01 de Setembro, 2012 - 11:45 ( Brasília )

Geopolítica

OTAN - Quando a desgraça paira sobre a cabeça

Durante a sua recente visita a Washington, o vice-secretário-geral da OTAN Alexander Vershbow declarou aos jornalistas que esta aliança admite a possibilidade de cooperação direta com a Organização do Tratado de Segurança Coletiva, OTSC

Essa declaração de Vershbow resulta um tanto inesperada à luz da recusa obstinada dos dirigentes deste bloco militar de reconhecer a OTSC na qualidade de parceiro, em primeiro lugar, no tocante à cooperação no Afeganistão.

As agências de informação cuidaram imediatamente de divulgar pelos quatro cantos do mundo esta declaração do ilustre diplomata. Vershbow afirmou que esta aliança está interessada em ouvir dos estados membros da OTSC “propostas concretas” com vista a estabelecer a interação. Pode-se começar - segundo ele disse - por algo “modesto”.  Por exemplo, a luta contra o tráfico de drogas ou garantia do controle fronteiriço. Ao mesmo tempo, Vershbow exortou a concentrar-se na “cooperação prática”, o que permitirá - disse - “criar com tempo a confiança mútua”.

Quem conhece a folha de serviço diplomático de muitos anos de Alexander Vershbow não pode deixar de compreender que por trás de cada sua palavra existe uma segunda, ou, inclusive, terceira intenção. Basta ver, por exemplo, a sua observação sobre um aspecto “modesto” - segundo ele disse - da colaboração, como, por exemplo, a luta contra a produção de drogas no Afeganistão.

OTÉ sabido que este “aspecto modesto” do problema afegão virou agora uma dor de cabeça não somente para a Rússia, contra a qual, na opinião de peritos, se realiza uma verdadeira “agressão de heroína” a partir dos montes Hindu Kush, mas também para a própria coalizão ocidental. No entanto, em Moscou e nas capitais dos Estados da Ásia Central, que fazem parte da OTSC, já declararam reiteradas vezes que esta organização poderia contribuir para a criação de uma barreira sólida na vida da torrente de drogas que vem dos montes Hindu Kush para o norte.

O mesmo diz respeito a declarações do senhor Vershbow sobre “propostas concretas” e “colaboração prática”. No entanto, o secretário geral da OTAN Anders Fogh Rasmussen afirmou há pouco que não vê “razões importantes” para a “aproximação institucional” com a OTSC.

Será que estas razões surgiram agora dado que a situação no Afeganistão tende ao verdadeiro caos à medida que se aproxima a retirada das tropas dos EUA e da OTAN, marcada para o ano 2014? O nosso perito Viktor Litovkin, redator – chefe da revista Resenha Militar Independente admite esta explicação da declaração de Vershbow. Mas faz uma ressalva.

“Falar e fazer são duas coisas diferentes. Os representantes da direção da OTAN declararam muitas vezes que estão prontos a cooperação com os países – membros da OTSC. Todavia a aliança recusa-se a considerar a OTSC uma organização parceira. Esta aliança arrogou-se o direito exclusivo de dirigir o mundo inteiro e de resolver os problemas mundiais. Quanto às declarações feitas, creio que as palavras significam pouco enquanto não há progresso real e conversações reais. Mas a declaração de Vershbow já é um fenômeno positivo pois pode ser interpretada como uma espécie de sinal.”


OTSC

A Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC; em russo: ??????????? ???????? ? ???????????? ????????????), também conhecida como Organização do Tratado de Cooperação e Segurança ou simplesmente Tratado de Tashkent (??????????? ???????), é uma aliança militar intergovernamental assinada em 15 de maio de 1992. Em 7 de outubro de 2002, os presidentes da Armênia, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão, Rússia e Tadjiquistão assinaram uma ratificação em Tashkent, fundando oficialmente a OTSC. Na ocasião, Nikolai Bordyuja foi nomeado secretário-geral da nova organização.

Em 23 de junho de 2006 o Uzbequistão se tornou um membro integrante da OTSC, e sua participação foi oficializada pelo parlamento uzbeque em 28 de março de 2008. A organização é atualmente um membro-observador da Assembleia-Geral das Nações Unidas.

A carta de intenções da OTSC reafirmou o desejo de todos os Estados participantes de se abster da utilização ou da ameaça do uso da força. Os signatários não podem participar de outras alianças militares, ou quaisquer outros grupos de Estados, e estipula que qualquer agressão contra um dos membros deve ser vista como uma agressão contra todos.

A OTSC realiza exercícios militares conjuntos anualmente, como forma de melhorar a cooperação entre os integrantes da organização. O maior destes exercícios foi o realizado o conhecido como "Rubej 2008", na Armênia, onde um total de 4000 homens de todos os sete países constituintes da OTSC conduziram treinamentos operativos, estratégicos e táticos, com ênfase na melhoria da eficiência do elemento de segurança coletiva da parceria.[2]

A OTSC utiliza um sistema de 'presidência rotatória', na qual o país responsável pela liderança da aliança é alternado anualmente. A Bielorrússia ocupa atualmente a presidência da organização.

Fonte:Wikipedia