19 de Setembro, 2012 - 09:55 ( Brasília )

Geopolítica

Dominó Árabe - Brasil critica ONU e se oferece para busca de paz no Oriente Médio


Sergio Leo  


A revolta nos países árabes, associada à divulgação de um filme na Internet com ofensas ao profeta Maomé e causadora da morte de diplomatas americanos, tem "raízes mais profundas", como a falta de solução do conflito entre Israel e Palestina, disse o assessor internacional da Presidência do Brasil, Marco Aurélio Garcia. Ele acusou a intervenção na Líbia, para derrubada do ditador Muamar Gadafi, de aumentar a instabilidade na região, ao espalhar por países vizinhos mercenários as armas usadas na invasão do país. O Brasil está disposto a participar de esforços de paz na região, anunciou.

"A situação no Oriente Médio está encruada há algum tempo, em grande medida pela irresolução do problema palestino", comentou, à saída de um seminário sobre política externa brasileira promovido na Câmara dos Deputados. Tanto Garcia quanto o ministro de Relações Exteriores, Antônio Patriota, criticaram duramente as Nações Unidas pela incapacidade de fazer avançar as negociações de paz no Oriente Médio. Patriota anunciou que viajará em breve ao à região em uma tentativa de "levar adiante" os esforços de paz.

Patriota também mencionou a intervenção na Líbia como causadora da violência no Mali, país vizinho onde ex-mercenários promoveram um golpe militar. Para Garcia, a morte de diplomatas americanos, inclusive do embaixador americano em Trípoli, desmentiu as análises de que a situação na Líbia estava normalizada, com a volta da produção local de petróleo. "O que estamos assistindo lá não é outra coisa que o rescaldo de uma intervenção atrapalhada", acusou. "Teve, como uma das consequências, manter um clima interno com mais de 60 grupos armados que operam lá, e outros que migraram para o Norte da África".

Para Patriota e Garcia, os eventos na Líbia e as revoltas árabes mostram que seria um erro uma intervenção armada também para solucionar a crise política na Síria. Os dois mostraram, também, a preocupação do governo brasileiro com as ameaças desestabilizadoras de ataque armado de Israel ao Irã, para interromper o programa nuclear iraniano.