04 de Abril, 2012 - 10:05 ( Brasília )

Geopolítica

Tambores de Guerra - Netanyahu diz que sanções abalam o Irã, mas não bastam


O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse na terça-feira que as sanções internacionais estão afetando a economia do Irã, mas não são suficientes para demover o país das suas ambições nucleares. "O governo iraniano (...) está tendo problemas econômicas, mas ainda não recuou nem um milímetro em seu programa nuclear", disse Netanyahu em entrevista coletiva por ocasião do terceiro aniversário de seu governo.

"Será que essas dificuldades farão o governo em Teerã conter seu programa nuclear? O tempo dirá. Não posso lhes dizer se isso vai acontecer. Sei que há dificuldades, mas ainda precisa haver uma mudança." O Irã diz que seu programa nuclear é pacífico, que o país não irá ceder a sanções, e que Israel e/ou EUA sofrerão retaliações se tentarem uma ação militar para destruir as instalações atômicas iranianas.

Na sexta-feira, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse que irá manter as sanções ao Irã, e que o mercado mundial tem petróleo suficiente para poder dispensar o produto iraniano. Na sua entrevista, Netanyahu não ofereceu novas explicações sobre como Israel pretende enfrentar a suposta ameaça nuclear iraniana. Retomando um tema familiar no discurso israelense sobre o país persa, Netanyahu contrastou o desamparo dos judeus durante o Holocausto nazista ao poderio militar e à influência diplomática do Estado judeu criado após a Segunda Guerra Mundial.

"O povo judeu não tinha essas capacidades 70, 80 anos atrás. Não tínhamos essas ferramentas. Hoje essas ferramentas existem, e é nosso dever usá-las a fim de conter as nefastas intenções dos nossos inimigos", afirmou ele, sem fazer referência explícita ao Irã. Há cerca de dois meses, várias autoridades israelenses fizeram declarações sugerindo que uma ação militar contra o Irã seria iminente, o que gerou grande preocupação internacional. Mais recentemente, no entanto, Israel tem feito cautelosos elogios à possibilidade de retomada das negociações entre grandes potências globais e o Irã, prevista para este mês.

"Farei tudo o que puder para afastar esse perigo", disse Netanyahu. "Espero que possamos fazer isso juntos com os principais atores na comunidade internacional, é um grande perigo para eles, mas acima de tudo é um perigo para nós.