06 de Fevereiro, 2013 - 09:38 ( Brasília )

Geopolítica

OBAMA - Discurso de posse do segundo mandato

O discurso de posse do segundo mandato do presidente Barack Obama merece ser lido e avaliado o que será o novo período pesidencial.


Discurso de posse do segundo mandato do presidente Barack Obama

Capitólio dos Estados Unidos
21 de janeiro de 2013
Washington, DC



PRESIDENTE: Vice-presidente Biden, senhor presidente do Supremo Tribunal, membros do Congresso dos Estados Unidos, ilustres convidados e concidadãos:

Cada vez que nos reunimos para a posse de um presidente, testemunhamos a força duradoura da nossa Constituição. Afirmamos a promessa da nossa democracia. Recordamos que o que une esta nação não é as cores da nossa pele ou os princípios de nossa fé ou as origens de nossos nomes. O que nos torna excepcionais – o que nos faz americanos – é a nossa fidelidade a uma ideia articulada em uma declaração feita há mais de dois séculos:

“Consideramos estas verdades como autoevidentes, que todos os homens são criados iguais, que são dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis; entre estes a vida, liberdade e busca da felicidade.”

Hoje continuamos uma jornada sem fim de construir uma ponte entre o significado dessas palavras e as realidades do nosso tempo. Porque a história nos diz que essas verdades podem ser autoevidentes, mas nunca foram autoexecutáveis; que apesar de a liberdade ser um dom de Deus, ela deve ser garantida por Seu povo aqui na Terra. (Aplausos.) Os patriotas de 1776 não lutaram para substituir a tirania de um rei pelos privilégios de uns poucos ou pelo jugo das multidões. Eles nos deram uma república, um governo de, e por, e para o povo, confiando em cada geração para manter em segurança o nosso credo fundador.

E, por mais de duzentos anos, nós fizemos isso.

Através de sangue derramado pelo chicote e sangue derramado pela espada, aprendemos que nenhuma união fundada sob os princípios de liberdade e igualdade poderia sobreviver metade escrava e metade livre. Nós nos reinventamos, e prometemos avançar juntos.

Juntos, determinamos que uma economia moderna exige ferrovias e rodovias para acelerar viagens e comércio, escolas e faculdades para treinar nossos trabalhadores.

Juntos, descobrimos que um mercado livre só prospera quando há regras para garantir a competição e o fair play.

Juntos, decidimos que uma grande nação deve cuidar dos mais vulneráveis ??e proteger seu povo dos piores perigos e infortúnios da vida.

Por tudo isso, nunca abandonamos nosso ceticismo com relação a uma autoridade central, nem sucumbimos à ficção de que todos os males da sociedade podem ser curados pelo governo apenas. Nossa celebração da iniciativa e do empreendedorismo, nossa insistência no trabalho duro e na responsabilidade pessoal, são constantes em nosso caráter.

Mas sempre entendemos que quando os tempos mudam, também devemos mudar; que a fidelidade aos nossos princípios fundadores exige novas respostas para novos desafios; que preservar nossas liberdades individuais, em última análise, requer uma ação coletiva. Porque o povo americano não consegue mais atender às demandas do mundo atual agindo sozinho, assim como os soldados norte-americanos não poderiam ter enfrentado as forças do fascismo ou do comunismo com mosquetes e milícias. Nenhuma pessoa sozinha pode treinar todos os professores de matemática e de ciências que vamos precisar para preparar nossas crianças para o futuro, ou construir as estradas e redes e laboratórios de pesquisa que irão criar novos empregos e negócios para o nosso país. Agora, mais do que nunca, precisamos fazer essas coisas juntos, como uma única nação e um único povo. (Aplausos.)

Esta geração de americanos tem sido testada por crises que forjaram nossa determinação e provaram nossa resistência. Uma década de guerra agora está acabando. (Aplausos.) A recuperação econômica começou. (Aplausos.) As possibilidades dos Estados Unidos são ilimitadas, porque possuímos todas as qualidades que esse mundo sem fronteiras exige: juventude e entusiasmo; diversidade e abertura; uma capacidade sem fim de se arriscar e uma dádiva da a reinvenção. Meus compatriotas, fomos feitos para este momento, e vamos aproveitá-lo – desde que o façamos juntos. (Aplausos.)

