09 de Março, 2012 - 10:10 ( Brasília )

Geopolítica

Kadafi escondeu armas em embaixadas líbias pelo mundo


O governo do líder líbio Muammar Gaddafi tinha um programa secreto para esconder armas nas embaixadas líbias ao redor do mundo, disse uma autoridade do novo governo na quinta-feira.

Entre as armas, havia revólveres, granadas e materiais para a fabricação de bombas. Elas foram enviadas usando o malote diplomático. É possível que a intenção era usá-las em assassinatos de dissidentes líbios no exterior ou para operações contra os países que abrigavam tais embaixadas.

A escala do esquema está aparecendo agora, quando a liderança formada durante a rebelião do ano passado contra Gaddafi assume o controle das embaixadas e vem encontrando as armas, disse Mohammed Abdul Aziz, vice-chanceler da Líbia.

Os funcionários de Gaddafi enviaram armas para "muitos países". "Na África, na Ásia e na Europa. Não foi apenas para dois ou três países", disse Abdul Aziz à Reuters em uma entrevista.

"Ninguém sabe qual era o plano. Seria para lidar com certos problemas com relação ao país anfitrião? Seria para ser usado contra os cidadãos líbios? Ninguém sabe", disse ele. "Honestamente, tudo é possível com relação ao regime anterior."

Questionado se as armas foram escondidas nas embaixadas líbias como parte de uma operação concebida dentro do governo Gaddafi, Abdul Aziz afirmou: "Não tenho dúvidas. Nenhuma dúvida."

Durante seus 42 anos no poder, Gaddafi era acusado com frequência de exportar violência.

O ataque a bomba de um avião norte-americano em 1988, que caiu na cidade escocesa de Lockerbie, e a morte a tiros da policial britânica Yvonne Fletcher diante da embaixada líbia em Londres são alguns dos casos mais conhecidos.

O fato de os diplomatas de Gaddafi manterem armas dentro das embaixadas líbias até o ano passado sugere que ele ainda planejava homicídios no exterior, mesmo que tenha renunciado à violência nos anos 1990 e os Estados ocidentais tenham retomado as relações diplomáticas.

DIPLOMACIA DAS ARMAS

Nos últimos seis meses, enquanto os simpatizantes de Gaddafi perdiam o controle das embaixadas estrangeiras, as descobertas de armas foram divulgadas nas missões na capital da Grécia, no Egito e no Marrocos.

Notícias da mídia local disseram que em Atenas, em fevereiro, a descoberta incluía 30 revólveres, duas submetralhadoras, 15 quilos de explosivos plásticos, detonadores, duas granadas de mão, silenciadores e equipamento para escutas telefônicas.

As armas descobertas em Rabat incluíam carros-bomba e lança-granadas-foguete, informou um jornal marroquino.

O vice-chanceler afirmou que as descobertas anunciadas até agora são apenas a ponta do iceberg, embora tenha dito que não poderia fornecer uma lista dos países nos quais as embaixadas líbias tinham esconderijos de armas.

Ele afirmou que não acredita que tenham sido encontradas armas na missão líbia nos Estados Unidos, mas disse que elas foram descobertas em outros países da União Europeia, além da Grécia, e em outros continentes.

"Descobrimos uma série de armas. Há pistolas, há granadas de mão, substâncias químicas...para produzir alguns tipos de granadas, não são armas químicas, são substâncias químicas", disse ele.

O vice-chanceler afirmou que as embaixadas líbias que descobriram armas estavam negociando com os governos dos países anfitriões para entregar as armas ou enviá-las de volta à Líbia por meios legais.

"Há países que aceitaram a ideia de aceitar essas armas, ainda temos algumas embaixadas que têm de fechar um acordo com o governo anfitrião", disse Abdul Aziz.

"Somos muito transparentes, não temos nada a esconder no momento, mas o fato é que permanecem algumas armas."

De acordo com a Convenção de Viena, o tratado internacional que rege as missões diplomáticas, os governos têm pouca margem de manobra para evitar que as embaixadas estrangeiras escondam armas.

Um Estado anfitrião não tem o direito de fazer uma busca nos estabelecimentos de uma embaixada. O tratado estabelece que os bens enviados pela e para a embaixada pelo malote diplomático devem conter apenas documentos ou itens para uso oficial, mas os pacotes não são revistados nem retidos.