22 de Novembro, 2004 - 12:00 ( Brasília )

Geopolítica

A Visita do Presidente Putin e o F-X


 

A Visita do Presidente Putin e o F-X
O Judoca imobiliza o Planalto 

Nelson Düring
Editor-chefe DefesaNet

   
A passagem do Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin por Brasília, no dia de ontem (22NOV04), serviu para mostrar as habilidades de judoca aplicadas com maestria no Planalto Central.
   
Embora todas as tentativas de lançar fumaça e confundir os visitantes na busca do que eles mais procuravam: notícias e posições do governo brasileiro sobre o Projeto F-X, e o futuro do Sukhoi Su-35 nessa competição, o Presidente Putin navegou com segurança e aplicou golpes certeiros no Planalto.
   
Como homem de inteligência (ex-KGB), e usando o princípio do judô de usar a força do adversário para derrubá-lo, Putin   conseguiu imobilizar um Planalto atônito. Tudo pensado e planejado com resultados que pegaram o governo brasileiro de surpresa: do elogio ao Ministro da Fazenda Palocci, à manutenção do embargo da importação da  carne brasileira (bovina, suína e avícola). Nesse campo aplicou o seu maior golpe ao premiar velhos aliados como o Governador de Santa Catarina Luis Henrique (assinou acordos com o Balé Bolshoi quando prefeito de Joinville, e acompanhou a missão do então Vice-presidente à Moscou, em Outubro), e novo aliados no governo.
   
Da parte do governo o que foi apresentado é exatamente o que DefesaNet / Zero Hora apresentaram em 08 Abril de 2004. Comparemos o que o Vice-Presidente disse ontem em conversa para a imprensa:

 — "Nesse setor, a tecnologia se desenvolve muito rapidamente. Se comprarmos os caças agora, teremos que esperar ainda algum tempo até que eles sejam entregues. E aí, corremos o risco de receber aviões já defasados" — disse Alencar, que participou de almoço no Itamaraty em homenagem a Putin.  Jornal O Globo 23 Novermbro 2004

"O governo analisa a hipótese de cancelar a compra dos novos caças supersônicos, conhecido como programa F-X. O anúncio da empresa vencedora da licitação - para comprar aeronaves que substituiriam os Mirage III - estava previsto para este mês, mas cresce dentro do governo e da Força Aérea Brasileira (FAB) a tese de buscar uma alternativa diante da falta de recursos orçamentários do país.

Além disso, os novos aviões seriam entregues em três anos, quando uma nova geração de supersônicos estaria surgindo. Ou seja, o governo estaria investindo US$ 700 milhões num modelo inferior." Zero Hora / DefesaNet 08 Abril 2004
   
Transcorrido 8 meses, com um novo ministro o governo brasileiro foi surpreendido, ao não dar uma resposta oficial, foi imobilizado pelo visitante que tinha poucas armas em seu arsenal. Que  poderão fazer os demais competidores: França, Estados Unidos, Suécia (e podemos mencionar outros países com interesses no F-X e demais projetos como Espanha, Alemanha,etc)?  
   
Um governo que não leu o artigo da Novosti mencionando os enormes desafios da consolidação da indústria aeronáutica russa, como passar 1,5 milhão de empregados na Guerra Fria para os 500 mil de hoje, faturando 3-4 bilhões de dólares frente aos 32 bilhões de dólares e 180 mil funcionários da Boeing. Ou 60 bilhões de Euros e 400 mil funcionários das indústrias aeronáuticas européias.  
       
Nas palavras de Klécio Santos os desafios ao Planalto estão claros:
    
"Caberá ao vice-presidente e atual ministro da Defesa, José Alencar, desatar esse nó. Ele já visitou as instalações da fabricante russa de aviões militares e hoje à noite será recebido com um jantar pelo comando da Aeronáutica. A ocasião servirá para Alencar revelar o tamanho do punhal que Putin colocou na garganta de Lula. O principal trunfo russo ainda é o seu mercado de carnes, mais do que a qualidade do seu avião, um dos mais avançados do mundo." Klécio Santos ZH 23NOV04

Nota – No F-X os finalistas foram: o russo Sukhoi SU-35, o sueco SAAB Gripen JAS39 C/D e o francês Dassault Mirage BR.