10 de Novembro, 2012 - 11:49 ( Brasília )

Geopolítica

Sudeste Asiático é decisivo para as exportações russas de armamentos

Moscou está planejando assinar diversos contratos.

Ilya Kramnik

Os mercados do Sudeste Asiático continuam entre os mais importantes para as exportações de armas russas. Na exposição Indo Defense 2012 que abriu na Indonésia, um dos maiores fóruns de armas na região, a Rússia apresenta uma ampla gama de produtos militares e civis do complexo militar-industrial.

É nos mercados da região Ásia-Pacífico que tiveram lugar os êxitos mais significativos das exportações de armas russas das últimas duas décadas. A maior parte das receitas de exportação provêm de China, Índia, Indonésia, Malásia, Vietnã, e o valor deste mercado só vai crescer. No entanto, hoje para a Rússia está chegando um momento em que o seu sucesso futuro dependerá diretamente da rapidez com que os produtores russos consegam mudar a linha de produção.

As armas oferecidas hoje em dia pelos fabricantes russos estão perfeitamente de acordo com as especificações modernas. No entanto, o potencial de atualização dos modelos criados em plataformas de concepção soviética está se esgotando gradualmente. Nos próximos 10-15 anos, à medida da entrada no mercado de sistemas da próxima geração, isso será mais perceptível. Nessa altura, a aposta em modelos reusados deixará de ser justificada.

Um claro sinal de alerta foi a perda na concorrência para a Força Aérea Indiana do avião-tanque (tanker aircraft) Il-78M  frente ao concorrente europeu, baseado no avião A-330. Nem o fato de a Índia já estar usando aviões deste tipo ajudou o Il-78M. A principal razão da derrota da aeronave russa foi um aumento acentuado de seu custo na sequência da transferência da produção de Tashkent para Ulianovsk, onde ela teve que ser recriado praticamente do zero.

O avião russo é inferior ao A-330 em muitos aspectos, principalmente econômicos. Tendo quase igualado o A-330 em preço (o avião-base da série Il-78, o Il-76MD-90A construído em Ulianovsk custa mais de 100 milhões de dólares), ele, embora modernizado, continua sendo uma aeronave de quarenta anos.

O exemplo do Il-76 modificado é suficientemente indicativo. O projeto é necessário para aumentar a produção em Aviastar, em Ulianovsk, e atualizar toda a frota de aviões de transporte da Força Aérea russa. Mas máquinas soviéticas modernizadas já não são adequadas para uma promoção de sucesso em mercados estrangeiros.

Para fechar o intervalo de tempo até o lançamento de sistemas mais recentes foram criados modelos de transição desenvolvidos com amplo uso de tecnologia e equipamentos da próxima geração. Tais são, por exemplo, os caças Su-35 e Su-30, que consistirão a base das exportações russas de aviões militares nos próximos 10-12 anos.

Outra importante direção do desenvolvimento da indústria russa de alta tecnologia e da indústria da aviação é o setor civil, que na Rússia ainda é subdesenvolvido. Aqui, o foco é sobre o projeto SuperJet 100 e também sobre o avião de médio curso MS-21, a venda dos quais deve dar à indústria da aviação russa um ponto adicional de apoio. Saber em que grau a aposta nesses projetos é justificada ficará claro nos próximos 5-7 anos.