17 de Junho, 2012 - 06:24 ( Brasília )

Geopolítica

Poderá Venezuela assumir a liderança no mercado petrolífero?


Svetlana Andreeva

A Venezuela se tornou líder mundial quanto às reservas de petróleo, tendo suplantado a Arábia Saudita, constata a Resenha Anual de Estatísticas do Mercado Energético Mundial, publicada pela petrolífera BP. Que ressonância terá este fato no panorama global do setor do petróleo? Até que ponto poderá afetar as posições ocupadas até hoje pelos maiores produtores, incluindo a Rússia?

A questão-chave no mercado de hidrocarbonetos reside nos lucros obtidos pelas companhias do setor e não na quantidade de reservas desta matéria-prima. A Venezuela é capaz de aumentar a extração mas não de forma radical, consideram peritos. O clima de investimentos não permite que o país demonstre resultados melhores e, por conseguinte, não pode exercer uma influência séria à escala global. A Arábia Saudita, que ficou atrás da Venezuela, tem vindo a incrementar as capacidades produtivas, ao contrário do país dirigido por Hugo Chavez. Mais do que isso, a Venezuela não dispõe de um programa de larga escala que preveja o aumento de produção de petróleo, afirma o perito russo Denis Borissov.

"O interesse manifestado em relação à Venezuela, apesar de elevado, continua a ser contido pela instabilidade geopolítica regional. Por isso, não se pode esperar, em breve, mudanças essenciais na produção desta matéria-prima. A longo prazo, se deve levar em linha de conta que uma parte considerável das reservas de petróleo venezuelano tem sido obtida, nos últimos cinco anos, à custa do petróleo pesado e mais complicado em termos geológicos, extraído na zona do rio Orenoco. Por isso, nos próximos anos não haverá alterações radicais nessa área, o que quer dizer que a Rússia e a Arábia Saudita manterão as posições de liderança."

Enquanto isso, os peritos supõem que a correlação de forças no mercado de petróleo possa sofrer mudanças em caso do retorno do Iraque, ou seja, se este último voltar a entrar no mercado petrolífero. Claro que então muita coisa dependerá da situação política no país. Mesmo assim, os atores-chave, entre os quais a Rússia, não devem ter motivos de receio, diz o analista russo em matéria, Grigori Brig.

"As avaliações efetuadas pela BP indicam que, em princípio, a Rússia não possui as maiores reservas de petróleo. Isto se deve à existência de grandes reservas não prospetadas. Por exemplo, 700 mil milhões de barris do equivalente petrolífero se localizam na plataforma do Ártico, no Extremo Oriente e no sul da Rússia. A prospeção naquelas regiões se encontra em fase embrionária, havendo, sem dúvida, enormes potencialidades para aumentar a extração e aproveitar ao máximo as reservas existentes."

Entrementes, as reservas globais de petróleo registraram, no ano passado, um aumento de 1,9%, sendo a liderança mantida pelo Oriente Médio (48%), o que equivale a 795 bilhões de barris.

No que concerne à questão fundamental, que preocupa todos sem olhar para as posições ocupadas hoje em dia pela Venezuela, Rússia ou Arábia Saudita, - haverá ou não uma brusca quebra dos preços de petróleo – os peritos apontam ser pouco provável tal hipótese. Nesta fase, os preços se situam abaixo do patamar admissível para os membros da OPEP, constituindo 100 dólares por barril.