16 de Maio, 2011 - 09:25 ( Brasília )

Geopolítica

Protestos árabes nas fronteiras de Israel deixam pelo menos 15 mortos

Centenas de refugiados palestinos na Síria atravessam a fronteira, infiltram-se em vilarejo dominado pelo Exército israelense e entram em confronto com os militares; protestos violentos foram registrados ainda nas divisas com Gaza e Líbano

Pelo menos 15 pessoas foram mortas ontem - segundo cifras da agência Reuters, com base em fontes palestinas - em vários incidentes com soldados israelenses nas fronteiras de Israel com seus vizinhos árabes. Apesar de militares israelenses terem reforçado ontem a segurança por causa do "Dia da Catástrofe" (ou Nakba, em árabe), a sequência de confrontos, em diversos pontos da linha de fronteira, foi qualificada como "sem precedentes".

Os conflitos mais graves foram registrados nos limites com a Síria, o Líbano e a Faixa de Gaza. O primeiro-ministro israelense, Binyamin Bibi Netanyahu, foi à TV para justificar a ação dos militares. Ele disse ter pedido aos soldados que agissem com "o máximo de comedimento". "Mas que ninguém se engane: Israel está determinado a defender seu território e sua soberania". Bibi disse ainda que os protestos "não são apenas pelo retorno às fronteiras de 1967, mas também pela destruição de Israel".

Na ação mais surpreendente, centenas de manifestantes vindos da Síria - refugiados palestinos - iniciaram um protesto no povoado druso de Majdal Shams, nas Colinas do Golã, derrubaram uma barreira de metal e se infiltraram em território israelense. Desde 1967, após a Guerra dos Seis Dias, o vilarejo é dominado por Israel. Somente nesse episódio, os confrontos deixaram dois mortos e dezenas de feridos. Após algumas horas de confusão, todos os cidadãos sírios retornaram ao país, mas prometeram voltar para libertar os territórios palestinos.

As forças de segurança da Síria não interferiram na atuação israelense. "Fizemos História. Concretizamos o direito de retorno dos refugiados palestinos às suas terras, ainda que apenas por algumas horas", afirmou Salman Fakrizan.

Na fronteira com o Líbano também houve tiroteio e confusão. Pelo menos 4 pessoas foram mortas e 30 ficaram feridas. Os Exércitos israelense e libanês apresentaram versões contraditórias sobre o incidente. De acordo com Tel-Aviv, os manifestantes teriam sido mortos pelas forças de segurança libanesas.

Na Faixa de Gaza, milhares de palestinos participaram de uma marcha na direção da passagem fronteiriça de Erez e foram dispersados por militares israelenses. Uma pessoa morreu e dezenas ficaram feridas.

Também houve protestos e confrontos na Cisjordânia. O principal foco de violência foi em Qalandia, na entrada de Ramallah, onde palestinos atiraram pedras nos soldados e queimaram pneus. Os militares responderam com gás lacrimogêneo e balas de borracha. Numa marcha no centro de Ramallah não houve confronto. Manifestações semelhantes foram empreendidas na Jordânia e no Egito.

No sábado, um caminhoneiro árabe-israelense bateu com seu veículo em vários carros e atropelou pedestres ao longo de 2 quilômetros de uma via central de Tel-Aviv, em um incidente que deixou 1 morto e 20 feridos. O caso é investigado e há a suspeita de motivação ideológica.