05 de Maio, 2012 - 15:01 ( Brasília )

Geopolítica

EUA dizem a tropas que má conduta prejudica liderança do país


O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Leon Panetta, advertiu às tropas nesta sexta-feira que os atos de "conduta inadequada" durante sua estadia no Afeganistão "põem em risco as vidas de companheiros" e prejudicam a liderança do país no mundo. "Em particular, eles (os talibãs) tentaram aproveitar-se de uma série de incidentes problemáticos que envolvem condutas inapropriadas por parte das tropas dos EUA. Atualmente bastam poucos segundos para que uma fotografia se transforme subitamente em uma manchete", afirmou Panetta.

O secretário de Defesa fez estas declarações durante um discurso na base de Fort Benning, na Geórgia, perante 1,3 mil soldados, no qual fez referência aos recentes escândalos protagonizados por soldados americanos, como a queima de exemplares do Corão no Afeganistão e a divulgação de fotografias onde um grupo aparece urinando sobre cadáveres de talibãs. "Essas notícias podem afetar a missão na qual estamos imersos. Podem pôr seus companheiros em risco, ferem a moral, e podem prejudicar nossa posição no mundo", acrescentou Panetta.

Assegurou, no entanto, que estes incidentes representam "uma porcentagem muito pequena do grande trabalho que nossos homens e mulheres realizam todos os dias no mundo". Além disso, Panetta aproveitou a ocasião para ressaltar que "os talibãs foram debilitados", por isso é importante que o inimigo não utilize estes incidentes "a seu favor em um momento no qual estão perdendo a guerra".

As relações entre Afeganistão e EUA pioraram nos últimos meses devido a vários incidentes deste tipo que aumentaram o receio dos afegãos em relação às tropas americanas, desdobradas há uma década no país. Precisamente nesta semana, o presidente dos EUA, Barack Obama, realizou sua terceira viagem a Cabul para reunir-se com o presidente afegão, Hamid Karzai.

Durante a visita ambos presidentes assinaram um acordo que estabelece o novo marco de cooperação entre os países uma vez que se complete a retirada das tropas da Otan em 2014 e terá uma vigência de dez anos, até 2024.