21 de Janeiro, 2013 - 10:11 ( Brasília )

Geopolítica

França e Mali continuam ofensiva contra grupos islamitas armados


O exército francês, com apoio das forças armadas do Mali, continua sua ofensiva contra os grupos islamitas armados que ocupam grande parte deste país e nesta segunda-feira entrou em Diabali, uma localidade que estava nas mãos dos islamitas.

Os 2.000 soldados franceses da operação Serval que já estão mobilizados no Mali consolidaram suas posições em Niono e Sevare, dois pontos estratégicos centenas de quilômetros a nordeste de Bamako.

Niono, 350 km a nordeste de Bamako, se localiza a 60 km de Diabali, uma região tomada no dia 14 de janeiro pelos islamitas que, segundo o exército malinense, foi abandonada em parte após os intensos bombardeios da aviação francesa.

Nesta segunda-feira, uma coluna de cerca de trinta veículos blindados, na qual havia cerca de 200 soldados malineses e franceses, entrou na cidade às 09h00 locais (07h00 de Brasília) sem encontrar resistência, indicou um jornalista da AFP que acompanha os militares.

O ministro da Defesa francês, Jean-Yves Le Drian, havia indicado no domingo que Diabali ainda não havia sido reconquistada. "Tudo parece indicar que a evolução de Diabali será positiva nas próximas horas", disse.

O exército malinês patrulhou no sábado os arredores da cidade, onde a situação não é muito clara, segundo um oficial francês, que explicou que, "ao que parece, os combatentes rebeldes deixaram a cidade".

Por sua vez, um coronel do exército malinês havia afirmado que uma "parcela da população de Diabali se uniu às teses jihadistas, razão pela qual devemos ser prudentes nas próximas horas".

Sevare, 630 km a nordeste de Bamako, que dispõe de um aeroporto, é outra cidade chave para o avanço das operações em direção às cidades do norte do país, como Timbuctu, Gao ou Kidal, ocupadas desde o fim de março de 2012 pelos grupos islamitas armados.

Várias fontes indicaram que os islamitas recuaram do centro do país em direção a Kidal, no extremo nordeste, a 1.500 km de Bamako, perto da fronteira argelina. Kidal foi a primeira cidade do norte conquistada pelos rebeldes tuaregues do Movimento Nacional para a Libertação de Azawad (MNLA) e pelos islamitas que, posteriormente, expulsaram os tuaregues.

No domingo, novos países responderam ao apelo por ajuda logística e financeira da Comunidade Econômica de Estados da África do Oeste (CEDEAO) para a mobilização da MISMA (Missão Internacional de Apoio ao Mali), que será composta por 5.800 militares de diferentes países da África.

O presidente da Comissão da CEDEAO, Desire Kadre Ouedraogo, pediu à comunidade internacional que se mobilize para financiar a MISMA. Segundo ele, uma primeira avaliação situa as necessidades em "500 milhões de dólares".

O financiamento das operações da MISMA era avaliado até agora entre 199 e 266 milhões de dólares. A União Europeia (UE) decidiu participar com 66 milhões de dólares.

Cerca de 2 mil membros da MISMA serão mobilizados antes de 26 de janeiro, mas até agora só chegaram a Bamako cerca de 150 soldados.

No domingo, o grupo islamita Ansar Dine (Defensores do Islã), aliado da Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQMI), forneceu seu primeiro balanço da guerra. O grupo, que afirma ter matado 60 soldados malineses e ter derrubado dois helicópteros franceses desde 10 de janeiro, também reconheceu a perda de oito mujahedines.

As autoridades malinesas informaram sobre a morte de 11 soldados em combates ao redor de Konna, enquanto Paris havia anunciado o falecimento de um piloto de helicóptero.

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