20 de Junho, 2012 - 11:55 ( Brasília )

Geopolítica

ONU cita "obrigação moral" e decide manter missão na Síria


A Organização das Nações Unidas (ONU) decidiu manter seus observadores desarmados na Síria, apesar do aumento da violência que levou à suspensão de suas patrulhas. A declaração foi dada nesta terça-feira pelo chefe das operações de manutenção da paz da ONU, Hervé Ladsous, após reunião para decidir o futuro da missão no país que enfrenta uma grave crise política desde o início do ano passado.

A ONU decidiu "não tocar, nem modificar, mas, acima de tudo, manter a integridade" da missão da ONU na Síria, declarou Ladsous à imprensa, embora tenha concedido que um exame será realizado para avaliar eventuais mudanças na missão. A chegada da missão da ONU e o acordo de cessar-fogo na Síria ajudou a conter inicialmente a onda de violência, mas ainda não conseguiu ajudar efetivamente na pacificação do conflito político no país árabe.

O chefe da missão no Conselho de Segurança da ONU, o general Robert Mood, afirmou hoje que os observadores têm "obrigação moral" de permanecer na Síria, mesmo que o aumento da violência tenha obrigado a suspensão dos trabalhos de verificação e as patrulhas. Mood também afirmou que os veículos dos observadores da ONU foram alvo de "disparos diretos" em 10 ocasiões, e de "tiros indiretos" em centenas de oportunidades. Segundo o general, nove veículos da missão da ONU foram atingidos nos últimos oito dias na Síria. O recurso a artefatos explosivos improvisados (AEI) e a franco-atiradores tem aumentado, revelou.

O militar disse que os observadores da ONU têm "a obrigação moral" de permanecer na Síria, mas qualificou de escassa a probabilidade de a missão de supervisão (UNSMIS, sigla em inglês) retomar seus trabalhos de patrulha, a menos que o governo de Bashar al Assad e a oposição se comprometam com a redução da violência. A UNSMIS suspendeu suas operações no sábado, mas ainda tenta organizar um cessar-fogo na cidade sitiada de Homs, acrescentou Mood. "A suspensão das operações não é um gesto político, mas tem implicações políticas claras. Estamos na Síria para resolver uma crise que não pode ser solucionada pela força".