COBERTURA ESPECIAL - Gripen NG Brazil - Aviação

20 de Dezembro, 2013 - 11:10 ( Brasília )

Compra de caças suecos deve ajudar inovação em Defesa

O governo brasileiro anunciou ontem que irá comprar 36 caças suecos Saab Gripen NG no valor de US$ 4,5 bilhões.


 


Publicado DCI - São Paulo - 19 Dezembro 13


Fernanda Bompan
SÃO PAULO


O governo brasileiro anunciou na quarta-feira (18DEZ13) que irá comprar 36 caças suecos Saab Gripen NG no valor de US$ 4,5 bilhões. De acordo com especialistas, com essa aquisição, muito além da transferência de tecnologia para a fabricação desse tipo de aeronave ou, pelo menos na produção de peças no País, a experiência com a empresa sueca pode inovar a fabricação de aviões civis.

As negociações para a compra dos caças que renovarão a frota da Força Aérea Brasileira (FAB) foram realizadas nos quatro últimos mandatos presidenciais (no segundo de Fernando Henrique Cardoso, nas duas gestões de Luiz Inácio Lula da Silva e, agora, no de Dilma Rousseff).

No projeto F-X2, que incluía a compra dos caças, disputaram, além do Saab Gripen NG, o Boeing F-18E/F Super Hornet, dos Estados Unidos; e Dassault Rafale F3, da França. A proposta é que o modelo sueco substitua os Mirage 2000, que serão aposentados este mês.

"Nós iniciamos agora uma fase de negociação do contrato. A escolha foi objeto de estudos e ponderações muito cuidadosas e levou em conta performance, transferência efetiva de tecnologia e custos não só de aquisição, como de manutenção", afirmou o ministro da Defesa, Celso Amorim, ao informar a compra.

O professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e da Fundação Dom Cabral (FDC), Fernando Arbache, explicou ao DCI que a maior vantagem dessa escolha será a transferência de tecnologia entre Suécia e Brasil, o que pode fazer com que, no futuro, o Brasil exporte esses tipos de caça. "A Suécia é mais aberta a fazer esta transferência do que as demais concorrentes", entende.

Para o especialista Nelson Düring, no longo prazo, o País não somente pode vender no exterior esse tipo de aeronaves, como também comercializar peças utilizadas até em aviões civis.

Ambos acreditam que a Embraer será uma das maiores beneficiadas com a transferência de tecnologia, assim como Akaer, em São Bernardo do Campo (SP), que já possui parceria com a Saab.
Arbache comenta ainda que a escolha foi a melhor tecnicamente. "Os caças suecos são melhores porque são pequenos e mais adaptáveis à estrutura precária no Brasil", avalia.

Ele explica que o da Rafale não seria escolhido porque além de ser caro, o Brasil teve problemas na relação com a França. "O governo francês não apoia o Brasil na OMC [Organização Mundial do Comércio, como foi caso da candidatura de Roberto Azevedo ao posto de diretor-geral]."

No caso do caça norte-americano, ele acredita que a revelação de que o Brasil foi espionado pelos Estados Unidos tenha abalado as negociações com Boeing.

Amorim afirmou que a expectativa é de que a negociação leve entre 10 e 12 meses. O primeiro caça deve ser entregue em 2018. Segundo o comandante da Aeronáutica, tenente brigadeiro Juniti Saito, a transferência de tecnologia será feita por meio de um processo de desenvolvimento entre a Saab e a Embraer.

Por meio de nota, a norte-americana Boeing declarou que "embora decepcionante" para a empresa, a decisão não diminui o comprometimento da companhia "em expandir sua presença, ampliar as necessidades do Brasil em termos de segurança". "Nas próximas semanas trabalharemos com a FAB para entender melhor sua decisão", promete.
Economia

Antes do anúncio oficial, a presidente Dilma havia antecipado a escolha dos caças. Ela aproveitou ainda para dizer que a economia o Brasil deve ano teve "desempenho melhor, mais acima do que tivemos em 2012 sob todos os aspectos". E que Produto Interno Bruto (PIB) deve avançar "entre 2% e 2% e pouco".

A presidente comentou também que, diante da crise financeira internacional, "os governos são levados a fazer coisas que não fazem em tempos normais". Dilma assegurou que o Brasil está "preparado" para os efeitos da crise financeira internacional e garantiu que a desoneração da folha de pagamento é uma medida "permanente" do governo.

"Não temos nenhuma objeção a fazer a política anticíclica. Quanto mais cedo sairmos disso, melhor para o País. Por exemplo, eu acredito que hoje muitas das desonerações feitas, pontuais, no passado, não são necessárias. Não são necessárias e, portanto, não vão ser feitas", afirmou, sem dar maiores detalhes.

Ela avaliou que o País tem tido um "excelente desempenho" no superávit primário e garantiu que a meta será cumprida em 2013, com "inflação sob controle".



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