21 de Setembro, 2012 - 14:45 ( Brasília )

Geopolítica

Comentário Gelio Fregapani - Armas Nucleares e a Paz, e Necessidade de Coesão Nacional


Armas Nucleares e a Paz, e Necessidade de Coesão Nacional

 
Geopolítica; A Proliferação Nuclear, a Ásia e nós

 
A mídia global alardeia que uma proliferação terminaria por causar uma hecatombe atômica, mas não é o que mostra a História. A III Guerra Mundial só não houve porque ambos os contendores, EUA e URSS, tinham capacidade de retaliar. A Índia e o Paquistão tiveram três sangrentas guerras até adquirirem armas atômicas; a partir de então vivem em paz,melhor dizer, se respeitam.  Israel deve a atual ausência de ameaças a seu armamento nuclear, mas talvez se torne a agressora, caso o Irã não consiga desenvolver o dele.

Desde 2010 o Oriente Próximo e a Ásia Central tornaram-se instáveis. O fato foi atribuído a militância Islâmica, mas não deve ser esquecido que os verdadeiros motivos das sucessivas intervenções podem ser encontrados mais no  desequilíbrio de poder somado as riquezas naturais ambicionadas do que nas diferenças religiosas. Petróleo, seria o caso.

Armas  nucleares evitam guerras. A médio prazo, há que se considerar que o crescimento da China ameaça eclipsar o capital dominador  da trinca histórica Estados Unidos-Europa-Japão. É Óbvio que já teria havido a Guerra se a China não dispusesse de capacidade de retaliação nuclear .  Como tem, pode até haver pequenas disputas periféricas por ilhotas, mas ninguém será atacado nem pressionado demasiadamente.

Que esse jogo no xadrez mundial nos sirva de exemplo, pois além da potencialidade do já ambicionado pré-sal, disporemos da energia do futuro que é a biomassa. Na medida em que nossos governantes iniciarem a resistir as pressões estrangeiras entraremos em risco de intervenções.  Dispondo de armamento nuclear  manteremos os ambiciosos a distância.
 
O caso da China

A China progride a taxas nunca vistas e assusta. As previsões são que ultrapassará em médio prazo a própria economia norte-americana. Uma guerra contra a China já foi uma opção da estratégia do “stablishment” anglo-saxão e, certamente só foi contida pela capacidade de retaliação, cada vez maior. Há anos, havia geopolíticos norte-americanos que defendiam a idéia de fazer guerra à China o quanto antes, pois depois, seria tarde demais. Já é tarde demais.
    
Por que a China progrediu tanto? Por causa da mão de obra barata? Isto pode ser um componente, mas não o principal. Progrediu porque a classe dirigente chinesa segue um bom projeto, que consiste em não aceitar o controle da tecnologia e dos meios de comunicação de massa que o capital internacional tenta impor. O que caracteriza a China e seu desenvolvimento é a rápida absorção de tecnologia de ponta, sua reprodução e desenvolvimento próprio. Não se trata de “made in China” mas de “made by China”, isto é criado pela China. E isso foi possível dentro de um regime totalitário, mas nacionalista, que encarou entrar na disputa no campo da economia global. Libertando-se do sistema monetário/financeiro mund ial. A China, sem alarido, inverteu a ordem estabelecida. Todos, inclusive nós, teremos que estabelecer medidas protecionistas para evitar que a China engula nossas indústrias, o que acontecerá se deixarmos correr frouxo.
     
O fato é que os chineses tiveram êxito. Agora, a Rússia também já integra, com os chineses, a categoria de verdadeiros países emergentes. Lá está Putin, protegendo a indústria e modernizando o Exército Russo, tentando refazer o que foi a Armada Russa, que, noutros tempos, constituiu efetivo contrapeso à potência militar dos EUA. Isso é importante. Não interessa se Putin é ou não é democrata. Não se trata disso; se trata do poder nacional. As armas permitem manter pacífica a sua política exterior.
     
De alguma forma, que esses países sirvam de inspiração para nós. De nada adianta comprarmos umas dezenas de caças a não ser para os copiar. Deveremos é desenvolver nossos próprios projetos, sejam em parcerias ou sem elas, como foi com os submarinos. Deveremos exigir das multinacionais, uma parcela majoritária, nos moldes da China e incentivar o empreendorismo nacional. Condições, temos, melhores do que os demais.
     
