30 de Abril, 2012 - 15:00 ( Brasília )

Geopolítica

INFORME OTÁLVORA - UNASUR reunirá os 12 Ministros de Defesa, Exterior, Interior e Justiça


*** UNASUR, com chavista como Secretário-Geral, será a “observadora” na eleição presidencial venezuelana de  07 Outubro 2012.
*** Ministro equatoriano viaja para a China com o fim de negociar a dívida em  nome de seu país e da Venezuela.
*** Banco del Sur nasceu  sem  Brasil e sem capital.

O governo venezuelano não recorrerá  a OEA, mas sim a UNASUR, como organismo regional observador nas próximas eleições presidenciais. Vale resaltar que para outubro de 2012, segundo o  acordado na UNASUR, a Secretaria Geral do organismo estará nas mãos de Alí Rodríguez Araque, ex-ministro venezuelano, muito próximo  ao governo cubano desde os anos sessenta.

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A presença da UNASUR como observador eleitoral na Venezuela, foi anunciada em março passado pela  atual Secretária-Geral, a colombiana María Emma Mejía, quando ainda  o “Consejo Nacional Electoral venezolano” ainda não havia convocado oficialmente aos comícios de outubro. Mejía é candidata a ocupar a Embaixada da Colômbia, em Caracas, logo que passe a  Secretaria a Rodríguez Araque.

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No  marco da UNASUR está sendo elaborada uma estratégia encabeçada pelos governos da Venezuela e Equador, que busca declarar desnecessária a presença da OEA, tanto no campo eleitoral como no da Defesa dos Direitos Humanos.

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Já está redigido um  documento denominado Estatuto del Consejo Electoral da UNASUR elaborado por um grupo técnico que concluiu suas tarefas em março. O Estatuto seria avaliado e aprovado pelas autoridades eleitorais dos distintos países da América do Sul, que se reuniram no Paraguai em fins de abril. Sandra Oblitas e Elvis Urbina assinaram em  nome da Venezuela o projeto do Estatuto.

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UNASUR decidiu iniciar a criação de uma instância própria para “a coordenação de direitos  humanos”. O objetivo da  Venezuela e Equador, dos quais  Brasil e Peru são convenientemente solidários, para desligar-se da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, começar   a tomar corpo. Por mandato dos Chanceleres da UNASUR, a solicitação do governo de Rafael Correa,já foi criado um Grupo de Trabalho que deverá reunir-se, em maio, em Quito.

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Oficialmente, desde  03ABR12, já existe o Banco del Sur. Neste dia  o governo uruguaio entregou à Venezuela a ratificação do parlamento desse país do Convênio Constitutivo, juntando-se à Argentina, Equador e Venezuela. Mas o Banco nasceu sem  a  participação do Brasil, um dos principais financistas, e sem liquidez para iniciar suas atividades.

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O  Banco del Sur forma parte de uma constelação de  organismos internacionais que proliferaram na América do Sul, na  segunda metade da década passada. Competindo com o  Banco Interamericano de Desenvolvimento e com a Corporación Andina de Fomento, Hugo Chávez e Néstor Kirchner forçaram a aprovação  de um novo organismo teoricamente para o financiamento de projetos de desenvolvimento. Brasil se juntou à aventura mais por amizade de Lula, que por convicção da burocracia de Brasília. De fato,o  Congresso Brasileiro não tem  considerado o respectivo convênio. Alan García e Álvaro Uribe simplesmente não participaram do  projeto.

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Os aportes de capital programados para o funcionamento do Banco del Sur, obrigava a Venezuela, Argentina e Brasil a desembolsarem US$ 2 Bilhões  cada um. Uruguai e  Equador investiriam  US$ 400 milhões, e Bolívia e Paraguai somente US$ 100 milhões. Embora os aportes menores de capital, todos os sócios têm o mesmo peso na  condução do Banco.

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A capitalização do Banco, que  deverá ser completada em 10 anos, será feita  basicamente com papéis e títulos,  não com  dinheiro. Os US$ 400 milhões que deveria capitalizar o  Uruguai, como  exemplo, serão  contabilizados  a razão de US$ 40 milhões  anuais. Embora em  realidade o Uruguai só desembolsará US$ 8 milhões anuais em  dinheiro e restante em “garantias” que daria o governo uruguaio.

