COBERTURA ESPECIAL - Gripen

23 de Junho, 2015 - 09:30 ( Brasília )

França perde espaço para Suécia na corrida armamentista Indiana


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 Por - Sanjeev Miglani e Mike Collett-White
Tradução, adaptação e edição - Nicholle Murmel

 

No dia dez (10) de junho, Índia e Suécia negociaram acerca de uma atuação maior das empresas nórdicas no setor de defesa indiano, incluíndo aeronaves de caça estimadas em bilhões de dólares, após o retrocesso de um acordo com a francesa Dassault.

A companhia sueca Saab retornou à corrida para equipar os esquadrões obsoletos da Força Aérea indiana após o primeiro-ministro, Narendra Modi, ter assinado acordo para a aquisição de 36 unidades do caça francês Rafale em vez de 126 como previsto anteriormente. O motivo foi a diminuição de custos.

A Saab ofereceu produção local do seu monomotor Gripen, dentro do proframa “feito na Índia” de Modi, depois de outra proposta sueca ter sido rejeitada em favor da aeronave francesa.

O Ministro da Defesa sueco, Peter Hultqvist, participou de negociações com membros do governo indiano em Nova Deli, e – após um hiato de quatro anos – deveria se encontrar com o ministro da defesa indiano, Manohar Parrikar, para retomar as conversas acerca do fornecimento de equipamentos para o setor.

Para Navtej Sarna, secretário do Ministério de Relações Exteriores indiano, com Nova Deli permitindo participação estrangeira de até 49% na área de defesa, a Estocolmo se volta para o país asiático como base industrial.

Um representante do MD indiano declarou que a Suécia demonstrou interesse em se envolver com uma variedade de produtos militares para além de aeronaves, por exemplo estaleiros no país onde serão construídas as novas gerações de navios de superfície e submarinos para a Marinha indiana.

 “Eles são muito favoráveis a fazer negócios aqui”, declarou o representante, que não quis ser identificado, conforme política do MD.

A Saab não quis comentar a oferta do Gripen para a Índia, afirmando que prefere esperar que o país revele quaisquer planos futuros de aquisição.

Entre 2010 e 2014, a Índia foi o maior comprador de armas, de acordo com dados do SIPRI. (Stockholm International Peace Research Institute ). O país importou três vezes mais armamentos do que a China para equipar suas forças para uma guerra de duas frentes, uma delas com o Paquistão.

Assim como a França e a Suécia, os Estados Unidos também têm participação ativa no setor de defesa indiano, e foram um dos três maiores fornecedores de armamentos para o país nos últimos três anos, em parte para fazer frente à tradicional hegemonia da Rússia no mercado de Nova Deli.

Mas o ministro Modi prometeu acabar com a dependência indiana da importação de armamentos, alegando que ela enfraquece a autonomia estratégica nacional, e prometeu ainda construir uma base industrial de defesa.

A falha francesa

Um dos motivos pelos quais o acordo com a Dassault travou foi a incapacidade de a companhia francesa e a parceira estatal indiana, a Hindustan Aeronautics, concordarem com os termos, que previam que 108 das 126 aeronaves Rafale seriam fabricadas em solo indiano.

O presidente da Saab India, Lars-Olof Lindgren, disse em entrevista ao portal especializado indiano StartPost ano passado, que a empresa já havia feito prospecções para uma linha de montagem do Gripen no país. “Já temos um plano de fabricação na Índia para nossa aeronave”, disse. “Já temos os projetos para uma fábrica... Como ela seria e como seria o fluxo de produção. Também planejamos que subsidiárias ficassem na mesma área”.

A Força Aérea Indiana afirma que precisa de 42 esquadrões para enfrentar a ameaça de rivais com armas atômicas – Paquistão e China – mas por conta dos anos de atraso e restrição orçamentária, a meta atual é de 34 esquadrções, cada um com cerca de 18 aeronaves. A razão principal para os planos mais modestos é que, uma aeronave de combate leve (LCA na sigla em inglês) 100% nacional ainda não está nem perto de ser realidade, mesmo 32 anos após o projeto ser proposto.

A Saab ofereceu ajudar no desenvolvimento de uma nova versão do LCA, que o governo de Modi diz ainda ser a maior prioridade da Força Aérea no longo-prazo.

O ministro da Defesa Parrikar disse ao Parlamento indiano em março deste ano que os parâmetros para o LCA eram melhores do que o de concorrentes estrangeiros em termos de propulsão e velocidade. A única aeronave com aspectos técnicos melhores foi o Gripen sueco apesar do custo ser maior, afirmou o ministro.
 
“O governo não vai abandonar a iniciativa do LCA, seria suicídio político”, disse o vice-Marechal  Manmohan Bahadur. “Eles podem, no entanto, buscar apoio de fontes externas, para os componentes aviônicos, etc”.



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