COBERTURA ESPECIAL - Guerra Hibrida Brasil - Pensamento

29 de Maio, 2018 - 08:00 ( Brasília )

Comentário Gelio Fregapani - Tempos de incerteza



Tempos de incerteza

 
Uma justa reivindicação dos caminhoneiros, por conta do desprestigio do governo Temer e mesmo da indignação geral com as corrupções, com o Governo entreguista, com um Congresso safado e com o STF venal, transformou-se num movimento apoiado pela população apesar do inequívoco prejuízo à economia e ao bem-estar geral.

Além das justas pretensões dos rodoviários haveria outros motivos quer para os grevistas quer para os apoiadores, tais como o desencanto com o governo de “coalizão” (o toma lá – dá cá) resultando em Ministros corruptos venais e incompetentes e na destruição das empresas nacionais e mesmo da economia. O fato é que o movimento pegou e tem potencial até de derrubar o Governo e/ou de transformar a política econômica.

Obviamente temos uma crise que traz em seu bojo perigos e oportunidades; num cenário provável o Governo cederá às reivindicações e tudo quase voltará ao que era antes, descontando o prejuízo de alguns bilhões e a uma maior ainda desmoralização de um Governo já desmoralizado. Em um cenário não menos possível o Presidente cairá, o que corresponde a um desejo difuso de 90% da população, o que comportaria dois principais subcenários: uma sucessão legal via novo impeachment ou via revolucionária.

Quando do impeachment de 2017 a massa pensava que bastava retirar a  Dilma para tudo melhorar. Logo se viu que, embora se tenha freado  maléfica esquerdização, a economia desandou e o entreguismo atingiu níveis nunca vistos desiludindo todos os patriotas. Agora é bom pensar se a troca do Temer por seus substitutos legais (Presid.  da Câmara, do Senado e do STF, nessa ordem) não seria ainda pior – é só lembrar quem será o próximo presidente do STF.

Em um novo impeachment correríamos o mesmo risco de substituirmos um mau governo por outro pior, mas numa secessão por via revolucionária é que se concentram os maiores riscos e as melhores oportunidades. Estas seriam potencializadas se o prolongamento da greve levar o País a uma situação em que o povo exija uma intervenção militar e que o próprio governo reconheça a necessidade.

Isto permitiria por em prática planos há tempo montados, saneando a economia, acabando com o excessivo número de assessores de parlamentares e de juízes e evitando a desnacionalização da Eletrobras, da Petrobras e de outras empresas estratégicas. Seria uma excelente oportunidade até as eleições.

Entretanto existe também perigos em uma sucessão revolucionária; ao que parece nossos atuais dirigentes não se ilustraram sobre a psicologia das multidões e sobre a sua instabilidade e capacidade de destruição e por momentos a provocaram inconsequentemente.  É só imaginar o que aconteceria se, face uma agressão da repressão, os caminhoneiros abrissem os tanques de combustíveis e ateassem fogo?

Num caso desses os dirigentes e assessores talvez perdessem a vida e não se sabe se o Brasil sairia inteiro.

Felizmente isto não acontecerá, pois o nosso Exército não se prestará a funções de capitães do mato. Sabe-se bem que ordens erradas não se executam. Se houver agressões não será da parte do Exército. Pelo menos é o que se espera.

Aproveitemos a crise

Com a alta dos combustíveis e a greve dos caminhoneiros, muitas pessoas começam a se questionar: Se o Brasil tem petróleo suficiente até para exportar, se há uma grande empresa petroleira nacional, se essa petroleira refina o próprio petróleo, então porque precisamos pagar preços do mercado internacional? A resposta é muito fácil. Desde que se implantou a política antinacional de FHC, a Petrobrás foi obrigada a ter “parceiros” internacionais na exploração dos campos que ela descobriu. Além disso, ele vendeu (doou) 30% das ações da empresa no mercado internacional.

A colocação das ações da empresa na Bolsa de Nova Iorque submeteu a Petrobrás automaticamente à soberania, e particularmente à Justiça norte-americana, sendo que os acionistas podem alegar, a qualquer tempo, perdas devidas a iniciativas da estatal definidas pelo Governo brasileiro, como a própria política de preços exige.

Em paralelo começaram os leilões de nossas reservas petrolíferas e em muitos campos já não há nem participação minoritária da Petrobrás. Posteriormente, José Serra conseguiu aprovar no senado uma lei que “dispensa” a Petrobrás de ter o mínimo de 30% dos campos do pré-sal por ela descobertos.

Em função dessas medidas fica fácil ver que a Petrobrás não pode precificar o petróleo dela por um preço adequado a realidade brasileira. Ela não é dona dos poços que descobriu em território brasileiro com as tecnologias que ela mesmo desenvolveu e quanto mais caro cobrar maior lucro dará aos acionistas.

Foi a combinação do FHC por ocasião da venda de ações em Nova Iorque que a venda de derivados no Brasil seria por preço internacional e é por isto que ele se recusa a baixar o preço, enquanto ficamos aqui bradando apenas contra a corrupção nos distraímos de outras coisas também importantes e a caravana passa levando o nosso petróleo e o nosso futuro.

Os dirigentes da Petrobrás, com o aval do Presidente, reduziram as cargas das nossas refinarias permitindo a importação de derivados por terceiros, pois com menos derivados próprios fica aberta a porta para a importação. Pior ainda, se desfazem de lucrativas parcelas como a BR Distribuidora e da fábrica de fertilizantes, a única que o Brasil tem. (Sendo um dos maiores exportadores do agronegócio do mundo importamos quase a totalidade de fertilizantes usados aqui) Isto é para nós brasileiros mais uma vergonha; é uma grave vulnerabilidade.

Desnacionalizar a Petrobras é prejudicar qualquer possibilidade de desenvolvimento. É renunciar ao nosso projeto de uma nação desenvolvida e até mesmo de ser uma nação independente. A população ainda não se deu conta de como será lesada pela privatização (sinônimo de desnacionalização pois não há empresa brasileira com cacife para comprá-la).

Se esse governo fosse menos entreguista certamente faria uma campanha esclarecendo a população a dar preferência aos produtos nacionais produzidos com capital brasileiro, pois do contrário o lucro irá para fora. É possível observar exemplos como Irlanda, Noruega, Japão, populações abertas e simpáticas,

MAS que só compram produtos nacionais, com leis que privilegiam o produtor interno e o gerador de empregos dentro do país e principalmente com políticos nacionalistas, pouco preocupados com o próprio enriquecimento pessoal ou abertura total para outros países em troca de apoio político e econômico. Evitar a desnacionalização e mesmo recuperar a parte já desnacionalizada da Petrobras é a grande oportunidade que esta crise nos oferece.

 Que Deus permita que esta crise nos traga algo de bom.

 Gelio Fregapani

 

Nota DefesaNet

DefesaNet traz um ponto ao Comentário do Cel R1 Gelio Fregapani:


1 - A Petrobras FALIU sob as administrações do Partido dos Trabalhadores. Muitas das medidas adotadas foram sob a emergência de não perder a empresa toda.



 


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