18 de Janeiro, 2013 - 08:50 ( Brasília )

Geopolítica

EUA se preparam para ajudar a França no Mali


Voice of America/Luis Ramirez


Autoridades do Pentágono dizem que os Estados Unidos estão se preparando para oferecer apoio logístico à França nas ofensivas aéreas que o país vem realizando contra os militantes islâmicos no norte do Mali.

O Pentágono já começou a auxiliar as forças francesas com inteligência para impedir os avanços dos militantes, mas os EUA advertem sobre ações que possam causar mais complicações à região.

Caças franceses vêm atacando ininterruptamente, atingindo campos de treinamento e outras posições tomadas pelos rebeldes islâmicos no norte do grande país da África Ocidental.

Oficiais do Pentágono disseram na semana passada que estão prestes a decidir o tipo de apoio logístico que será oferecido à França para o caso do Mali. As autoridades dizem que os EUA já estão disponibilizando dados de inteligência colhidos por veículos aéreos não tripulados que operam na região.

Falando durante um voo à Europa, o secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, elogiou a iniciativa da França de liderar a luta para expulsar os militantes do Norte e Oeste da África, incluindo a al-Qaida no grupo Magreb islâmico.

“Temos a responsabilidade de garantir que a al-Qaida não estabeleça uma base de operações na África do Norte e no Mali. Estamos muito preocupados com a AQIM (al-Qaida no Magreb Islâmico) e seus esforços para estabelecer uma base muito forte na área”, disse ele.

Panetta disse que prometeu ajudar a França, mas que esse apoio será limitado.

“Estamos nos concentrando basicamente em três áreas. A primeira é obviamente prestar apoio logístico limitado. A segunda é o apoio de inteligência, e a terceira algum tipo de transporte aéreo também”, disse ele.

Analistas dizem que há um motivo para que Washington não se esforce para desempenhar um papel mais direto no conflito. Thomas Dempsey é um coronel reformado do Exército dos EUA que trabalha no Centro Africano de Estudos Estratégicos do Departamento de Defesa.

“Devemos ser cautelosos no nosso desejo bem-intencionado de combater os extremistas violentos, para não atiçarmos o fogo do conflito civil no norte do Mali, para não encorajarmos os grupos locais a pegarem em armas uns contra os outros e para não aumentarmos a violência”, disse.

Os EUA pretendem perseguir os militantes ligados à al-Qaida na África. Seguindo a nova estratégia de defesa do presidente Obama, o país quer fazer isto sem intervenção direta, concentrando-se ao invés disto no treinamento dos militares das nações parceiras aliadas.

Os objetivos imediatos da França são deter o avanço dos militantes a fim de permitir a entrada dos grupos de paz africanos e começar a proteger o norte do Mali para um eventual retorno do controle do governo.

No entanto, depois do golpe militar do ano passado, não há no local um governo funcional e legítimo para reassumir o controle e não há qualquer plano de longo prazo, o que segundo Dempsey torna mais difícil uma assistência mais direta dos Estados Unidos.

“É preciso saber onde queremos chegar antes de começarmos. Não estou convencido de que todos os envolvidos aqui tenham uma visão clara daquilo que se quer atingir”, disse ele.

A intervenção da França foi uma solicitação dos líderes interinos malineses. O próximo passo será substituir esses líderes por um governo legítimo e estável capaz de assumir o controle do norte.

Antes que isto aconteça, os analistas dizem que o Mali terá que solucionar os problemas políticos que incluem as queixas latentes dos separatistas tuaregues, cuja rebelião, no ano passado, levou ao golpe e à tomada do norte pelos islâmicos.