02 de Julho, 2012 - 12:32 ( Brasília )

Geopolítica

EUA desafiam novamente a China na Ásia

Tudo aponta para que a Tailândia se junte à lista dos países da região da Ásia e do Pacífico (RAP) onde as tropas americanas têm bases permanentes. Trata-se do aeroporto de Utapao, situado na base principal da Marinha Real tailandesa.

A NASA planeja transformar Utapao na base aérea do seu programa meteorológico regional. Esses planos foram anunciados pelo secretário de Estado da Defesa dos EUA Leon Panetta em Sigapura na conferência regional de segurança, onde também declarou, pela primeira vez, que até 2020 sessenta por cento dos navios de combate e outras forças navais americanas serão transferidos para a RAP. Os observadores ligaram imediatamente esse reposicionamento à intenção do Pentágono em pressionar a China e igualar o seu crescente potencial militar.

Segundo declarou anonimamente um dos professores principais da Academia de Estado Maior da Tailândia, Bangcoque não poderá deixar de se preocupar com a reação da China aos vôos americanos no Sudeste Asiático a partir da base aérea tailandesa. É muito provável que a China possa desconfiar da existência de uma componente de espionagem ao abrigo do programa meteorológico dos EUA.

Essa suposição não está desprovida de fundamentos, tanto mais que em Utanao já existe uma pequena empresa norte-americana que está subcontratada pelo Pentágono e que abastece os aviões da força aérea e os navios da marinha dos EUA que transportam militares e cargas para o Afeganistão e para o Iraque. Existem também dados sobre o setor da base de Utapao ter sido utilizado pelos aviões-fantasma que transportavam para os EUA e para a base de Guantánamo em Cuba cidadãos estrangeiros detidos sob alegadas acusações de terrorismo.

Além disso, os EUA tentam obter da Tail â ndia a organiza çã o da observa çã o a é rea conjunta da desloca çã o de mercadorias e cargas militares do Oriente Médio para o Oceano Pacífico, que é a artéria principal do comércio da China com muitos países de Ásia e África. Esta é a opinião de Andrei Volodin, diretor do Centro de Estudos Orientais da Academia Diplomática do MRE da Rússia:

"Os EUA estão seriamente preocupados com o crescente potencial geoeconómico da China, que poderá transformar-se numa influência político-militar, por isso eles tentam reanimar o sistema de ligações que existia nos anos da guerra fria. A questão é a seguinte: ou os EUA conseguem repetir a sua estratégia de contenção do comunismo, neste caso da China nas novas condições, ou terão de realizar essa estratégia com métodos de compromisso."

Tudo indica que a segunda variante é inaceitável para os EUA. Eles também têm planos para regressar à base aérea de Cam Ranh no Vietnã que abandonaram depois da derrota na guerra da Indochina, assim como à sua antiga base de Subic Bay nas Filipinas. Os peritos acreditam que a presença de militares norte-americanos nessas bases será uma realidade no futuro próximo.