24 de Maio, 2012 - 11:01 ( Brasília )

Geopolítica

Protótipo de novo míssel balístico intercontinental testado com êxito na Rússia

No dia 23 de Maio, foi efetuado com sucesso o lançamento de um protótipo de míssil balístico intercontinental (ICBM) a partir do cosmódromo de Plesetsk, distrito de Arkhangelsk.

Os objectivos do lançamento foram alcançados, tendo a ogiva de teste atingido a zona programada no polígono de Kura na peninsula de Kamchatka, o que foi comunicado pelo porta-voz oficial das Forças de Misseis Estratégicos (FME).

O lançamento foi efetuado a partir de uma plataforma de lançamento móvel por guarnições conjuntas das FME e das Forças espaciais. O objectivo essencial consistiu na obtenção de dados experimentais que confirmassem as soluções científico-técnicas e tecnológicas escolhidas para a conceção deste ICBM. Neste caso deve tratar-se de um ICBM de ogivas manobráveis, refere Viktor Yesin, vice-presidente da Academia para os Problemas de Segurança, Defesa e Ordem Pública:

"Essas ogivas podem alterar a sua trajectória de voo variando tanto a altitude como os desvios laterais, o que dificulta a previsão do ponto de impacto com o anti-míssil destinado a atingir essa ogiva. Ou seja, a sua trajectória torna-se imprevisivel para as baterias anti-míssil, o que reduz drásticamente a capacidade da defesa anti-míssil para intercetar esse tipo de ogivas".

Também o aumento da velocidade e da quantidade de ogivas abre novas perspetivas para ultrapassar a defesa anti-míssil. Os mísseis que transportam, por exemplo, dez ogivas em vez de uma têm uma capacidade muito superior de ultrapassar o sistema de defesa e é por isso que são fabricados os ICBM de ogivas múltiplas. Já há muito que se trabalha na superação dos sistemas anti-míssil do adversário existentes e em elaboração, nota Viktor Baranets, comentador militar do Komsomolskaya Pravda:

"Não é nenhum segredo que possuímos ogivas manobráveis hipersónicas. Neste momento trata-se de aumentar as suas capacidades considerando o sistema anti-míssil, assim como os novos níveis de defesa, que os EUA e a NATO planeiam instalar na Europa até 2020. Este lançamento já se inclui na preparação para uma reação adequada aos planos que estão a ser elaborados pelos EUA e pela OTAN".

De acordo com os peritos, o protótipo que foi agora lançado com sucesso utiliza o mesmo know-how incorporado nos mísseis Topol-M, Yars e Bulava.