Haverá quem pense que o mais importante é a democracia, e que naqueles países não tem. Aos que pensam assim, recomendo assistir a propaganda gratuita dos futuros vereadores, depois dizerem se é isto o que desejam.
 
A necessidade de Coesão Nacional

A coesão nacional é a principal condição para que uma nação exerça sua estratégia.  A História e uma língua comum  contribuem para a coesão ainda mais do que um  bom governo.  Fatores adversos, tais como religiões ou etnias antagônicas e facções políticas hostis, naturalmente diminuem a coesão de qualquer nação, como também o fazem os governantes que fazem uma facção significativa voltarem-se violentamente contra si.   

Em outras épocas já tivemos a coesão abalada por revoltas até de cunho separatista, que conseguimos superar graças as figuras impares de Pedro II, Caxias e Rio Branco. Entretanto, não podemos nos descuidar; recrudescem as forças centrifugas: conservamos a unidade lingüística, mas já não a unidade religiosa; as etnias que se misturavam alegremente agora são incentivadas do exterior a se antagonizarem e a radicalização política ameaça aumentar. Preocupante é que se criem condições para o derramamento do primeiro sangue, pois depois disto nem sempre se controla os acontecimentos. Vejamos algumas situações entrelaçadas:

1 – A Comissão da “verdade”

O porta - voz da Comissão, um arremedo dos Tribunais de Exceção, confirmou que  se limitará a investigar os crimes praticados por agentes públicos na ditadura”. Nesse rumo faz fermentar o desejo de reação. Conforme a arbitrariedade pode ser que os comandantes do Exército resolvam prendê-los e que os julgar de uma forma também de exceção. Se não o fizerem, será feito pelos escalões menores, que não admitirão deixar os companheiros para trás. A Comissão  nem mesmo tem legitimidade, pois nunca foi uma aspiração popular, de forma que pode se transformar em motim militar sem oposição popular, desnecessariamente, que culminará ou em uma ditadura ou no esfacelamento do País. É não ter noção das consequencias.

2 - A implosão do mito Lula

Todos os povos guardam seus mitos como exemplos, embora nem sempre o mito corresponda a realidade. O Lula terminou seu governo sob aplauso, como o presidente que conservou o País fora do tsunami financeiro; que propiciou o progresso e nos livrou da dependência do FMI. Realidade? – Sabemos que só em pequena parte. Sabemos que a parte podre pode ofuscar os feitos reais, mas ele é um mito. Aliás, é fácil ser um mito ao suceder a um FHC.

Entretanto nem Getúlio foi submetido a tal obra de desconstrução. Até onde quer chegar a irresponsável oposição? O ódio gera ódio. Partidos irreconciliáveis geram divisões que culminam em guerra civil .

É claro que o Lula merece a crítica que lhe fazem. Envolvê-lo no mensalão pode ser justo, mas as consequencias podem não compensar. Enquanto o foco das acusações estiver no Zé Dirceu, o povo aplaudirá. Quando passar para o Lula, não sabemos.

Mantenhamos um mínimo de prudência e deixemo-lo eclipsar-se por si, no confronto com uma governante que atua de forma mais honesta.

3 – Para resumir, listamos o sindicalismo raivoso, que prejudica a economia com greves políticas e cria divisões desnecessárias; o indigenismo militante, financiado do exterior para nos dividir em etnias hostis; o ambientalismo retrogrado, que cria o maior perigoso dos antagonismos, pois transforma em inimigos fora da Lei a toda a população rural do País. Infelizmente ainda existem muitos outros...
 
Vale  a pena investir no MERCOSUL.

É evidente que não. Sabemos que a união faz a força, mas a união se torna impossível quando os parceiros não correspondem.

 A Argentina, um caos administrativo, bloqueia nossas exportações.  O presidente do Paraguai afirma que o país não pretende continuar a "ceder" energia de Itaipu ao Brasil, desatendendo a antigos acordos. O Uruguai pretende legalizar os tóxicos, nos obrigando a fechar a fronteira.

É melhor contarmos só com nós mesmos.
 
Que Deus guarde a todos vocês
 
 
Gelio Fregapani