COBERTURA ESPECIAL - Guarani - Terrestre

21 de Julho, 2017 - 11:45 ( Brasília )

Guarani UT-30BR - Aumento de capacidade operacional

Exército começa a receber viaturas blindadas Guarani equipadas com a torre não tripulada UT-30BR


No dia 14 de julho, a 15ª Brigada de Infantaria Mecanizada (15ª Bda Inf Mec) recebeu as seis primeiras Viaturas Blindadas de Transporte de Pessoal Média de Rodas (VBTP-MR) Guarani equipadas com os sistemas de armas automatizados UT-30BR.

Essas foram as primeiras, de um total de doze viaturas, nessa configuração, que serão entregues à Grande Unidade. As viaturas fazem parte do lote de experimentação doutrinária da Nova Família de Blindados, desenvolvido pela Diretoria de Fabricação (DF).

Dotadas de uma torre remotamente controlada, equipada com modernos equipamentos de visão noturna e um canhão 30 mm como arma principal, as Viatura Blindada de Transporte de Pessoal Média de Rodas (VBTP-MR) Guarani versão UT-30BR aumentarão o poder de fogo e a proteção blindada da Brigada nas operações de defesa externa, de combate a ilícitos transfronteiriços e de proteção de infraestruturas críticas existentes na região oeste paranaense.

A Torre UT-30BR


Algumas das VBTP-MR 6x6 Guarani receberam recentemente a torre não tripulada UT-30BR (Unmanned Turret 30 mm Brazil), aumentando suas capacidades de fogo. Nesse tipo de torre, o atirador se mantém protegido dentro da viatura, maneja o armamento por meio de comandos tipo “joystick” e observa o terreno por intermédio de um monitor LCD. Trata-se de um Sistemas de Armas Remotamente Controlado (SARC).

A Guarani com UT-30BR comporta três tipos de armamentos: o canhão automático 30 mm ATK BushMaster MK44; a metralhadora coaxial 7,62 mm; e o lançador de granadas fumígenas 76 mm. O canhão possui funcionamento elétrico, tipo Chain Gun, no qual o conjunto ferrolho movimenta-se ciclicamente, sem a necessidade da utilização dos gases oriundos dos disparos, o que proporciona um índice muito baixo de incidentes de tiro, além de fácil manutenção.

A torre possui dois cofres de munição 30 mm, um com capacidade para 50 cartuchos e outro para 150, então, é possível alimentar o canhão com até dois tipos de munição simultaneamente. Como vantagem, tem-se a munição toda estocada na parte externa da viatura, o que aumenta as chances de sobrevivência da tropa, caso sofra ataques anticarro ou com mina terrestre. Sua cadência inicial é de 200 tiros por minuto, com alcance efetivo de 3.000 metros (com munição perfurante) e 2.000 metros (com munição explosiva).

A metralhadora automática coaxial 7,62 mm proporciona alta expectativa de impacto a 500 metros e possui uma cadência de aproximadamente 700 tiros por minuto, podendo ser alterada de acordo com o ajuste do regulador de gases. Diferente do canhão, os gases dos disparos são aproveitados para o funcionamento da metralhadora.

Por fim, o lançador de granadas fumígenas pode lançar oito artefatos a aproximadamente 30 metros de distância, formando uma cortina de fumaça de cerca de 100 metros de frente, que oculta a viatura diante do adversário e a protege contra a telemetria laser dos armamentos inimigos. O operador pode disparar quatro ou oito granadas simultaneamente.

A torre UT-30BR possui um dispositivo de segurança para a detecção de ameaça a laser chamado Elbit's Laser Warning System (ELAWS), que alerta quanto a ameaças laser inimiga, informando a direção de origem. Em uma situação de combate, quando detectada a ameaça, o operador pode configurar a torre para apontar automaticamente para a direção ou manualmente, bastando pressionar um botão.

O “auto tracking”, ou “Automatic Target Tracking” (Acompanhamento Automático de Alvos), é um recurso muito útil desse modelo de torre, que permite o acompanhamento, sem a necessidade de interferência humana. Existe, ainda, uma outra ferramenta, chamada de “Caçador-Matador” (Hunter-Killer), que permite ao comandante trazer o armamento para a direção em que estiver observando, trazendo o canhão para seu comando e executando o disparo, sem a interferência do atirador.

Além do Brasil, vários países já adquiriram esse equipamento, tais como Eslováquia, Bélgica e Portugal. A torre também pode ser integrada a outros tipos de viaturas blindadas
 

Capacitação técnica de militares no CAEx

Uma etapa importante para esse processo foi o preparo de recursos humanos para a experimentação doutrinária do Produto de Defesa, por isso, o Exército disponibilizou capacitação para militares da 15ª Bda Inf Mec, do Centro de Instrução de Blindados (CI Bld) e do Centro de Avaliações do Exército (CAEx), como o ocorrido, de 16 a 27 de maio de 2016, no Rio de Janeiro.

Técnicos da empresa Elbit Systems (israelense) e da ARES Aeroespacial e Defesa S.A. (brasileira) estiveram nas instalações do CAEx para ministrar as instruções, que teve a participação de 20 oficiais e praças. O curso visou habilitar os militares paras as atividades de experimentação doutrinária, instrução e de avaliação técnica e operacional do sistema de armas em questão.

Durante o curso, com atividades eminentemente práticas, os instruendos aprenderam a utilizar o equipamento nos modos de operação: manual, potência, estabilização e transporte. O plano de matéria do curso contemplou os seguintes assuntos: realização de tiro com o canhão 30 mm, com a metralhadora 7,62 mm e com o lançador de granadas fumígenas; além de carregamento, alimentação, dobramento da torre e manutenção em primeiro escalão.

Por fim, o Exército, por intermédio do CI Bld está diuturnamente comprometido em criar as condições para que o recurso humano tenha todo o conhecimento e competência para o melhor uso dos atuais meios de emprego militar.



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