Pois nós, o povo, sabemos que o nosso país não pode ter êxito quando um grupo cada vez menor é muito bem-sucedido e um número grande e crescente de pessoas mal consegue sobreviver. (Aplausos.) Acreditamos que a prosperidade dos Estados Unidos precisa repousar nos ombros largos de uma classe média emergente. Sabemos que os Estados Unidos prosperam quando todas as pessoas podem encontrar independência e orgulho em seu trabalho; quando os salários do trabalho honesto resgatam as famílias da beira da miséria. Somos fiéis à nossa crença quando uma menina nascida na pobreza mais desanimadora sabe que ela tem a mesma chance de ter sucesso na vida como qualquer outra pessoa, porque ela é uma americana; ela é livre e ela é igual, não só aos olhos de Deus mas também aos nossos. (Aplausos.)

Entendemos que os programas antiquados são inadequados para as necessidades do nosso tempo. Portanto, precisamos de novas ideias e tecnologia para refazer o nosso governo, reformar o nosso código fiscal, reformar as nossas escolas e capacitar nossos cidadãos com as habilidades que eles precisam para trabalhar mais, aprender mais, subir mais alto. Mas, apesar de os meios mudarem, nosso objetivo permanece: um país que recompensa o esforço e a determinação de cada um dos americanos. Isso é o que o momento exige. Isso é o que dará um significado real à nossa crença.

Nós, o povo, ainda acreditamos que todo cidadão merece uma medida básica de segurança e dignidade. Precisamos fazer escolhas difíceis para reduzir o custo da assistência médica e o tamanho do nosso déficit. Mas rejeitamos a ideia de que os Estados Unidos têm que escolher entre cuidar da geração que construiu este país e investir na geração que irá construir seu futuro. (Aplausos.) Porque nos lembramos das lições do nosso passado, quando os últimos anos da vida eram passados na pobreza, e os pais de uma criança com deficiência não tinham a quem recorrer.

Não acreditamos que neste país a liberdade seja reservada para aquelas pessoas com sorte, ou a felicidade, para poucos. Reconhecemos que não importa quão responsavelmente vivamos nossas vidas, qualquer um de nós, a qualquer momento, pode enfrentar o desemprego, ou uma doença súbita, ou uma casa varrida por uma terrível tempestade. Os compromissos que fazemos uns com os outros através do Medicare, Medicaid e Seguridade Social, essas coisas não minam a nossa iniciativa, mas nos fortalecem. (Aplausos.) Eles não nos tornam uma nação de aproveitadores; nos libertam para que possamos assumir os riscos que tornam este país grande. (Aplausos.)

Nós, o povo, acreditamos que nossas obrigações como americanos não são apenas para com nós mesmos, mas para com toda a posteridade. Reagiremos à ameaça das mudanças climáticas, sabendo que se falharmos em fazê-lo estaremos traindo nossas crianças e as futuras gerações. (Aplausos.) Alguns ainda podem negar o esmagador julgamento da ciência, mas ninguém pode evitar o impacto devastador dos violentos incêndios, da seca que paralisa o campo e das tempestades mais poderosas.

O caminho em direção às fontes de energia sustentáveis será longo e às vezes, difícil. Mas os Estados Unidos não podem resistir a essa transição, precisamos liderá-la. Não podemos ceder a outras nações a tecnologia que alimentará novos empregos e novas indústrias, temos que reivindicar sua promessa. É assim que manteremos nosso vigor econômico e nossa riqueza nacional – nossas florestas e cursos d'água, nossas terras cultiváveis e picos cobertos de neve. É assim que preservaremos nosso planeta, que Deus deixou aos nossos cuidados. Isso é o que vai dar sentido à crença que nossos pais uma vez declararam.

Nós, o povo, ainda acreditamos que segurança e paz duradouras não necessitam de guerra perpétua. (Aplausos.) Os nossos corajosos homens e mulheres em uniforme, temperados pelas chamas da batalha, são incomparáveis ??em habilidade e coragem. (Aplausos.) Nossos cidadãos, marcados pela memória daqueles que perdemos, sabem muito bem o preço que se paga pela liberdade. O conhecimento de seu sacrifício nos manterá para sempre vigilantes contra aqueles que nos poderiam fazer o mal. Mas também somos herdeiros de quem ganhou a paz, e não apenas a guerra; que transformou inimigos jurados no mais certo dos amigos – e que devemos trazer essas lições para este tempo também.

Defenderemos nosso povo e sustentaremos nossos valores pela força das armas e pelo Estado de Direito. Teremos a coragem de tentar resolver nossas diferenças com outros países pacificamente – não porque somos ingênuos quanto aos perigos que se apresentam, mas porque o envolvimento pode acabar com a suspeita e o medo de maneira mais duradoura. (Aplausos.)

