsoletos SBAT 70. Esse incremento ocorreu, principalmente, devido ao aumento do alcance de armas automáticas e dos canhões dos blindados.

No mercado internacional podem ser encontrados foguetes e lançadores de fabricação norte-americana, belga e, até mesmo, brasileiros. Esses armamentos, apesar do maior alcance, diferem muito pouco em termos de peso e custo do SBAT70.

Paralelamente, esses novos sistemas de lançamento permitem a utilização de cabeças de guerra guiadas, as quais, apesar de não possuírem o poder de destruição dos mísseis, quando integradas às câmeras e aos sensores de aquisição de alvos, resultam num aumento da precisão, reduzindo o risco de danos colaterais. Vale assinalar que o EB já está testando novos lançadores e deve adotá-los após o processo de avaliação.

No que se refere ao armamento de cano, um novo braço de suporte de armas, previsto no projeto, permitirá a integração das metralhadoras com o sistema de pontaria, ajustando o alcance. Importante é que, no ambiente de batalha atual, para missões em operações de amplo espectro, faz-se necessária a flexibilidade de adotar configurações com calibres diferentes, acabando com a exclusividade do .50. Canhões de 20mm são mais eficientes contra carros com blindagem leve e posições sumariamente fortificadas. O Esquilo/Fennec é capaz de conduzir esse armamento, como ocorre em aeronaves francesas.

Em ações em áreas urbanizadas ou de menor intensidade, metralhadoras multicanos e de calibres menores, tal como o 7,62mm, proporcionam grande volume de fogo, associado a menores danos colaterais. Países da América Latina e helicópteros de apoio a operações especiais dos Estados Unidos utilizam esse tipo de armamento, também parcialmente integrado ao sistema de imageamento ou de pontaria.

Entre os armamentos de cano, além dos axiais, manter a capacidade de emprego lateral é significativa, notadamente, para missões de escolta de VIP, para apoio de fogo em áreas extremamente confinadas e para autodefesa em missões de comando e controle. A importância das metralhadoras laterais foi evidenciada em exercícios e como forma de dissuasão durante escolta de dignatários em eventos internacionais acontecidos no Brasil.

AUTODEFESA

Os sensores eletrônicos, eletromagnéticos e interferidores visam, em primeiro lugar, à proteção da aeronave. Normalmente, durante os reconhecimentos, ataques e vigilâncias, os helicópteros aproximam-se das posições inimigas ficando vulneráveis a armas designadas ou guiadas por laser, radar ou assinatura termal.

Para informar ao piloto de que está sendo “iluminado” por um desses armamentos existem sensores passivos chamados RWR (radar warnning receiver) e detectores de laser, junto ao IFF (identification friend or foe) utilizado para evitar fogo amigo. Como defesa ativa, são usados interferidores contra laser e dispersores de chaff/flare.

Os RWR são ferramentas fundamentais para que as tripulações possam tomar conhecimento de que são alvos de radar e tomem a atitude defensiva disponível. O detector laser, notifica aos pilotos que estão sendo iluminados por um feixe de laser, comumente um direcionador para mísseis e alguns canhões. O IFF é um equipamento que, através de emissões eletromagnéticas, fornece informações sobre a identificação da aeronave e sua altitude.

Esse equipamento é semelhante ao transponder, mas voltado ao uso militar. A instalação desse aviônico traria para as aeronaves um voo com mais segurança em regiões de conflito e em operações conjuntas e/ou combinadas.

Em associação com o RWR e o detector laser deve-se utilizar interferidores que impedem a aquisição da aeronave como alvo. Para interferir na recepção de radares de tiro, os dispersores de chaff mostram-se eficientes. Os interferidores de laser atuam nos apontadores das armas, enquanto os lançadores de flare dificultam a aquisição de munições guiadas pelo calor do alvo.

Diante da presença cada vez maior de armas antiaéreas em áreas conflagradas, ser dotado com essas contra-medidas se traduz em maior segurança para que os HA-1 cumpram suas missões, ampliando, consequentemente, sua operacionalidade.

Como opção consolidadora de sistemas de autodefesa contra mísseis, o MAWS (missile approach warning system) é uma muito boa alternativa. Ele percebe a ameaça e, automaticamente, adota a contramedida adequada, lançando chaff/flare ou outro tipo de interferência. Esses equipamentos diminuem o tempo de resposta e a sobrecarga da tripulação, já dotando helicópteros de reconhecimento e ataque leve de alguns países.

CONCLUSÃO

A modernização dos Esquilo/Fennec tem se mostrado uma solução adequada, tendo em vista que países como a França e os Estados Unidos usam aeronaves com desempenho semelhante para missões de reconhecimento e ataque leve. O OH-58, norte-americano, e o Gazelle, francês, têm performance de voo inferior a do Fennec, porém, contam com toda uma gama de equipamentos que os tornam excelentes veículos para a sua destinação.

Alguns Exércitos da Europa e do Oriente Médio possuem ou estão adquirindo helicópteros com características, armamentos e equipamentos de igual nível dos mencionados anteriormente, visando ao emprego em conflitos característicos do cenário atual. Dessa forma, possuir helicópteros de reconhecimento e ataque, mesmo que leves, bem equipados e armados, constitui relevante fator de dissuasão e não é divergente da ideia de adquirir aeronaves mais pesadas.

Em todo o mundo, helicópteros Fennec/Esquilo, UH-58, Gazelle e MD-500, coexistem em um mesmo Exército com AH-64 Apache, AH-1 Super Cobra, Tiger e A-129, cumprindo missões completmentares. Por fim, uma bem estruturada frota de helicópteros armados permite que um país mantenha em nível elevado a capacidade do seu Exército de atuar no cumprimento de suas missões constitucionais.

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