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O plano das Forças Militares Colombianas é liquidar militarmente as FARC em um prazo de dois anos. A informação foi tornada pública pelo chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, general Martin Dempsey. O chefe militar americano, que esteve na Colômbia em fins do mês de março, teve acesso em primeira mão os  planos de guerra contra a guerrilha.

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O general Dempsey foi levado até a fronteira venezuelana-colombiana para mostrar uma das unidades de elite que a Colômbia tem deslocado para  a região,   em seu novo plano contra as FARC.

Dempsey juntamente com o general Alejandro Navas, Chefe das Forças Militares da Colômbia, visitou a sede da Força Tarefa Vulcão (Fuerza de Tarea Vulcano), em Tibú, departamento Norte de Santander, somente sete quilômetros da linha de fronteira com a  Venezuela.

Vulcano é uma  concentração de quase 3.000 efetivos militares provenientes das três Forças. Forma parte do novo esquema territorial de operações das Forças Militares Colombianas. No departamento de  Arauca foi constituída igualmente a Fuerza de Tarea Kyron.

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O presidente Juan Manuel Santos está promovendo a exportação de assessoria militar.O tema foi tratado pelo  mandatário tanto com o general Dempsey como com o presidente Barack Obama. Santos, em entrevista ao El Tiempo,  de Bogotá, em 08ABR12, adiantou que os Estados Unidos estão “muito interessados”em que Colômbia ajude aos países centro-americanos e do Caribe na sua luta contra o narcotráfico. Poucos dias antes, Santos informou à  revista brasileira Época, que a Colômbia  recebeu solicitações de vários países da África Ocidental para “replicar” o Plano Colômbia.

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Em 03 e 04MAI12 se reunirão na Colômbia os ministros de defesa, interior, relações exteriores  e de justiça dos doze países que integram  a UNASUR. Segundo a  informação oficial, está prevista a assistência do  “General.en Chefe Henry de Jesus Rangel Silva - Ministro do Poder Popular para a Defesa, do “Sr.Tarek Zaidan El Aissami Maddah - Ministro do Poder Popular do Interior e Justiça”e do “Dr. Nicolás Maduro Moros - Ministro de Relações Exteriores” da Venezuela.

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Em julho de 2008, Hugo Chávez e Rafael Correa lideraram um  ato em El Aromo,  na província de Manabi, para a criação de uma empresa binacional com o propósito de construir uma refinaria de petróleo. A empresa foi constituída com 51% de participação acionária por Petroecuador e 49% da estatal venezuelana PDVSA. Após quatro anos de sua constituição, os sócios confessam que não têm dinheiro para construir a refinaria

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Quando criada a  empresa, Correa informou que o projeto teria  inversões de US$ 10 bilhões. Ante as críticas dos grupos ecologistas contra o projeto, Correa e Chávez criaram nesse dia um “Centro de Monitoração Ambiental e Responsabilidade Social”, e no programa do ato se incluiu o plantio de árvores. Um ano depois, PDVSA informou a abertura de um escritório comercial da "Refinaria do  Pacífico Eloy Alfaro". Igualmente se supunha que uma empresa coreana (SKEC) estava concluindo a  engenharia conceitual” do projeto. Em agosto de 2009, a empresa encarregada da refinaria procedeu a doação de equipamentos médicos a centros de saúde de Manta e Montecristi.

Quatro anos após a  criação da empresa, a refinaria continua sendo um projeto. É  ignorado os recursos  gastos por ambos governos em estudos de engenharia ou de relações públicas.

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Em 21ABR12,no seu tradicional programa de Sábado, Rafael Correa anunciou que o engenheiro Jorge Glas, ministro de Setores Estratégicos, viajou à China para negociar o financiamento da refinaria do Pacífico. Correa afirmou que o valor  solicitado à China é de US$ 13 bilhões, três bilhões mais que o estimado em 2008. Esta dívida, por tratar-se de uma empresa binacional, estaria sendo adquirida simultaneamente pelo Equador e China. É ignorado se a Venezuela deu poderes ao ministro equatoriano para negociar em seu nome.