Os Estados Unidos continuarão a ser uma âncora de alianças fortes em todos os cantos do planeta. E renovaremos aquelas instituições que estendem nossa capacidade de gerenciar crises no exterior, porque ninguém tem mais interesse em um mundo pacífico do que sua mais poderosa nação. Apoiaremos a democracia da Ásia à África, das Américas ao Oriente Médio, porque nossos interesses e nossa consciência nos obrigam a agir em nome daqueles que anseiam pela liberdade. E precisamos ser uma fonte de esperança para os fracos, os doentes, os marginalizados, as vítimas de preconceito – não por simples caridade, mas porque a paz em nosso tempo requer o constante avanço daqueles princípios que nossa crença comum descreve: tolerância e oportunidade, dignidade humana e justiça.

Nós, o povo, declaramos hoje a mais evidente das verdades – que todos somos criados iguais – é a estrela que ainda nos guia; assim como guiou os nossos antepassados por Seneca Falls, e Selma, e Stonewall; assim como guiou todos aqueles homens e mulheres, conhecidos e anônimos, que deixaram suas pegadas ao longo desta grande alameda, para ouvir um pregador dizer que não podemos caminhar sozinhos; ouvir um Rei proclamar que nossa liberdade individual está inextricavelmente ligada à liberdade de todas as almas da Terra. (Aplausos.)

É a tarefa da nossa geração continuar o que os pioneiros começaram. Porque nossa jornada não estará completa até que nossas mulheres, nossas mães e filhas possam ganhar de acordo com seus esforços. (Aplausos.) Nossa jornada não estará completa até que nossos irmãos e irmãs homossexuais sejam tratados como qualquer outra pessoa no âmbito da lei – (aplausos) – porque se somos realmente criados iguais, então certamente o amor que dedicamos uns para com os outros também deve ser igual. (Aplausos.) Nossa jornada não estará completa até que nenhum cidadão tenha que esperar horas para exercer seu direito de votar. (Aplausos.) Nossa jornada não estará completa até encontrarmos um modo melhor de recepcionar os esforçados e esperançosos imigrantes que ainda veem os Estados Unidos como a terra da oportunidade – (aplausos) – até que os brilhantes jovens estudantes e engenheiros sejam alistados em nossa força de trabalho, em vez de serem expulsos do país. (Aplausos.) Nossa jornada não estará completa até que todas as nossas crianças, das ruas de Detroit aos montes Apalaches, às tranquilas alamedas de Newtown, saibam que são cuidadas e amadas e que estão sempre seguras.

Esta é a tarefa da nossa geração – tornar essas palavras, esses direitos, esses valores de vida e liberdade e a busca da felicidade real para todos os americanos. Ser fiel aos nossos documentos de fundação não exige que concordemos com todos os contornos da vida. Não significa que precisamos todos definir a liberdade exatamente da mesma forma ou que sigamos exatamente o mesmo caminho para a felicidade. O progresso não nos obriga a decidir de uma vez por todas debates seculares sobre o papel do governo, mas exige ação no nosso tempo. (Aplausos.)

Porque agora é hora de decidir e não podemos tardar. Não podemos confundir absolutismo com princípios, ou substituir espetáculo por política, ou tratar ofensas como um debate razoável. (Aplausos.) Precisamos agir, sabendo que nosso trabalho será imperfeito. Precisamos agir, sabendo que as vitórias de hoje serão apenas parciais e que será responsabilidade daqueles que aqui estarão em quatro anos, em 40 anos e em 400 anos, seguir adiante com o espírito atemporal que nos foi certa vez conferido em um simples salão da Filadélfia.

Meus concidadãos americanos, o juramento que fiz perante vocês hoje, assim como aquele recitado por outros que servem neste Capitólio, foi um juramento para Deus e para o país, não para um partido ou facção. E precisamos executar fielmente esse compromisso no transcorrer do nosso serviço. Mas as palavras que pronunciei hoje não são tão diferentes do juramento que é feito cada vez que um soldado se alista ou que um imigrante realiza seu sonho. Meu juramento não é tão diferente daquele que fazemos à bandeira que tremula sobre nós e que enche nossos corações de orgulho.

São as palavras dos cidadãos e representam nossa maior esperança. Vocês e eu, como cidadãos, temos o poder de determinar o curso deste país. Vocês e eu, como cidadãos, temos a obrigação de moldar os debates do nosso tempo – não apenas com os votos que depositamos, mas com as vozes que erguemos em defesa dos nossos mais antigos valores e ideais duradouros. (Aplausos.)

Vamos, cada um de nós, assumir como dever solene e com enorme alegria o que é nosso direito de nascença permanente. Com esforço e propósito comuns, com paixão e dedicação, vamos atender ao chamado da história e levar para um futuro incerto a preciosa luz da liberdade.

Obrigado. Deus os abençoe, e que ele possa abençoar sempre os Estados Unidos da América. (Aplausos.)