15 de Fevereiro, 2013 - 10:03 ( Brasília )

Geopolítica

Rússia conquista novos setores no mercado mundial de armamento


Em 2012, os mais importantes fornecimentos de armas russas corresponderam a países do Sudeste Asiático e da Região Asiática do Pacífico, declarou o diretor-geral da Rosoboronexport, Anatoli Isaikin. Este mercado recebeu 43% do volume total da exportação de armamentos, equipamentos e serviços.

O Oriente Médio e Sudeste Asiático e a Norte da África  são o segundo maior mercado, seguido por países da América Latina e da CEI. Ao mesmo tempo, no ano passado, equipararam-se os fornecimentos militares correspondentes a países da CEI e à China.

O redator-chefe da revista Natsionalnaya Oborona (Defesa Nacional), Igor Korotchenko, explicou assim a manutenção de uma alta demanda de armamentos russos na Ásia:

“A região tem um alto potencial de conflitos por causa de problemas territoriais pendentes em torno de ilhas e setores da plataforma continental, em que é possível a extração industrial de hidrocarbonetos. Neste contesto, naturalmente, assiste-se a uma tendência de crescimento de orçamentos militares de muitos países. Levando em consideração este fenômeno, é notável o interesse crescente em assinar contratos integrais de fornecimento de armamentos.

Em primeiro lugar, devemos destacar o segmento de aviões de caça. É alta também a demanda de submarinos diesel. Basta mencionar um contrato assinado com o Vietnã para a construção de seis submarinos deste tipo. Continuam a ser fornecidas fragatas, corvetas e lanchas porta-mísseis. É grande o interesse em relação a sistemas e complexos de defesa antiaérea e veículos blindados russos.”

Em 2012, um alto interesse entre clientes estrangeiros foi despertado pelo submarino convencional Amur 1650 de última geração, comunicou o diretor-geral da Rosoboronexport, Anatoli Isaikin. Três dos dez países, que têm planos de modernizar ou de formar frotas submarinas e aos quais foram propostas projetos russos, já fizeram opção a favor do Amur 1650. Viktor Baranets, perito militar, considera este fato como alta avaliação de tecnologias russas:

“É agradável, naturalmente, que clientes estrangeiros escolheram o Amur. Este submarino merece de fato os elogios. Em comparação com outros submarinos análogos no mundo, o Amur 1650 desenvolve uma boa velocidade, tem bons armamentos e uma hélice bastante silenciosa. O submarino tem uma grande vantagem por ser equipado com um sistema independente de propulsão da atmosfera (AIP), que elimina o ponto fraco de todos os submarinos diesel, que trabalham em acumuladores e devem emergir para carrega-los. Tal significa que o submarino pode ser descoberto, sendo capaz de efetuar navegação autônoma só por um tempo limitado. Tal sistema ajuda a resolver este problema.”

A Síria ocupou no ano passado 13º e 14º lugares na exportação de armamentos russos. O diretor-geral da Rosoboronexport comunicou que a companhia fornece à Síria sistemas de DAM e equipamentos de reparação para diferentes armamentos. A Rússia não exporta aviões a este país. Anatoli Isaikin assinalou que o contrato de fornecimento de aviões de treino e de combate Yak 130 não é anulado, mas os fornecimentos estão por enquanto suspensos. A companhia tem ainda alguns contratos não cumpridos com a Síria, mas o chefe da Rosoboronexport não quis revelá-los, alegando o caráter confidencial dos acordos.

Anatoli Isaikin comunicou ainda que a Rosoboronexport discute com as autoridades do Mali a possibilidade de fornecer lotes adicionais de armas portáteis. O último lote foi fornecido há duas semanas. Além disso, a República do Mali tem interesse em comprar à Rússia helicópteros e veículos blindados.