09 de Março, 2012 - 10:18 ( Brasília )

Geopolítica

Israel não atacará o Irã nas próximas semanas, diz Netanyahu


Israel dará uma chance às sanções contra o Irã, e não atacará o país nas próximas semanas, assegurou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ao regressar na quinta-feira de uma viagem aos Estados Unidos. "Não estou parado com um cronômetro na mão. Não é uma questão de dias ou semanas, mas também não é questão de anos. Todo mundo compreende isso", disse Netanyahu em entrevista ao Canal 10 da TV local.

O governo israelense tem ameaçado bombardear instalações nucleares do Irã para impedir o país de desenvolver armas atômicas. Teerã diz não ter tal intenção, e insiste no caráter pacífico do seu programa nuclear, alvo de diversas sanções internacionais.

"Ficaríamos felizes se as coisas fossem resolvidas pacificamente, se o Irã decidir interromper o seu programa nuclear", disse ele. "Pará-lo, desmantelar sua instalação (nuclear) em Qom, e parar de enriquecer urânio. Ficarei muito feliz, acho que todos os cidadãos de Israel também ficarão felizes", disse.

Na segunda-feira, em visita à Casa Branca, Netanyahu assegurou ao presidente dos EUA, Barack Obama, que seu país não tomou ainda a decisão de atacar instalações nucleares do Irã, segundo fontes próximas à discussão.

Mas ele também não deu sinal de que estaria disposto a abdicar da opção militar. Os EUA tampouco descartam uma ação armada, mas dizem que é preciso dar tempo à diplomacia, e temem que uma ação unilateral de Israel desencadeie uma nova guerra no Oriente Médio, com graves consequências para a estabilidade da região e para a economia mundial.

Acredita-se que Israel possua o único arsenal nuclear do Oriente Médio, mas, segundo muitos especialistas, seu poder de fogo convencional talvez não seja suficiente para causar danos irreversíveis às instalações nucleares iranianas, que são distantes, esparsas e bem protegidas.

Em outra entrevista, ao Canal 1, Netanyahu disse que Israel, mais do que os EUA, vê o Irã como uma ameaça imediata. "Há uma diferença inerente: os EUA são grandes e distantes, Israel é 'menos grande' e perto da ameaça, e claro que há diferentes capacidades. Portanto, o relógio dos EUA para impedir o Irã de se tornar (uma potência) nuclear não é o mesmo relógio israelense, o qual, é claro, corre num cronograma diferente", afirmou.

Obama tem se comprometido em não permitir que o Irã adquira armas nucleares. Comentando isso, Netanyahu afirmou ao Canal 1: "é uma declaração importante, mas afinal nossa responsabilidade é garantir que não nos coloquemos numa situação de contradizermos o que o presidente Obama disse. Não devemos chegar a um estado em que Israel não tenha a capacidade de se defender por contra própria contra qualquer ameaça".