05 de Dezembro, 2012 - 08:57 ( Brasília )

Geopolítica

Colômbia dá prazo de um ano às FARC para negociação de paz


O presidente colombiano Juan Manuel Santos fez uma advertência às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) no dia 2 de dezembro, estipulando prazo até novembro de 2013 para chegarem a uma negociação de paz em função das conversações recentemente abertas.

“Este deve ser um processo de meses e não de anos. Em outras palavras, o prazo máximo não pode ultrapassar o mês de novembro do próximo ano”, disse o presidente em um evento na cidade turística de Cartagena, no Caribe.

“No entanto, é importante sermos pacientes e não exigirmos resultados imediatos, porque esta é uma… mesa de negociações com algumas questões muito complexas a serem discutidas”, enfatizou Santos.

As FARC iniciaram formalmente as conversações com Bogotá no dia 18 de outubro na neutra Noruega. As negociações passaram para Havana em 19 de novembro e serão reiniciadas esta semana.

Trata-se de um conflito que vem se arrastando por quase meio século, com cerca de 600 mil mortos, 15 mil desaparecidos e quatro milhões de pessoas afastadas de suas residências.

No último dia 29 de novembro, o governo colombiano e os negociadores do grupo rebelde disseram que houve progresso nas primeiras conversações de paz em uma década, na tentativa de pôr fim ao mais longo conflito guerrilheiro da América Latina.

Os diálogos recomeçam em 5 de dezembro e continuarão seu foco na reforma agrária, o primeiro item da agenda, disseram as partes em uma declaração conjunta.

Ivan Márquez, o negociador número dois das FARC, disse que um acordo para a realização de um fórum público em Bogotá no próximo mês sobre desenvolvimento agrário – a distribuição desigual de terras é um problema que está há muito tempo na base do conflito – foi o melhor indício de que o processo está avançando.

Tentativas anteriores para a paz fracassaram. No último esforço, que durou de 1999 a 2002, o governo encerrou as conversações após concluir que as FARC estavam utilizando uma vasta zona desmilitarizada para se reagrupar.

Os rebeldes sofreram uma série de derrotas militares nos últimos anos e vários líderes foram capturados ou mortos. As fileiras das FARC também foram severamente esvaziadas em relação a seu apogeu, nos anos 90.

Além de chegarem a um acordo sobre posse de terras, ambas as partes precisam concordar também com um mecanismo para encerrar as hostilidades, incorporando as FARC à vida política, coibindo o tráfico de drogas e indenizando as vítimas do conflito.