COBERTURA ESPECIAL - Guarani - Terrestre

11 de Fevereiro, 2007 - 12:00 ( Brasília )

Experiência no Haiti vai mudar Urutu

As primeiras 16 unidades com novos dispositivos ficarão prontas em 2012

Roberto Godoy

Uma nova versão do Urutu, o mais conhecido veículo militar brasileiro, fabricado até meados dos anos 80 pela extinta Engesa, será o próximo blindado para transporte de tropas do Comando do Exército. Aperfeiçoado a partir da vivência das tropas brasileiras no Haiti, o futuro modelo terá sistema eletrônico central de controle remoto de armas, a possibilidade de incorporar diversos tipos de acessórios externos, como escudos específicos e torretas, além de pneus resistentes a projéteis de alto impacto.

O Urutu também ganhou nome e sobrenome novos, além de um apelido: vai se chamar Viatura Blindada de Transporte de Pessoal - Média de Rodas - conhecida como VBTP-MR. Enquanto isso não acontece, segue sendo chamado de Urutu-3, referência ao período, terminado em 2005, quando tudo o que se pretendia era modernizar o lote remanescente da frota de 223 unidades desses blindados comprada pelo Exército.

Os recursos para o projeto vão sair da dotação especial de R$ 7 bilhões destinada a investimentos nos programas de modernização. A cada ano, até 2013, a Força Terrestre terá R$ 1 bilhão para aplicar em diversos projetos.

O couraçado está sendo largamente empregado no Haiti, e não apenas pelos 1.200 homens da tropa brasileira envolvida na missão de paz das Nações Unidas. O batalhão da Jordânia, um dos clientes da Engesa, despachou para lá um esquadrão Urutu, sendo duas unidades na configuração de socorro médico de campanha. Diariamente, relata um oficial do setor de operações, patrulhas armadas do Brasil percorrem as áreas de maior tensão na capital, Porto Príncipe. Os veículos, cerca de 20, passaram por modificações exigidas pela utilização. A pá dianteira de aço, por exemplo, do tipo buldôzer, para remover as barreiras de entulho com as quais os rebeldes bloqueiam o trânsito nas vielas de Cité Soleil e Belair, bairros perigosos da cidade. Por conta da aparência, o Urutu é recebido aos gritos de 'la voiture moustache!' (a viatura de bigodes).

NOVA FAMÍLIA

No programa de criação da família de blindados nacionais sobre rodas, apenas a primeira série - a de entrada dos novos modelos no Exército - vai guardar semelhança com o atual Urutu EE-11, de 14 toneladas, para deslocamento de tropas. As linhas seguintes serão produzidas de acordo com o desenho ainda em desenvolvimento. Os 16 blindados iniciais chegam em 2012. O Comando do Exército condiciona a próxima família baseada no Urutu-3 a ter índice de nacionalização superior a 60%, custo final 50% menor que o do mercado internacional, capacidade anfíbia, 11 ocupantes equipados, peso máximo de 25 toneladas, propulsão a diesel, velocidade de 90 km/h em estrada (9 km/h na água), navegador terrestre GPS, visão noturna para o motorista, metralhadora 7.62 mm ou .50 em torre móvel e sensor de detecção laser. O projeto prevê nove configurações - de central de comando a um lança-morteiros de 81 mm.



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