26 de Janeiro, 2013 - 12:01 ( Brasília )

Geopolítica

Os militares, elementos essenciais nas missões de paz


Capitão-de-Mar-e-Guerra Claudio Escalona Encalada,
Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Chile*

As missões de paz, por ordem das Nações Unidas, são normalmente formadas por contingentes militares e policiais sob uma doutrina e organização próprias para o desempenho desses tipos de operações de não guerra. As Forças Armadas, a meu ver, são a instituição melhor preparada para contribuir com a paz, já que possuem uma formação moral e militar de alto nível.

Dentro das Forças Armadas existem diversos tipos de unidades capacitadas para desempenhar as funções a elas designadas; essas funções podem ser de combate, aéreas, terrestres e marítimas, que têm autonomia, logística própria, que lhes permite a locomoção de forma rápida com seus meios de combate e logísticos.

As forças terrestres de combate são as mais expostas às ações militares diretas de primeira linha, com alto nível de estresse, e devem ser altamente doutrinadas para se sobreporem aos imprevistos, ter iniciativa e, por fim, estabilizar uma região desestabilizada. Isto se consegue com unidades profissionais, de alta coesão e com doutrina comum. A eficiência e a eficácia devem-se a sua baixa rotatividade, ao conhecimento entre os indivíduos, à confiança mútua e ao alto nível de treinamento.

No caso da experiência chilena em missões de paz e especificamente no Haiti, nossas forças militares gozam de alto prestígio, dado seu profissionalismo, espírito de união e notável senso de responsabilidade, com o apoio à política exterior do Estado do Chile: contribuir para a paz e a estabilidade regional.

As Forças Armadas chilenas enviaram mais de 15 contingentes militares formados por membros do Exército, Fuzileiros Navais e membros da Marinha do Chile, além de componentes da Força Aérea, que cumpriram integralmente sua missão.

A atual situação do Haiti é de uma frágil estabilidade, principalmente em função de sua baixa capacidade de governabilidade e organização de suas instituições públicas que, somando-se às exposições aos desastres naturais, podem desencadear, a qualquer momento, uma desestabilização de sua segurança interior. Essa situação também se vê afetada pela inexistência de forças militares haitianas, e o fato de que o país conta com uma força policial reduzida, com equipamentos e treinamento limitados.

Não devemos nos esquecer de que na paz não se justifica a perda de uma vida humana. Até o momento, o Chile não teve baixas nessas operações e devemos adotar todas as medidas para que isto não aconteça. A responsabilidade política será tomar a decisão de participar das missões mencionadas e as instituições sempre terão a responsabilidade de comando para enviar unidades profissionais, capacitadas para cumprir cabalmente suas tarefas, com altos conhecimentos no âmbito das operações de paz, direitos humanos, combate terrestre e um notável sentido de adaptação aos processos de recuperação da segurança e estabilidade de uma determinada região.

No Haiti, como em outras partes do mundo, hoje, mais do que nunca, as forças militares devem ampliar sua visão além do âmbito militar e aprender a conhecer melhor as organizações civis que trabalham pela paz. Toda operação de paz deve ser realizada entre agências, respeitando-se as instituições civis, sua experiência e seu modo de ver a realidade. As forças militares em operações de paz sempre serão uma grande contribuição para a política exterior do Estado, pois elas atuam como embaixadoras do país que representam.

*Os conceitos deste artigo partem da experiência do Capitão-de-Mar-e-Guerra Claudio Escalona Encalada, do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Chile, que atuou como observador militar das Nações Unidas no conflito árabe-israelense (2003) e como comandante do Batalhão Chileno na Missão de Estabilização da ONU no Haiti (MINUSTAH) em 2008. Atualmente, é oficial de ligação do Chile no Comando Sul dos Estados Unidos.