06 de Junho, 2012 - 10:24 ( Brasília )

Geopolítica

Países latinos dizem que jogarão tratado da OEA no lixo


Bolívia, Equador, Nicarágua e Venezuela, países latino-americanos governados por líderes esquerdistas, disseram na terça-feira que denunciarão o acordo de defesa Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar), iniciando a retirada do que consideram ser o "lixo inútil" da OEA.

O anúncio foi feito pelos chanceleres dos quatro países durante a Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), que conclui sua reunião nesta terça-feira, na cidade boliviana de Cochabamba.

O Tiar, criado em 1947, é um acordo regional de defesa mútua acertado após a Segunda Guerra Mundial por integrantes da OEA. A última vez que foi acionado foi em 2001, pelos ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos.

"Nossos países tomaram a decisão de enterrar o que merece ser enterrado, jogar na lata de lixo o que já não serve", disse a jornalistas o ministro de Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patiño.

Os quatro países, membros da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (Alba), disseram que a denúncia do tratado é um exemplo da necessidade de encarar reformas urgentes na OEA.

A denúncia de um tratado implica que o país que o faz indica que não terá mais obrigações em relação a este acordo.

"Precisamos limpar o lixo desta organização que tem a obrigação de refundar-se", disse Patiño.

Os países da Alba membros da OEA pressionam por reformas na organização, que é acusada por eles de ser instrumento de pressão dos Estados Unidos sobre a América Latina.

O Tiar foi concebido como um sistema de ajuda militar mútua entre Estados da OEA, em caso de algum país do continente americano fosse atacado por uma nação de outro continente, mas não foi aplicado quando a Argentina enfrentou a Grã-Bretanha na guerra das Malvinas, em 1982.

México denunciou o acordo em 2002.